Meu Amor Quotes

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meu amor, o inferno é o teu corpo foda a foda alcançado
Herberto Helder (Servidões)
Sometimes, meu amor, we lose too much time asking ourselves questions that we can't answer and forgetting that the answer is just beside us
Cristiane Serruya (Trust: Pandora's Box (TRUST Trilogy #3; TRUST Universe #6-8))
De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: “meu Deus, mas como você me dói de vez em quando…
Caio Fernando Abreu
Sometimes, meu amor, we lose too much time asking ourselves questions that we can’t answer and forgetting that the answer is just beside us. You have to learn to ask and to listen. If one does not listen, the other does not exist. When the other does not exist, one is alone. I don’t want to be alone, do you?
Cristiane Serruya (Trust: Pandora's Box (TRUST Trilogy #3; TRUST Universe #6-8))
As palavras que te envio são interditas até, meu amor, pelo halo das searas; se alguma regressasse, nem já reconhecia o teu nome nas suas curvas claras.
Eugénio de Andrade (As Palavras Interditas / Até Amanhã)
De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes
... A tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Vinicius de Moraes
Eu voltei à vida por você, meu amor; eu voltei à vida, feito de amor.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Para não te desperdiçares não dês o teu amor a quem to tira.
Pedro Paixão (Muito, Meu Amor)
Percebo que esse é o meu ideal de felicidade. Estar junto sem medo de que alguma coisa ruim vá acontecer a qualquer momento.
Vitor Martins (Um milhão de finais felizes)
Por mais que me custe aceitar, o meu porto de abrigo já não passa port i. Na verdade não passa por ninguém. Temos de o encontrar dentro de nós, ou estaremos perdidos para sempre.
Margarida Rebelo Pinto (O Amor é Outra Coisa)
E não te deixes levar sem mais pelas palavras, as palavras enganam muito sem querer. Tem o máximo cuidado. Todo é pouco.
Pedro Paixão (Muito, Meu Amor)
O resto é a vida que nos deixa, a chama que morre no nosso olhar, a púrpura gasta antes de a vestirmos, a lua que vela o nosso abandono, as estrelas que estendem o seu silêncio sobre a nossa hora de desengano. Assídua a mágoa estéril e amiga que nos aperta o peito com amor. (Meu destino é a decadência)
Fernando Pessoa (Livro do Desassossego)
Amor violeta O amor me fere é debaixo do braço, de um vão entre as costelas. Atinge meu coração é por esta via inclinada. Eu ponho o amor no pilão com cinza e grão de roxo e soco. Macero ele, faço dele cataplasma e ponho sobre a ferida.
Adélia Prado (Bagagem)
Quando é que isto começou? Isto, o quê? Isto. O amor? Talvez. O amor? Sim, pode ser isso. Quando é que o amor começou? Começou antes de ter começado. E depois? E depois não acabou quando devia acabar. Durou mais tempo. O coração bate mais tempo. Não há maneira de parar o coração.
Pedro Paixão (Muito, Meu Amor)
Fíxenme médico por amor ao meu pai; non exerzo a profesión por amor á humanidade.
Alfonso Daniel R. Castelao
Não te amo como se fosse rosa de sal,topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo: te amo como se amam certas coisas obscuras, secretamente,entre a sombra e a alma. Te amo como a planta que não floresce e leva dentro de si,oculta, a luz daquelas flores, e graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra. Te amo sem saber como,nem quando,nem onde, te amo diretamente sem problemas nem orgulho: assim te amo porque não sei amar de outra maneira, senão assim deste modo em que eu não sou nem és tão perto que tua mão sobre meu peito é minha tão perto que se fecham meus olhos com meu sonho.
Pablo Neruda
Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos, São naturalmente Ridículas.)
Fernando Pessoa
Ah, meu amor, não tenhas medo da carência: ela é o nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão.
Clarice Lispector (The Passion According to G.H.)
- Porque é que já não sabe voar, mãe? -Porque já sou crescida, meu amor. Quando as pessoas crescem esquecem-se de como se faz. - Porque é que se esquecem? - Porque já não são alegres, inocentes e cruéis. Só quem for alegre, inocente e cruel é que consegue voar.
J.M. Barrie
A percepção não passa da soma dos nossos mal-entendidos.
Haruki Murakami (Sputnik Sweetheart)
Oi, meu amor.” She said. Hello, my love, in Portuguese.
Callie Anderson (Invisible Love Letter (Love Letter, #1))
Cansado do universo e sociedade, Da abstracção que não finda o que é fundo Do meu fatal pôr-olhos sobre o mundo, Pobre de amor e rico de ansiedade, Já nada me seduz nem me persuade.
Fernando Pessoa (Poesia do Eu)
A vida é muito menos cheia de prosápia do que a morte. É uma espécie de maré pacífica, um grande e largo rio. Na vida é sempre manhã e está um tempo esplêndido. Ao contrário da morte, o amor, que é o outro nome da vida, não me deixa morrer às primeiras: obriga‑me a pensar nas pessoas, nos animais e nas plantas de quem gosto e que vou abandonar. Quando a vida manda mais em mim do que a morte, amo os que me amam, e cresce de repente no meu coração a maré da vida.
Paulo Varela Gomes
Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo. Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos. Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso. Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos. Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem. Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram. Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir. Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi. Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto. Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir. Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam. Já tive crises de riso quando não podia. Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva. Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse. Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Renato Dieckson
Ele e o marido da Senhora Dona Flor, cuida de tua virtude, de tua honra, de teu respeito humano. Ele e tua face matinal, eu sou tua noite, o amante para o qual nao tem nem jeito nem coragem. Somos teus dois maridos, tuas duas faces, teu sim teu nao. Para ser feliz, precisas de nos dois. Quando era eu so, tinhas meu amor e te faltava tudo, como sofrias! Quando foi so ele, tinhas de um tudo, nada te faltava, sofrias ainda mais. Agora sim, es dona Flor inteira como deves ser
Jorge Amado
Devo manter meu coração cheio de amor hoje pois de que outra maneira poderei suportar mais este dia?
Oscar Wilde (De Profundis e Outros Escritos do Cárcere)
Aquilo que os nossos olhos vêem nem sempre corresponde à realidade.
Haruki Murakami (Sputnik Sweetheart)
No final das contas, era isso o que mais me doía, pois quando o amor se torna impossível, só nos resta uma alternativa. Amar em silêncio. Chorar em silêncio. Em segredo.
Luna Brandon (Eu Te Dou Meu Amor (Entregue a Você #1))
Como eu te amo (e portanto eu amo-te, sua tola, tal como o mar ama um minúsculo seixo no seu fundo, é exactamente assim que te cubro com o meu amor - e oxalá seja também um seixo ao teu lado, se o céu o permitir), amo o mundo inteiro, a que pertence também o ombro esquerdo, não primeiro era o ombro direito e, por isso, beijo-o quando isso me dá prazer (e tu tens a amabilidade de despir aí a blusa), o ombro esquerdo está também incluído e o teu rosto debaixo de mim no bosque e o repousar no teu peito quase desnudado. E por isso tens razão quando dizes que já fomos um único ser, e não tenho nenhum medo disso, pelo contrário, é a minha única felicidade e o meu único orgulho e não o restrinjo de modo nenhum ao bosque.
Franz Kafka
Por onde andas, meu amor maior? Porque me tens aqui cativa neste lugar onde a culpa e os fantasmas me perseguem? Quero de novo sentar-me junto da Fonte Nova, ouvir as águas que nela correm cantando o nosso amor a uma só voz, esconder-me deste mundo horrível e carrasco que teima em ver-me como uma maldição, esquecer-me de tanta perfídia e de toda a maldade que nos cerca e ser tua mais uma vez; sentir os teus dedos pelo meu corpo ainda fresco, saborear a força dos teus pulsos guerreiros em volta da minha cintura que a maternidade não roubou, respirar o teu ar enquanto encostas a tua cara nos meus cabelos loiros que tanto amas, sentir-te todo dentro de mim como um caudal de paixão e de força que nunca se cansa nem morre, na esperança de me dares ainda mais filhos saudáveis como os que Deus nos enviou.
Margarida Rebelo Pinto
Quanto mais longe, mais perto me sinto de ti, como se os teus passos estivessem aqui ao pé de mim e eu pudesse seguir-te e falar-te e dizer-te quanto te amo e como te procuro, no meio de uma destas ruas em que te vejo, zangado de saudade, no céu claro, no dia frio. Devolve-me a minha vida e o meu tempo. Diz qualquer coisa a este coração palerma que não sabe nada de nada, que julga que andas aqui perto e chama sem parar por ti
Miguel Esteves Cardoso (O Amor é Fodido)
Povoamento No teu amor por mim há uma rua que começa Nem árvores nem casas existiam antes que tu tivesses palavras e todo eu fosse um coração para elas Invento-te e o céu azula-se sobre esta triste condição de ter de receber dos choupos onde cantam os impossíveis pássaros a nova primavera Tocam sinos e levantam voo todos os cuidados Ó meu amor nem minha mãe tinha assim um regaço como este dia tem E eu chego e sento-me ao lado da primavera
Ruy Belo
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. Gastámos tudo menos o silêncio. Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, gastámos as mãos à força de as apertarmos, gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis. Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; era como se todas as coisas fossem minhas: quanto mais te dava mais tinha para te dar. Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. E eu acreditava. Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis. Mas isso era no tempo dos segredos, era no tempo em que o teu corpo era um aquário, era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes. Hoje são apenas os meus olhos. É pouco, mas é verdade, uns olhos como todos os outros. Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor, já se não passa absolutamente nada. E no entanto, antes das palavras gastas, tenho a certeza que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração. Não temos já nada para dar. Dentro de ti não há nada que me peça água. O passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus.
Eugénio de Andrade
Isso não é amor. Eu já estive apaixonado, mas isso não é a mesma coisa. Não se trata de um sentimento meu, mas de uma força exterior que se apoderou de mim. Veja, eu fugi porque decidi que tal coisa não poderia acontecer, entende, como uma felicidade que não pode existir na terra; mas lutei contra mim mesmo e vejo que sem isso não existe vida.
Leo Tolstoy
A anos estou resvalando neste labirinto de corpos nus sem o morno do teu amor pro meu peito sossegar.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Não deve custar a morte a quem tiver o coração tranquilo. O pior é a saudade, saudade daquelas esperanças que tu achavas no meu coração.
Camilo Castelo Branco (Amor de Perdição)
A brasa do teu corpo a queimar a palma acesa da mão do meu desejo
Maria Teresa Horta (Antologia de Contos / Só de Amor)
Tong a toing mo thuath." (Tradução livre para Juro o que jura o meu povo.)
Sonia Ferreira (Mors-Amor)
Eu te amei com todo meu amor a ponto de não tem me sobrado amor próprio algum com o qual me consolar.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Meu amor a te esperar vegeta, meu amor a te buscar não se represa.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
E levito, voo de semente, para em mim mesmo te plantar menos que flor: simples perfume, lembrança de pétala sem chão onde tombar. in O amor, meu amor
Mia Couto (Idades Cidades Divindades)
A tua tirania me tirou de ti e meu amor me amordaçou; o amor amortece todas as outras tiranias, a tirania atira contra todos os outros amores.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Meu amor por ti me anestesia com sinestesia.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
― Não sei o que fazer por você, meu amor. Mas saiba que tenho tentado de tudo.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Meu amor por você nunca começou nem terminará; meu amor por você sou eu, meu amor por você é você.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Carrego nos braços, nas costas o meu amor por ti.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Junto dela nunca tive nem uma hora de felicidade, mas, mesmo assim, meu espírito, durante as vinte e quatro horas do dia, ainda desejava a felicidade de tê-la junto de mim até a morte.
Charles Dickens (Great Expectations)
Um amor fabricado pela minha infância, da ingenuidade à inocência, ainda reside em meu coração qual micronutriente em quantidade adequada fluindo pela corrente sanguínea a cumprir função orgânica.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Tomei a amizade como uma versão adulta e vacinada do amor, o que significa que transferi para a casa dela a artilharia pesada do meu batalhão de afectos. Substituí o Príncipe Encantado pelo Amigo Maravilhoso que eras tu.
Inês Pedrosa (Fazes-me Falta)
Esse amor sem fim, onde andará? Que eu busco tanto e nunca está E não me sai do pensamento Sempre, sempre longe Esse amor tão lindo que se esconde Nos confins do não sei onde Vive em mim além do tempo Longe, longe, onde? Por que não me surges nessa hora Como um sol Como o sol no mar Quando vem a aurora Esse amor que o amor me prometeu E que até hoje não me deu Por que não está ao lado meu? Esse amor sem fim, onde andará? Esse amor, meu amor, Onde andará?
Vinicius de Moraes
Existem várias maneiras de destruir um assunto, de deteriorar a realidade até não sobrar coisa nenhuma. Passa-se com as palavras o mesmo que com as coisas: quantas mais vezes as proferimos menos substância têm, as palavras e as coisas, porque as palavras podem tirar ou roubar às coisas o seu sentido. [...] Imagina agora o que acontece quando as palavras se reportam somente a si próprias. As palavras Deus ou Amor, por exemplo. Imagina o género de esvaziamento que acontece quando as usamos de maneira desenfreada e as pronunciamos milhares ou milhões de vezes todos os dias. 'Amo-te'. 'Amo-te'. 'Amo-te'. 'Meu Deus'. 'Meu Deus'. 'Meu Deus'. Palavras que não têm qualquer referente no mundo que lhes devolva o sentido. Palavras que são somente isso: a junção aleatória de vogais e consoantes; e, contudo, palavras que movem montanhas.
João Tordo (Anatomia dos Mártires)
Havia achado, sempre, que morrer de amor não era outra coisa além de licença poética. Naquela tarde, de regresso para casa, outra vez, sem o gato e sem ela, comprovei que não apenas era possível, mas que eu mesmo, velho e sem ninguém, estava morrendo de amor. E também percebi que era válida a verdade contrária: não trocaria por nada neste mundo as delícias de meu desassossego.
Gabriel García Márquez (Memories of My Melancholy Whores)
Acabaram-de de arder, meu amor, na lareira da nossa vida, as achas dos nossos sonhos... Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque cansa, da vida, porque farta e não sacia, e até da morte, porque traz mais do que se quer e menos do que se espera.
Fernando Pessoa (Livro do Desassossego I (Livro do Desassossego, #1))
Não posso falar da nossa história de amor, portanto vou falar de matemática. Não sou matemática, mas uma coisa eu sei: Entre 0 e 1 existem números infinitos. Existe o 0,1 e o 0,12 e o 0,112 e uma série infinita de outros. Claro está que existe um maior conjunto infinito de números entre 0 e 2, ou entre 0 e um milhão. Algumas infinidades são maiores do que outras. Quem nos ensinou isto foi um escritor, de quem gostávamos. Há dias, muitos dias, em que sinto um rancor do tamanho do meu conjunto iluminado. Quero mais números do que é provável que tenha e, oh Deus, quero mais números para o Augustus Waters do que os que ele tem. Mas Gus, meu amor, não te consigo dizer como estou grata pela nossa pequena infinidade. Não a trocaria por nada deste mundo. No meio dos dias numerados, tu deste-me um para sempre, e eu estou grata
John Green (The Fault in Our Stars)
Dons do Amante Sobre a tua cabeleira hei-de pôr, para as núpcias, uma coroa de borboletas com suas asas pintadas. Terás de volta ao pescoço flores de abóbora, em prata, e a lua que para ti noites e noites forjei. Andarás pelo povo sobre um cavalo em turquesa. Um cavalo ardente e leve, animado pelo meu fogo de amor. E a teus pés eu lançarei uma pedra quente quente: o coração onde correm milhões de gotas de sangue.
Herberto Helder (O Bebedor Nocturno)
Mas de nenhum destes modos te sei amar,tão fraco ou inábil é o meu coração,de modo que,por o meu amor não ser perfeito,tenho de me contentar com que seja eterno.Tu sorris tristemente desta eternidade.Ainda ontem me perguntavas: ''No calendário do seu coração,quantos dias dura a Eternidade?
Eça de Queirós (A Correspondência de Fradique Mendes: Memórias e Notas)
Podias ter-me dito que ias sair da minha vida. A paixão é mesmo isto, nunca sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio da distância. Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo certo. Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir. Demorei muito tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar batalhas. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem. Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina. Sei que também aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar. Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto dormias.
Margarida Rebelo Pinto
Ali, onde o mar quebra, num cachão Rugidor e monótono, e os ventos erguem pelo areal os seus lamentos, Ali se há-de enterrar meu coração. Queimem-no os sóis da adusta solidão Na fornalha do Estio, em dias lentos; Depois, no Inverno, os sopros violentos Lhe revolvam em torno o árido chão… Até que se desfaça e, já tornado Em impalpável pó, seja levado Nos turbilhões que o vento levanter… Com suas lutas, seu cans ado anseio, Seu louco amor, dissolva-se no seio Desse infecundity, desse amargo mar!
Antero de Quental
Há pessoas com quem as palavras são desnecessárias. Nos entendíamos e amávamos mudamente, meu pai e eu. Talvez pelo fato de sua figura emocionar-me tanto, evitei sempre pisar com ele o terreno das coisas emocionais, pois estou certo de que, se começássemos a falar, cairíamos os dois em pranto, tão grandes eram em nós os motivos para chorar.
Vinicius de Moraes (Para Viver Um Grande Amor: Crônicas E Poemas)
Quando eu escrevo eu busco você à espera do meu contorno, à procura do meu preenchimento; tudo o quanto eu tento.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Mas mesmo assim escrevo cartas de amor, grito pedidos de socorro, envio para o espaço sideral meu desespero humano na esperança de chegar aos ouvidos e mãos de quem me entenda.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Eu acreditava no amor, o amor partiu meu coração inocente, aqueles que mais amamos são os que mais nos machucam, um coração partido não pode ser curado
Sami Abouzid
Este é Edward Grayson, o meu chefe, e eu estava quase desfalecendo por causa dele. Sinto o sangue fugir do meu rosto. Merda! Essas coisas só acontecem comigo.
Luna Brandon (Eu Te Dou Meu Amor (Entregue a Você #1))
Chefe e casado. Combinação perfeita para problemas.
Luna Brandon (Eu Te Dou Meu Amor (Entregue a Você #1))
A feiura é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual.
Clarice Lispector (Água Viva)
tu e todo o mundo têm noção de que há ou deverá haver uma existência para além de nós. Qual seria o sentido de eu ter sido criada, se estivesse contida apenas em mim mesma? Os grandes desgostos que tive foram os desgostos de Heathcliff, e eu senti cada um deles desde o início: o que me faz viver é ele. Se tudo o mais acabasse, e ele permanecesse, eu continuaria a existir; e, se tudo o mais permanecesse e ele fosse aniquilado, o universo transformar-se-ia um imenso desconhecido. O meu amor por Linton é como a folhagem das florestas. O tempo transformá-lo-á, tenho a certeza, da mesma forma que o Inverno transforma o arvoredo. O meu amor por Heathcliff lembra as rochas eternas: proporciona uma alegria pouco visível, mas é necessário. Nelly, eu sou Heathcliff!"
Emily Brontë (Wuthering Heights)
A verdade é algumas vezes o escolho de um romance. Na vida real recebemo-la como ela sai dos encontrados casos ou da lógica implacável das coisas; mas, na novela, custa-nos a sofrer que o autor, se inventa, não invente melhor; e, se copia, não minta por amor da arte. Um romance que estriba na verdade o seu merecimento é frio, é impertinente, é uma coisa que não sacode os nervos, nem tira a gente, sequer uma temporada, enquanto ele nos lembra, deste jogo de nora, cujos alcatruzes somos, uns a subir, outros a descer, movidos pela manivela do egoísmo. A verdade! Se ela é feia, para que oferecê-la em painéis ao público!? A verdade do coração humano! Se o coração humano tem filamentos de ferro que o prendem ao barro donde saiu, ou pesam nele e o submergem no charco da culpa primitiva, para que é emergi-lo, retratá-lo e pô-lo à venda!? Os reparos são de quem tem o juízo no seu lugar; mas, pois que eu perdi o meu a estudar a verdade, já agora a desforra que tenho é pintá-la como ela é, feia e repugnante. A desgraça afervora ou quebranta o amor? Isto é que eu submeto à decisão do leitor inteligente. Fatos e não teses é o que eu trago para aqui. O pintor retrata uns olhos, e não explica as funções ópticas do aparelho visual.
Camilo Castelo Branco (Amor de Perdição)
Estou decidida a adorar-te durante toda a vida e a não ter olhos para mais ninguém. E asseguro-te que também tu farás bem em não amar mais ninguém. Poderias, acaso, contentar-te com uma paixão menos ardente do que a minha? Encontrarás, talvez, maior beleza (e, no entanto, disseste-e outrora que não me faltava beleza), mas não encontrarás jamais amor tamanho - e o resto não conta. [...] Conjuro-te a que me digas por que é que te empenhaste em me encantar como fizeste, se já sabias que me havias de abandonar? Por que é que puseste tanto empenho em me tornar infeliz? Por que não me deixaste em paz no meu convento? Tinha-te feito algum mal? [...] Atribuo toda esta desgraça à cegueira com que me abandonei a dedicar-me a ti. Pois não devia eu prever que os meus prazeres acabariam antes que acabasse o meu amor? Podia eu esperar que ficasses para sempre em Portugal e que renunciasses à tua fortuna e à tua pátria para só pensares em mim? [...] Bem claramente vejo qual seria o remédio para todos os meus males e em breve me libertaria deles se deixasse de te amar. Mas ai de mim!, que terrível remédio! Não! Antes quero sofrer ainda mais do que esquecer-te... Infeliz que sou! Dependerá isso de mim? Não posso acusar-me de ter desejado, nem que fosse só por um momento, deixar de te amar! [...] Não é para te obrigar a escreveres-me que digo todas estas coisas. Oh!, não te violentes! De ti não quero nada senão o que espontaneamente vier e recuso todos os testemunhos de amor que constrangido me desses. Comprazer-me-ia em desculpar-te, só porque talvez tu te sintas bem em não ter o incômodo de me escrever, e sinto uma profunda disposição para te perdoar todas as faltas que cometeres.
Mariana Alcoforado (The letters of a Portuguese nun (Marianna Alcoforado))
Então... -Tomado pelo desespero, ele tocou meu queixo para que eu olhasse em seus olhos, para que eu vislumbrasse a gloriosa explosão dentro deles-...como você pode acreditar que nós vamos conseguir fugir um do outro, Mel?
Carina Rissi (Amor Sob Encomenda)
Não posso adiar o amor para outro século não posso ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda sob montanhas cinzentas e montanhas cinzentas Não posso adiar este abraço que é uma arma de dois gumes amor e ódio Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa (Antologia Poética)
Da secretária de Reed Eastwood Para o meu verdadeiro amor e alma gémea, Charlotte. Não preciso da ajuda de um poeta para expressar o meu amor por ti. Mas tentar reduzir o meu amor a um conunto de frases nunca poderia fazer justiça aos meus sentimentos. Nem nos meus melhores sonhos eu conseguiria imaginar o nível de amor que sinto hoje no coração. Tu vais além dos meus melhores sonhos. O meu amor por ti é infinito. Tu...és...tudo. O teu amor, Reed
Penelope Ward (Hate Notes)
Eu vivia à base de fotossíntese: arrancava o néctar dos teus lábios aos beijos e captava o brilho atencioso do teu olhar para em meu coração adivinhar um morno amor de um empuxo que me mantinha suspenso sobre o próprio cataclisma.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Por favor, não me analise. Não fique procurando cada ponto fraco meu. Se ninguém resiste a uma análise profunda, quanto mais eu... Ciumento, exigente, inseguro, carente todo cheio de marcas que a vida deixou. Vejo em cada grito de exigência um pedido de carência, um pedido de amor.Amor é síntese é uma integração de dados. Não há que tirar nem pôr. Não me corte em fatias, ninguém consegue abraçar um pedaço. Me envolva todo em seus braços e eu serei o perfeito amor.
Mário Quintana
Entre a palavra e o pensamento existe o meu ser. Meu pensamento é puro ar impalpável, insaisissable. Minha palavra é de terra. Meu coração é vida. Minha energia eletrônica é mágica de origem divina. Meu símbolo é o amor. Meu ódio é energia atômica.
Clarice Lispector (Un souffle de vie)
Não me digas que não tu não podes dizer-me que não porque é tanto o alívio de amar de novo e deitar na cama e ser abraçado e tocado e beijado e teu coração saltará quando ouvires a minha voz e vires o meu sorriso e sentires a minha respiração no teu pescoço e teu coração vai disparar quando eu te quiser ver e eu irei mentir-te desde o primeiro momento e irei usar-te e irei penetrar-te e partirei o teu coração porque tu partiste o meu primeiro e tu me amarás mais a cada dia até que o peso desse amor seja insuportável e a tua vida seja minha e tu morrerás sozinha porque eu levarei o que eu quero e irei embora sem te deixar nada está sempre lá sempre esteve e não podes negar a vida que tu achas que é foda foda-se a vida foda-se a vida foda-se a vida agora que eu te perdi
Sarah Kane (Crave)
Tu eras também uma pequena folha que tremia no meu peito. O vento da vida pôs-te ali. A princípio não te vi: não soube que ias comigo, até que as tuas raízes atravessaram o meu peito, se uniram aos fios do meu sangue, falaram pela minha boca, floresceram comigo.
Pablo Neruda
Meu instinto inicial foi odiá-lo. Queria furar seus olhos, fazê-lo desaparecer da face do planeta. Sei lá por quê. O ódio não tem razão nem propósito. O amor tem propósito, mas o ódio não. O amor serve para a perpetuação da espécie humana, protege da esterilidade e das solidões mais fatais. O ódio é maior, tem mais tentáculos e fala com mais bocas do que o amor. O amor é uma função fisiológica, o ódio é uma fome sublime e furiosa. É o motivo pelo qual somos a espécie dominante do planeta. O ódio é a perpetração da espécie.
Victor Heringer (O Amor dos Homens Avulsos)
Na margem do rio Piedra... Eu me sentei e chorei. Conta a lenda que tudo que cai nas águas deste rio - as folhas, os insetos, as penas das aves - se transforma nas pedras do seu leito. Ah, quem dera eu pudesse arrancar o coração do meu peito e atira-lo na correnteza, e então não haveria mais dor, nem saudade, nem lembranças. Ás margens do rio Piedra eu me sentei e chorei. O frio do inverno fez com que eu sentisse as lágrimas em meu rosto, e elas se misturaram com as aguas geladas que correm diante de mim. Em algum lugar este rio se junta com outro, depois com outro, até que - distante dos meus olhos e do meu coração - todas estas águas se misturam com o mar. Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe, para que meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele. Que minhas lágrimas corram para bem longe, e então eu esquecerei do rio Piedra, do mosteiro, da igreja nos Pirineus, da bruma, dos caminhos que percorremos juntos. Eu esquecerei as estradas, as montanhas, e os campos de meus sonhos - sonhos que eram meus, e que eu não conhecia.
Paulo Coelho (A Orillas Del Rio Piedra Me Senté Y Lloré)
O amor é isso mesmo meu caro Kafka. Tu é que andas sempre nas nuvens e experimentas todos esses sentimentos maravilhosos, do mesmo modo que só tu é que desces ao abismo mais profundo da angústia. E o teu corpo e a tua alma têm de suportar. Estás entregue a ti próprio.
Haruki Murakami (Kafka on the Shore)
Dizer não basta. Não é suficiente, não tem valor algum. O próprio Igor deixou claro. Palavras desaparecem, as ações, os gestos é que realmente contam. Você também acredita nisso, e me disse isso uma vez, lembra? Que era preciso mais que um amontoado de palavras para te convencer. Então eu te disse de outro jeito. Não se deu conta de todas as vezes em que me declarei pra você? Eu não disse que te amava quando encontrei você chorando naquelas escadas e te emprestei meu ombro? Ou quando seu irmão estava mal no hospital e fiquei ali do seu lado? Não disse que te amava quando levei você pra voar ou quando ficamos no meio daquele lago? Tem certeza que eu não disse que te amava todas as vezes em que rimos juntos, em que impliquei com você, todas as vezes em que fizemos amor? Tem certeza que eu nunca disse, Luna?
Carina Rissi (No Mundo da Luna)
Os pensamentos que zoam no meu crânio são locatários de uma noite, meia dúzia de pares sem casa num ninho de amor passageiro, o fragor do guindaste da draga virá igualizar tudo, os momentos de deliciosa angústia do meu coração são roubados à sociedade de armadores que me emprega
Stig Dagerman (Island of the Doomed)
É preciso amar o seu coração, Lisa, assim como a pessoa que você é. Somente depois disso você será capaz de entregá-lo a alguém. O amor, assim como todas as coisas mais importantes desse mundo, requer cuidado. Jamais entregue a sua felicidade nas mãos de alguém que não saberá aproveitá-la. A resposta está onde os olhos recusam a ver, mas você – Disse Lucien, tocando a mão de Lisa. –, somente você, saberá onde encontrá-la. – Explicou. – Em meu reino, na maioria das vezes ela está na lua ou no sol, na magia que reverbera pelo nosso corpo. No seu reino, acredito eu, ela está nas estrelas.
Leo Oliveira (Todos nós vemos estrelas)
Mas, assim, pensas que isto tudo é uma confusão, circo meu das palhaçadas, cabeçadas na lógica? Ainda vais rir, mas prepara também o teu coração pra chorar, a vida é mesmo esse laço apertado, tem dias que lhe conhecemos os segredos – lhe desapertamos, outros dias lutamos só, nossas derrotas e lágrimas, e ficamos a olhar: o pescador se irrita com os nós da rede? Isto tudo que eu te falo, não é efeito do álcool, não é com três nem sete que me vais derrubar; isto tudo que eu falo é assim mesmo, a mancha da confusão, labirinto, e há que descobrir as coisas no devagar das coisas: o amor não acende um fósforo sozinho.
Ondjaki (Quantas Madrugadas Tem a Noite)
Ele mostrou a língua e saí da frente da tevê antes que ele tivesse um colapso nervoso. Pelo menos mostrar a língua significava que ele tinha ouvido - sim, o Apollo tinha um jeito peculiar de se comunicar comigo... Jeito que no meu mundo, significava hostilidade. Já no panteão perfeito da minha mãe, era amor. Aham.
Juliana Giacobelli (Tocada (Série Tocada, #1))
În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am înțeles că în toate împrejurările, mă aflam la locul potrivit, în momentul potrivit. Și atunci, am putut să mă liniștesc. Astăzi, știu că aceasta se numește – Respect pentru mine În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am realizat că neliniștea și suferința mea emoțională, nu erau nimic altceva decât semnalul că merg împotriva convingerilor mele. Astăzi, știu că aceasta se numește … Autenticitate. În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am încetat să doresc o viață diferită și am început să înțeleg că tot ceea ce mi se întâmplă, contribuie la dezvoltarea mea personală. Astăzi, știu că aceasta se numeste … Maturitate. În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am început să realizez că este o greșeală să forțez o situație sau o persoană, cu singurul scop de a obține ceea ce doresc, știind foarte bine că nici acea persoană, nici eu însumi nu suntem pregătiți și că nu este momentul … Astăzi, știu că aceasta se numește … Respect. În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am început să mă eliberez de tot ceea ce nu era benefic … persoane, situații, tot ceea ce îmi consumă energia. La început, rațiunea mea numea asta egoism. Astăzi, știu că aceasta se numește … Amor propriu. În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am încetat să-mi mai fie teamă de timpul liber și am renunțat să mai fac planuri mari, am abandonat Mega-proiectele de viitor. Astăzi fac ceea ce este corect, ceea ce îmi place, când îmi place și în ritmul meu. Astăzi, știu că aceasta se numește … Simplitate. În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am încetat să mai caut să am întotdeauna dreptate şi mi-am dat seama de cât de multe ori m-am înșelat. Astăzi, am descoperit … Modestia. În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am încetat să retrăiesc trecutul şi să mă preocup de viitor. Astăzi, trăiesc prezentul, acolo unde se petrece întreaga viață. Astăzi trăiesc clipa fiecărei zile. Și aceasta se numeste … Plenitudine. În ziua în care m-am iubit cu adevărat, am înteles că rațiunea mă poate înşela şi dezamăgi. Dar dacă o pun în slujba inimii mele, ea devine un aliat foarte prețios. Si toate acestea înseamnă … să ştii să trăiești cu adevărat.” Traducere MIHAELA RADULESCU SCHWARTZENBERG.
Charlie Chaplin
La ciutat era de paper, però els records, no. Tot el que havia fet jo aquí, tot l'amor i pena i compassió i violència i rancor continuaven brollant dins meu. Aquestes parets de formigó emblanquinat. Les meves parets blanques. Les parets blanques de la Margo. Hi havíem estat captius durant molt de temps, atrapats al seu estómac com Jonàs.
John Green (Paper Towns)
mas o amor, essa palavra... Moralista Horacio, temeroso de paixões sem uma razão de águas fundas, desconcertado e arisco na cidade onde o amor se chama com todos os nomes de todas as ruas, de todas as casas, de todos os andares, de todos os quartos, de todas as camas, de todos os sonhos, de todos os esquecimentos ou recordações. amor meu, não te amo por ti nem por mim nem pelos dois juntos, não te amo porque meu sangue me faça te amar, amo te porque tu não és minha, porque tu estás do outro lado, desse lado pra onde me convidas a saltar e não posso dar o salto, porque no mais profundo de tudo tu não estás em mim, e não te alcanço, não consigo passar pra lá do teu corpo, do teu riso, há horas em que me atormento por saber que tu me amas (...) , atormento me com o teu amor que não me serve de ponte, pois uma ponte não se apoia de um só lado, Wright ou Le Corbusier jamais farão uma ponte apoiada de um só lado e não me olhes com esses olhos de pássaro, pra ti a operação do amor é muito fácil, tu ficarás curada antes de mim, e a verdade é que não amo aquilo que amas em mim.
Julio Cortázar
Desço aos infernos, a descer em mim. Mas agora o meu canto não perfura O coração da morte, À procura Da sombra Dum amor perdido. Agora É o repetido Aceno Do próprio abismo Que me seduz. É ele, embriaguez nocturna da vontade, Que me obriga a sair da claridade E a caminhar sem luz. Ergo a voz e mergulho Dentro do poço, Neste moço heroísmo Dos poetas, Que enfrentas confiantes O interdito Guardado por gigantes, Cães vigilantes Aos portões do mito. E entro finalmente No reino tenebroso Das minhas trvas. Quebra-se a lira, Cessa a melodia; E um medo triste, de vergonha e assombro, Gela-me o sangue, rio sem nascente, Onde o céu, lá no alto, se reflecte, Inútil como a paz que me promete.
Miguel Torga (Orfeu Rebelde)
Soneto 138 de Shakespeare Tradução livre por Rodrigo Suzuki Cintra Quando meu amor jura que é feita de verdade, Eu acredito nela, apesar de saber que é mentira, Ela deve pensar que sou qualquer moço sem idade Que não conhece de fato como o mundo gira. Assim, inutilmente acreditando que ela me acha jovem, Apesar de saber que meus melhores dias já não voltam mais, Simplesmente eu acredito em suas palavras que me comovem, Na medida em que a verdade não nos satisfaz. Mas por que ela não admite ser desonesta? E por que não admito ser um homem idoso? O melhor do amor é ser hábito que ninguém protesta, Pois mentir no amor é sempre mais gostoso: Nos deitamos em nossas mentiras, eu com ela e ela comigo E na mentira do amor nós encontramos abrigo.
William Shakespeare
A cumplicidade que tínhamos fazia com que um universo só nosso fosse criado quando estávamos juntas, e ninguém mais tinha acesso a ele. Como acontece com as melhores histórias de amor, demos vida a um lugar que só nós duas conhecíamos: era um mundo inteiro apenas meu e dela, dentro do qual existíamos e nos amávamos. Ao lado de Tereza, a noção de que o amor era o mais forte elemento
Milly Lacombe (O Ano em que Morri em Nova York)
Depois da ventura de ter encontrado você, senti que tudo ficou diferente em minha vida. Deus colocou em minha vida uma pessoa maravilhosa, você veio para acabar com a indisfarçável carência que me acompanhava até então. A partir desse dia eu realmente me transformei numa pessoa alegre e feliz que não sente mais nenhum complexo... te quero e junto de você me sinto completamente realizada. Te amo tanto e esse amor faz de mim uma mulher que agora esta conhecendo a verdadeira felicidade. Você sim foi o responsável por toda essa transformação e não canso de dizer que você é uma pessoa linda, que corresponde satisfatoriamente ao meu amor. Agora que eu sinto toda a alegria que a sua presença traz a minha vida, espero poder estar com você para celebrar consigo a existência do nosso amor, e toda felicidade que você me proporciona.
Desconhecido
Eu espero alguém que não desista de mim mesmo quando já não tem interesse. Espero alguém que não me torture com promessas de envelhecer comigo, mas sim que realmente envelheça comigo. Espero alguém que se orgulhe do que escrevo, que me faça ser mais amigo dos meus amigos e mais irmão do meu irmão. Espero alguém que não tenha medo do escândalo, mas tenha medo da indiferença. Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim. Espero alguém que se arrependa rápido de suas grosserias e me perdoe sem querer. Espero alguém que me avise que estou repetindo a roupa na semana. Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais o que falar. Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos. Espero alguém que goste de dirigir para nos revezarmos em longas viagens. Espero alguém disposto a conferir se a porta está fechada e o fogão desligado, se meu rosto está aborrecido ou esperançoso. Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que possa criar toda uma linguagem cifrada para que ninguém nos recrimine. Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado depois de uma corrida como se ainda fosse perfume. Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito. Espero alguém que minta que cozinha e só diga a verdade depois que comi. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero alguém que ame meus filhos como se estivesse reencontrando minha infância e adolescência fora de mim. Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente. Espero alguém que tenha uma risada tão bonita que terei sempre vontade de ser engraçado. Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse. Espero alguém que prepare minha festa de aniversário em segredo e crie conspiração dos amigos para me ajudar. Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas. Espero alguém que me ensine a me amar porque a separação apenas vem me ensinando a me destruir. Espero alguém que tenha pressa de mim, eternidade de mim, que chegue logo, que apareça hoje, que largue o casaco no sofá e não seja educada a ponto de estendê-lo no cabide. Espero encontrar uma mulher que me torne novamente necessário.
Fabrício Carpinejar
Lembro-me de estar destroçada, de te ter arrancado de dentro de mim a ferros e, ainda assim, um braço teu ficou para trás. Lembro-me de abrir o meu diário em papel, furiosa porque tinha jurado que não escreveria nem mais uma linha a teu propósito, e escrever «durante o dia, bano-te do meu pensamento, mas todas as noites, é a teu lado que me deito, e nos teus braços que adormeço, e é a minha mão que agarro, fingindo que é a tua». (… ) Mas não é de ontem, quando abro a cama, peço-te que te chegues para lá. Deito-me e imagino que estás lá, cansado, extenuado de um dia de trabalho, quase sinto a tua respiração na minha nuca. Imagino que me dizes tudo aquilo que eu queria ouvir, mas não me alongo nisso, é mais íntimo ainda, o que queres ouvir de alguém é mais do que o que esperas dessa pessoa: é o segredo de quem és, de como és e do que queres da vida, na sua voz (…) Encho o peito de ar, subo, subo, subo, amo-te amo-te amo-te, sei-o tão bem, sei até que é para sempre, embora faça figas para que não seja (…) Não posso não posso não posso imaginar que o ar me vai fugir outra vez, que a qualquer momento os meios de informação vão trazer até mim aquele género de notícia que quase me mata - foram ao cinema, saíram juntos, comeram-se, foderam-se, falaram-se - eu disse quase, porque não matou. É verdade que foram muitas lágrimas, muitas reformulações de planos de vida e castelos de cartas a vir por aí abaixo, o jogo virou, e eu perdi. Uma vez mais, e os escritos pararam: o meu diário ficou a branco, o espaço virtual onde nos escrevia acabou com uma nota lúgubre na qual anunciei a minha morte. Estive de luto por mim mesma, estive sim. Doía-me o peito como me dói agora, ao recordar, a falta de ar, o choro compulsivo, os pensamentos sombrios, desesperados, como se nunca mais o sol nascesse no oriente e eu nunca mais o provasse, o sentisse nas costas, como se o mundo tivesse acabado ali, pelo menos o meu tinha, o assombro, os sentimentos, todos baralhados, como se me devesses alguma coisa quando não devias, como se me tivesses dado motivos para te amar tanto quando não me deste, como se quisesses o meu amor e depois o tivesses rejeitado, quando nunca o quiseste. E eu fechei as portas do meu recinto, pus panos negros nas janelas, anunciei que não estava. As pessoas bateram-me à porta, esconderam-me verdades que teriam acabado comigo naquele momento, compraram-me chocolates, secaram-me lágrimas com rosas. morri ali, é a verdade. (…) Mas a fé, a minha maldita fé de quem não acredita em deus e canalizou toda a sua crença nas causas impossíveis, deu-me ar, e mais ar, e subi a montanha, talvez nunca a tivesse subido tanto, julguei que via tudo lá de cima, tudo: falavam em auras, ao nosso redor, falavam na nossa perfeição, enquanto dupla, diziam que «não podia ser de outra forma», que «não se pode estar assim tão enganado», que me amas, imagina só a dimensão da loucura geral, que me amas mas que não tens espaço para mim, e eu, com o peito de cheio de ar, cheguei ao topo e comecei a voar (…) Já sonhaste alguma vez que caías? Eu já, é uma dor na boca do estômago, como se tudo te fugisse, como se o teu corpo se desmantelasse, como se o mundo inteiro implodisse para dentro de ti e soubesses que ias rebentar, ao mínimo toque de um objecto, de um elemento que não o ar, vais rebentar. Estou à espera que venham as abelhas, as orquídeas, os pés descalços na terra húmida, um livro, uns óculos, um copo vazio na mesa-de-cabeceira, e me faça explodir. Entretanto (…) vou imaginar que não estou a cair, que tal? Ao invés (…) vou deitar-me na minha caminha quentinha e imaginar que as tuas pernas se entrelaçam nas minhas e me aquecem os pés gelados e a tua voz, sonolenta, diz: “boa noite, dorme bem”, para eu poder responder-te também – “dorme bem, meu amor”.»
Célia Correia Loureiro
Até agora eu não me conhecia, julgava que era Eu e eu não era Aquela que em meus versos descrevera Tão clara como a fonte e como o dia. Mas que eu não era Eu não o sabia mesmo que o soubesse, o não dissera... Olhos fitos em rútila quimera Andava atrás de mim... e não me via! Andava a procurar-me - pobre louca!- E achei o meu olhar no teu olhar, E a minha boca sobre a tua boca! E esta ânsia de viver, que nada acalma, E a chama da tua alma a esbrasear As apagadas cinzas da minha alma!
Florbela Espanca (Charneca em Flor)
A morte dos outros anula uma parte das nossas liberdades, de não haver eco do amor que lhes temos, da impossibilidade de aço que se nos coloca de chegar até eles. Ninguém colmata a falta que o meu pai me faz, como ninguém preencherá o vazio de alguém que já não pisa o mesmo chão que nós. A crença é uma boa forma de lidar com a morte, mas a falta de garantias de que a vida depois da morte é como preconizam traz sempre um lastro de dor. De saudade. E da memória do que de mais belo a vida teve.
Daniel Oliveira
- Sim, é talvez tudo uma ilusão... E a Cidade a maior ilusão! Tão facilmente vitorioso redobrei de facúndia. Certamente, meu Príncipe, uma ilusão! E a mais amarga, porque o Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria. (...) Na Cidade perdeu ele a força e beleza harmoniosa do corpo, e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto, de ossos moles como trapos, de nervos trémulos como arames, com cangalhas, com chinós, com dentaduras de chumbo, sem sangue, sem febra, sem viço, torto, corcunda - esse ser em que Deus, espantado, mal pode reconhecer o seu esbelto e rijo e nobre Adão! Na Cidade findou a sua liberdade moral: cada manhã ela lhe impõe uma necessidade, e cada necessidade o arremessa para uma dependência: pobre e subalterno, a sua vida é um constante solicitar, adular, vergar, rastejar, aturar; e rico e superior como um Jacinto, a Sociedade logo o enreda em tradições, preceitos, etiquetas, cerimónias, praxes, ritos, serviços mais disciplinares que os de um cárcere ou de um quartel... A sua tranquilidade (bem tão alto que Deus com ela recompensa os santos ) onde está, meu Jacinto? Sumida para sempre, nessa batalha desesperada pelo pão, ou pela fama, ou pelo poder, ou pelo gozo, ou pela fugidia rodela de ouro! Alegria como a haverá na Cidade para esses milhões de seres que tumultuam na arquejante ocupação de desejar - e que, nunca fartando o desejo, incessantemente padecem de desilusão, desesperança ou derrota? Os sentimentos mais genuinamente humanos logo na Cidade se desumanizam! Vê, meu Jacinto! São como luzes que o áspero vento do viver social não deixa arder com serenidade e limpidez; e aqui abala e faz tremer; e além brutamente apaga; e adiante obriga a flamejar com desnaturada violência. As amizades nunca passam de alianças que o interesse, na hora inquieta da defesa ou na hora sôfrega do assalto, ata apressadamente com um cordel apressado, e que estalam ao menor embate da rivalidade ou do orgulho. E o Amor, na Cidade, meu gentil Jacinto? Considera esses vastos armazéns com espelhos, onde a nobre carne de Eva se vende, tarifada ao arratel, como a de vaca! Contempla esse velho Deus do Himeneu, que circula trazendo em vez do ondeante facho da Paixão a apertada carteira do Dote! Espreita essa turba que foge dos largos caminhos assoalhados em que os Faunos amam as Ninfas na boa lei natural, e busca tristemente os recantos lôbregos de Sodoma ou de Lesbos!... Mas o que a cidade mais deteriora no homem é a Inteligência, porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância. Nesta densa e pairante camada de Idéias e Fórmulas que constitui a atmosfera mental das Cidades, o homem que a respira, nela envolto, só pensa todos os pensamentos já pensados, só exprime todas as expressões já exprimidas: - ou então, para se destacar na pardacenta e chata rotina e trepar ao frágil andaime da gloríola, inventa num gemente esforço, inchando o crânio, uma novidade disforme que espante e que detenha a multidão como um monstrengo numa feira. Todos, intelectualmente, são carneiros, trilhando o mesmo trilho, balando o mesmo balido, com o focinho pendido para a poeira onde pisam, em fila, as pegadas pisadas; - e alguns são macacos, saltando no topo de mastros vistosos, com esgares e cabriolas. Assim, meu Jacinto, na Cidade, nesta criação tão antinatural onde o solo é de pau e feltro e alcatrão, e o carvão tapa o céu, e a gente vive acamada nos prédios como o paninho nas lojas, e a claridade vem pelos canos, e as mentiras se murmuram através de arames - o homem aparece como uma criatura anti-humana, sem beleza, sem força, sem liberdade, sem riso, sem sentimento, e trazendo em si um espírito que é passivo como um escravo ou impudente como um Histrião... E aqui tem o belo Jacinto o que é a bela Cidade! (...) -Sim, com efeito, a Cidade... É talvez uma ilusão perversa!
Eça de Queirós (A Cidade e as Serras)
O amor era cheio de janelas abertas, correntes de ar, milhões de bactérias , fontes de medos, milhões de deimos, o amor podia destruir as paredes que erigíamos com tanto esmero, o amor podia até abraçar o estrangeiro, a distância, podia destruir toda a ética, deixar-nos à mercê do insólito, do inesperado, do horror da surpresa. A minha noção de amor, na juventude, era uma noção de propriedade. Se era algo que podia fazer parte da casa e da sua perpetuação, muito bem, poderia ser considerado. De outro modo, era uma fera, uma ferida, uma doença, tal como o meu pai me ensinara: o amor constrói-se, por isso a escolha deve ser racional e não passional, escolhemos uma pessoa adequada e depois vamos criando um edifício amoroso. O amor que nasce do ímpeto sentimental ou carnal é perigoso. É um ladrão de sobriedade e de objectividade. Barbarifica-nos. Temos de olhar para ele como quem olha para a porta e vê o que está do lado de fora. A passos, devagar e ponderadamente, vai arriscando, conquistando território selvagem e domesticando-o. A exaltação é para as galinhas. Os seres humanos decidem com ponderação, é tão simples quanto isso, não cacarejam nervosos.
Afonso Cruz (Princípio de Karenina)
Talvez pudesse ouvir passos junto à porta do quarto, passos leves que estacariam enquanto a minha vida, toda ela, ficaria suspensa. Eu estaria então vagamente alimentado pela violência de uma esperança, preso à obscura respiração da pessoa parada. Os comboios passariam sempre. Eu estaria a pensar nas palavras do amor, naquilo que se pode dizer quando a estrema solidão nos dá um talento inconcebível. O meu talento seria o máximo talento de um homem e deveria reter, apenas pela sua força silenciosa, essa pessoa defronte da porta, a poucos metros, à distância de um simples movimento caloroso. Mas nesse instante ser-me-ia revelada a essencial crueldade do espírito.
Herberto Helder
... Eu me desnudo emocionalmente quando confesso minha carência – que estarei perdido sem você, que não sou necessariamente a pessoa independente que tentei aparentar. Na verdade, não passo de um fraco, cuja noção dos rumos ou do significado da vida é muito restrita. Quando choro e lhe conto coisas que, confio, serão mantidas em segredo, coisas que me levarão à destruição, caso terceiros tomem conhecimento delas, quando vou a festas e não me entrego ao jogo da sedução porque reconheço que só você me interessa, estou me privando de uma ilusão há muito acalentada de invulnerabilidade. Me torno indefeso e confiante como a pessoa no truque circense, presa a uma prancha sobre a qual um atirador de facas exercita sua perícia e as lâminas que eu mesmo forneci passam a poucos centímetros da minha pele. Eu permito que você assista a minha humilhação, insegurança e tropeços. Exponho minha falta de amor-próprio, me tornando, dessa forma, incapaz de convencer você (seria realmente necessário?) a mudar de atitude. Sou fraco quando exibo meu rosto apavorado na madrugada, ansioso ante a existência, esquecido das filosofias otimistas e entusiasmadas que recitei durante o jantar. Aprendi a aceitar o enorme risco de que, embora eu não seja uma pessoa atraente e confiante, embora você tenha a seu dispor um catálogo vasto de meus medos e fobias, você pode, mesmo assim, me amar...
Alain de Botton (The Romantic Movement: Sex, Shopping, and the Novel)
- Então que lhe ensinava você, abade, se eu lhe entregasse o rapaz? Que se não deve roubar o dinheiro das algibeiras, nem mentir, nem maltratar os inferiores, por que isso é contra os mandamentos da lei de Deus, e leva ao inferno, hein? É isso?... - Há mais alguma coisa... - Bem sei. Mas tudo isso que você lhe ensinaria que se não deve fazer, por ser um pecado que ofende a Deus, já ele sabe que se não deve praticar, por que é indigno dum cavalheiro e dum homem de bem... - Mas, meu senhor... - Ouça abade. Toda a diferença é essa. Eu quero que o rapaz seja virtuoso por amor da virtude e honrado por amor da honra; mas não por medo ás caldeiras de Pero Botelho, nem com o engodo de ir para o reino do céu...
Eça de Queirós (Os Maias)
Insensivelmente, sem disso me aperceber, deixei usarem-se e romperem-se todos os laços que me ligavam a uma companheira que amei, que é bonita e que vale muito mais que a grande maioria das mulheres. Perdemos a pouco e pouco o hábito da intimidade e das palavras ternas. Hoje, vejo o mal que sem maldade fiz: a minha companheira há vinte de cinco anos que está sozinha. Mas é demasiado tarde. Gostava de lhe dizer que penso dela imensamente bem; e é-me impossível. Os gestos afectuosos de antigamente seriam de tal maneira insólitos, de tal maneira novos, que a timidez paralisa-me. E depois, o meu dever de marido é talvez apenas, no meu espírito, uma noção moral. Debaixo da cinza, os fogos acabam por se extinguir.
Henri Roorda (Mi suicidio)
Um breve encontro de mãos. O corpo a ser-me cingido num abraço e depois largado. Os olhos envenenados de sonhos, como que inundados de água prateada, estrelada. E o teu pai à distância, a repelir-me, a fugir-me por entre os dedos. Areia a escapar-se-me da palma da mão. A boca dele era o Pacífico no seu ponto mais profundo, onde a Terra é um abismo de escuridão e de pressão indomável. Eu desejava-o, irracional e imoralmente, inconsciente do que era a ânsia física e do muito que me entorpecia cada movimento. Eu era jovem e inócua; o tempo revolteava como uma onda sobre esse desejo agora enterrado, que ainda pulsa. Lateja sete palmos abaixo da superfície. Somando todos os meus dias, vejo que tudo o que foi meu se agita sete palmos debaixo de terra.
Célia Correia Loureiro (Os Pássaros)
Parem todos os relógios, desliguem o telefone, Evitem o latido do cachorro com seu osso suculento, Silenciem os pianos e com tambores lentos Tragam o caixão, deixem que o luto chore. Deixem que os aviões voem em círculos altos Riscando no céu a mensagem: Ele Está Morto, Ponham gravatas beges no pescoço dos pombos brancos do chão, Deixem que os guardas de trânsito usem luvas pretas de algodão. Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste, Minha semana útil e meu domingo inerte, Meu meio-dia, minha meia-noite, minha canção, minha fala, Achei que o amor fosse para sempre: Eu estava errado. As estrelas não são necessárias: retirem cada uma delas; Empacotem a lua e façam o sol desmanchar; Esvaziem o oceano e varram as florestas; Pois nada no momento pode algum bem causar.
W.H. Auden
Primeiro que tudo, não deixem que ninguém vos domine o corpo ou a mente. Tenham cuidado para que os vossos pensamentos permaneçam libertos. Podemos ser livres e, ainda assim, estar mais presos do que um escravo. Ouçam os homens mas não lhes dêem os vossos corações. Demonstrem respeito pelos homens de poder, mas não os sigam cegamente. Julguem com lógica e com razão, mas não comentem. Não considerem ninguém vosso superior, seja qual for a sua posição ou posto na vida. Tratem todos com justiça ou eles procurarão vingança. Tenham cuidado com o vosso dinheiro. Mantenham-se fiéis às vossas convicções, e os outros ouvir-vos-ão. Quanto às questões do amor... o meu único conselho é que sejam honestos. Essa é a vossa arma mais forte para destrancar um coração ou para obter perdão.
Christopher Paolini (Eragon (The Inheritance Cycle, #1))
Nessa altura, vários mitos eram criados pelos jovens das carrinhas de fumo e das florestas de cogumelos alucinogénios, os famintos pela sede do ácido lisérgico, que estavam demasiado cansados do sofrimento em que cresceram e que precisavam de se refugiar nos sonhos. No universo destas crianças, corriam histórias inacreditáveis sobre os locais nas montanhas que as mulheres procuravam para se refugiar, sítios onde as pessoas se uniam pela música e pelo amor, para um crescimento espiritual mútuo. Para a tia Jeanine, que já tinha crescido com a imagem do pai sem um pé devido à guerra, alimentar-se dessas histórias parecia um refúgio, que ela mais tarde tentaria transformar em casa. E uma dessas histórias, particularmente uma, ficou-lhe na memória até à última fase da sua vida, quando veio a falecer aos oitenta e um anos, queimada pelo fogo. (...) Naquela altura, miúdo, diziam que, se procurássemos bem, íamos encontrar um sítio onde o mundo não acabaria. Os homens nunca iriam saber que raio de sítio era aquele, totalmente indomável! Um sítio onde as mãos porcas dos homens não chegariam. Um sítio sobre o qual os homens nunca saberiam nada. Não achas que consegui? Ter o meu corpo a desaparecer na floresta, como vi acontecer aos miúdos no Japão, na floresta Aokighara que os engole para o seu âmago. A carne reduzida a pó, a minha essência a desaparecer no meio da vida. Eles diziam que, quando morres num sítio, ficas nesse sítio para sempre. Era por isso que toda a gente tinha medo de ir para a guerra. Não era de morrer que eles tinham medo, miúdo, era de morrer lá.
Pat R (Os Homens Nunca Saberão Nada Disto)
Já repeti o antigo encantamento, E a grande Deusa aos olhos se negou. Já repeti, nas pausas do amplo vento, As orações cuja alma é um ser fecundo. Nada me o abismo deu ou o céu mostrou. Só o vento volta onde estou toda e só, E tudo dorme no confuso mundo. "Outrora meu condão fadava, as sarças E a minha evocação do solo erguia Presenças concentradas das que esparsas Dormem nas formas naturais das coisas. Outrora a minha voz acontecia. Fadas e elfos, se eu chamasse, via. E as folhas da floresta eram lustrosas. "Minha varinha, com que da vontade Falava às existências essenciais, Já não conhece a minha realidade. Já, se o círculo traço, não há nada. Murmura o vento alheio extintos ais, E ao luar que sobe além dos matagais Não sou mais do que os bosques ou a estrada. "Já me falece o dom com que me amavam. Já me não torno a forma e o fim da vida A quantos que, buscando-os, me buscavam. Já, praia, o mar dos braços não me inunda. Nem já me vejo ao sol saudado ergUida, Ou, em êxtase mágico perdida, Ao luar, à boca da caverna funda. "Já as sacras potências infernais, Que, dormentes sem deuses nem destino, À substância das coisas são iguais, Não ouvem minha voz ou os nomes seus. A música partiu-se do meu hino. Já meu furor astral não é divino Nem meu corpo pensado é já um deus. "E as longínquas deidades do atro poço, Que tantas vezes, pálida, evoquei Com a raiva de amar em alvoroço, lnevocadas hoje ante mim estão. Como, sem que as amasse, eu as chamei, Agora, que não amo, as tenho, e sei Que meu vendido ser consumirão. "Tu, porém, Sol, cujo ouro me foi presa, Tu, Lua, cuja prata converti, Se já não podeis dar-me essa beleza Que tantas vezes tive por querer, Ao menos meu ser findo dividi Meu ser essencial se perca em si, Só meu corpo sem mim fique alma e ser! "Converta-me a minha última magia Numa estátua de mim em corpo vivo! Morra quem sou, mas quem me fiz e havia, Anônima presença que se beija, Carne do meu abstrato amor cativo, Seja a morte de mim em que revivo; E tal qual fui, não sendo nada, eu seja!
Fernando Pessoa
No mais fundo de ti, eu sei que traí, mãe Tudo porque já não sou o retrato adormecido no fundo dos teus olhos. Tudo porque tu ignoras que há leitos onde o frio não se demora e noites rumorosas de águas matinais. Por isso, às vezes, as palavras que te digo são duras, mãe, e o nosso amor é infeliz. Tudo porque perdi as rosas brancas que apertava junto ao coração no retrato da moldura. Se soubesses como ainda amo as rosas, talvez não enchesses as horas de pesadelos. Mas tu esqueceste muita coisa; esqueceste que as minhas pernas cresceram, que todo o meu corpo cresceu, e até o meu coração ficou enorme, mãe! Olha — queres ouvir-me? — às vezes ainda sou o menino que adormeceu nos teus olhos; ainda aperto contra o coração rosas tão brancas como as que tens na moldura; ainda oiço a tua voz: Era uma vez uma princesa no meio de um laranjal... Mas — tu sabes — a noite é enorme, e todo o meu corpo cresceu. Eu saí da moldura, dei às aves os meus olhos a beber, Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo-te as rosas. Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade (Os Amantes Sem Dinheiro: Poemas)
As mãos de Zahara apertaram fortemente a saia. - Vais infligir-me a humilhação de ser eu a dizê-lo? Lochan levantou-se. - Jamais desejaria que te humilhasses. Eu sei, sei-o há já demasiado tempo. Zahara sentiu o coração pular. - Se o sabes, porque nunca… - Esquece-me, Zahara, pois não sinto o mesmo – interrompeu ele. Ela recuou. - Mentes… Porquê? Eu sei… O modo como me tratas, como me olhas. Eu sei que gostas de mim, vejo-o no teu olhar, vejo-o neste instante! Lochan sentiu os olhos dela mergulharem nos seus. - Durante anos foram-me apresentados pretendentes das mais nobres famílias – ouviu – Todos me dariam o conforto a que estava habituada, todos me cobririam de jóias, de vestidos luxuosos... no entanto, eu recusava-os. Recusava-os porque não via nada no seu olhar. Para eles, eu seria como um troféu, serviria apenas para provocar inveja. Uma nuvem cobriu o sol, deixando-os na sombra. - Inconscientemente tornei-me arrogante, altiva, somente para os afastar de mim, para que não desejassem casar-se com alguém como eu… Mas tu, tu viste para além da máscara que construí. Naquele dia, na capital, tu viste o que ninguém foi capaz de ver: o meu coração. - Zahara… - Não acredito que não sintas qualquer amor por mim. Lochan voltou-lhe as costas. - Não quero saber se és pobre, não me importo com o teu passado. O que sinto por ti é o que sempre desejei sentir – ouviu. O silêncio envolveu-os por momentos. - Lamento… Zahara correu para a frente dele. No seu olhar era visível desespero. - Não te agrado, é isso? Ele limitou-se a desviar o rosto. - Responde-me! - Como poderia ficar indiferente a alguém como tu – disse voltando a olhar nos olhos dela. - Então porquê, porquê? Lochan agarrou-lhe nos ombros, assustando-a. - Esquece-me por favor. Odeia-me. Odeia-me por isto com todas as tuas forças, mas não me ames, nunca me ames, Zahara. Lochan largou-lhe os ombros. Ela ficou sem reacção, e as lágrimas voltaram a molhar o seu rosto. - Não me faças isto… - implorou. O olhar dele tornou-se gélido. O seu rosto mostrava-se agora tão indecifrável, como o de uma estátua. - Odeia-me pelo sofrimento que te acabo de causar e depois esquece-me – disse deixando-a só. Zahara viu-o desaparecer por entre as colunas do palácio.
Susana Almeida (O Renascer (Estrela de Nariën, #2))
The phone rang and Chassie excused herself to answer it. Silence hung between them as heavy as snow clouds in a winter sky. Eventually, Edgard said, "She doesn't know anything about me. Not even that we were roping partners. Not that we were..." He looked at Trevor expectantly. "No." Trevor quickly glanced at the living room where Chassie was chattering away. "You surprised?" "Maybe that she isn't aware of our official association as roping partners. There was no shame in that. We were damn good together, Trev." The word shame echoed like a slap. As good as they were together, it'd never been enough, in an official capacity or behind closed doors. "What are you really doin' here?" Edgard didn't answer right away. "I don't know. Feeling restless. Had the urge to travel." "Wyoming ain't exactly an exotic port of call." "You think I don't realize that? You think I wouldn't rather be someplace else? But something..." Edgard lowered his voice. "Ah, fuck it." "What?" "Want the truth? Or would you rather I lie?" "The truth." "Truth between us? That's refreshing." Edgard's gaze trapped his. "I'm here because of you." Trevor's heart alternately stopped and soared, even when his answer was an indiscernible growl. "For Christsake, Ed. What the hell am I supposed to say to that? With my wife in the next room?" "You're making a big deal out of this. She thinks we're friends, which ain't a lie. We were partners before we were..." Edgard gestured distractedly. "If she gets the wrong idea, it won't be from me." "Maybe I'm gettin' the wrong idea. The last thing you said to me when you fuckin' left me was that you weren't ever comin' back. And you made it goddamn clear you didn't want to be my friend. So why are you here?" Pause. He traced the rim of his coffee cup with a shaking fingertip. "I heard about you gettin' married." "That happened over a year ago and you came all the way from Brazil to congratulate me in person? Now?" "No." Edgard didn't seem to know what to do with his hands. He raked his fingers through his hair. His voice was barely audible. "Will it piss you off if I admit I was curious about whether you're really happy, meu amore?" My love. My ass. Trevor snapped, "Yes." "Yes, you're pissed off? Or yes, you're happy?" "Both." "Then this is gonna piss you off even more." "What?" "Years and miles haven't changed anything between us and you goddamn well know it." Trevor looked up; Edgard's golden eyes were laser beams slicing him open. "It don't matter. If you can't be my friend while you're in my house, walk out the fuckin' door. I will not allow either one of us to hurt my wife. Got it?" "Yeah." "Good. And I'm done talkin' about this shit so don't bring it up again. Ever.
Liz Andrews
«Sabe, meu amor, que te amo. E que te amarei até morrer. É por isso que todo o resto me parece tão pouco, um nada imenso de nenhum valor. Sabe que te choro e te venero, e sobretudo que te espero. E sabe que te vejo, com olhos de quem vê, e que te conheço, como só conhece um livro quem o lê. Sabe que à amargura dos dias subtraí a doçura de te ter. Sim, o cintilar da vida, ao meu redor, por te ter. Por saber-te nunca muito longe, embora raramente aqui. por saber que, nos teus olhos - laivos de mel e coisas mais profundas, lucidez e racionalidade - leio que também me lês. Deslizemos agora para o silêncio, perfeição. Não vejo já necessidade de prender a tua mão, pois que sinto que te prendi. Ao teu olhar, que se enreda no meu. que estranhas asas povoam as minhas entranhas, murmuram a meus ouvidos. que grande és, que tola sou. Sabe, meu amor, que tenho plena consciência das nossas dimensões. Basta-me ter-te assim, como te tenho, para seguir pela vida a sorrir. Em mim não se apagarão mais luzes, em mim, à noite, acendem-se as estrelas. Fosse eu firmamento, e tu o cimento com que se constrói o mundo. Sem nós, nada. Reservatório de tudo. Conheço-te, milagre maior, e tenho-te, não podia ter-te melhor. Porque caminhas a meu lado, não acorrentado a mim. Porque me beijas a testa e porque te louvo as mãos. Homem honesto. Amor maior. Porque me guias na escuridão das ingenuidades - resquícios da infância - e porque não me apontas caminhos, descreves-me paisagens. Sim e não, talvez e também. Veremos o que dali vem. E eu, a teu lado, que tola sou, pequena e feliz, que feliz é quem amou assim um grande amor. Ecos de palavras, distantes. Que importa se não somos amantes? Se nunca o seremos? Sei que te amo e, nalguma linguagem, sei que me amas também. Se é na matemática dos racionais, se na pureza dos amigos, se no secretismo dos poetas, isso não sei. Sei que te carrego em mim e que, se fechar os olhos, me sorris. Estás comigo a todo o instante. Não te guardo em caixas, fotografias ou objectos. Caberias lá tu em caixas, mundo, permanecerias lá tu imóvel, como os objectos, vida. Quanto muito, vejo-te às vezes num livro cá por casa. Mas sei-te, e sei-te quase de cor. Não quero saber-te, na totalidade ou de cor. Não o poderia, é inalcançável. Tão grande és tu, que não acabas. Em mim nunca acabarás. A felicidade que a tua volta me trouxe. E sabe que vou chorar, «a cada ausência tua eu vou chorar». Mas não lágrimas; é paixão, fogo, urgência. Coisa física, átomos de energia em colisão. Ainda assim, ter-te-ei aqui, para seguir pela vida a sorrir. A cada vez que afastar os lençóis, pedir-te-ei que te chegues para lá. E ainda que a tua boca nunca sobre a minha pouse, e ainda que nunca venhas a sorrir enquanto te beijo, sabe, meu amor, que te amo, e que te amarei até morrer. Com a certeza de quem quer viver, de quem quer seguir, a vida inteira, com a alma enredada na tua. Que o teu chá seja fervido da minha chaleira, e que os teus livros disputem com os meus o espaço da prateleira. Meu amor, sabe que te amarei a vida inteira.»
Célia Correia Loureiro (Os Pássaros)
O homem fofo é o canalha de fato Ovídio, meu eficiente pombo correio do amor, não cansa de trazer mensagens e mais mensagens de corações trincados ou simplesmente descrentes nos homens. Ovídio arrulha, como se dissesse: meu amo, meu paciente conselheiro sentimental, te viras que a bronca é pesada. Novos ares, partiu, e lá se vai a avoante figura sobrevoando as encostas do morro do Cantagalo em busca de novas cartinhas. O principal assunto das cartas que tenho recebido é o seguinte: o cara vem cheio de chabadabadás para cima das moças -principalmente nas redes sociais-, a conversa pega fogo, rola o encontro, o rapaz é fofo e carinhoso, o sexo para começo de história está ótimo, o menino joga na linguagem de um possível caso ou namoro, segue a vida, mais uma saída, um sexozinho gostoso de novo… Alguns dão até presentinhos… Fofo!!! Aí do nada o desgraçado desaparece. Quebra geral a narrativa. Nem um sinal de tambor na floresta, necas de uma mensagenzinha, mesmo que sem graça, em uma garrafa atirada nos mares da internet. A moça tenta um contato de terceiro grau. Nada. A moça, amigo, vos digo, não é uma desesperada que viu no encontro uma cena de matrimônio. Ao contrário. Estava na dela, tipo ele fala em casamento… ela toma uma coca zero. Nem aí mesmo. Só fica puta da vida porque o miserável das costas ocas, o malassombro, não é claro no seu sumiço. Havia até falado em ver “O grande hotel Budapeste”, o filme, com a nega. Sem se falar em outras fofuras futuras etc. Aí chegamos ao ponto, colega. Os fofos são os piores nesse aspecto. Só os fofos pulverizam o ambiente com o bom-ar das falsas promessas. Os fofos sentem a extrema necessidade de continuarem fofos. Amam ser elogiados pela utópica fofolândia que carregam no mapa imaginário de bolso. Não vivem sem isso. São escravos da fofura ou da falsa e viciante fofura. O cafajeste até deixa um certo suspense, afinal de contas sabe que o encontro de um homem e uma mulher é e sempre será dirigido pelo cineasta Hitchcock, mas o cafa não engana com os signos da fofice de um possível namoro. Todo cafa é apenas um budista -sem templo- que vive o momento amoroso. O perigo, nesse sentido, amiga, vem do fofo. O que apenas prova que o contrário da cafajestice não é a fofura. O bom homem é, digamos assim, o homem normal, o homem da agricultura, da pecuária, o vaqueiro, o suburbano sem os arrotos do canalha-bouquet dos vinhos finos –mas aí já seria outra crônica. O fofo pode ser sim um perigo. Sendo indie ou não. O fofo sofre de um certo don-juanismo, a doença da conquista pelos bons modos e a boa impressão que causa. Aquele que faz a moça ligar para a amiga no dia seguinte e dizer, na euforia, “bicha, num acredito, o que é esse homem, tão sensível, curte literatura, ama o Morrissey…” O fofo tem sangue frio na sua arquitetura da decepção. O fofo constrói todo um repertório de coincidência de meus livros, meus discos, minhas bandas etc. Sumir todo mundo some, homem, mulher etc, mas na equação entre promessa e fuga ninguém supera a covardia –sentimental ou sexual- de um um homem dito fofo.
Xico Sá
Não é com a mente aquisitiva e possessiva, acumulação de conhecimentos intelectuais, que se chega à Sabedoria. A mente aquisitiva aumenta a erudição, mas a Sabedoria não é erudição. Pode-se ser erudito e não sábio, e sábio sem ser erudito. Nossa mente, através dos tempos, adquiriu grande experiência em defender e proteger o eu, criando um sistema de segurança em todos os setores de nossa atividade: física, material, econômica, afetiva e intelectual, através de nossos apegos a conceitos, credos, teorias, sistemas filosóficos etc. Essas acumulações nada significam, são limitações do nosso pensamento vinculado a condicionamentos. É imprescindível que a mente possa receber o novo, o desconhecido, sem pretender amoldá-lo, ajustá-lo aos condicionamentos do passado. O apego às acumulações do passado, significa condicionamento ao tempo, e jamais, dentro do tempo, se poderá compreender o Eterno (Incondicionado). Só quando a mente se libertar de toda e qualquer acumulação do passado, o pensamento poderá ser criador, capaz de reto pensar e chegar à Sabedoria. Pela ignorância, a idéia de apego surge no homem comum não esclarecido, porque o ego, pela insatisfatoriedade, tende sempre a se preencher, se completar e se expandir. Assim, preenchemos e completamos nosso ego psicologicamente pela esposa, filhos (os filhos pelos pais), amigos, pelo clube a que pertencemos, pelo país em que vivemos etc. Todos nós nos completamos psicologicamente porque somos dependentes uns dos outros. Porém esta união, que nos completa, que nos traz felicidade, é algo muito precário. Pela natureza impermanente desta existência, não se pode manter esta união e felicidade indefinidamente, mais cedo ou mais tarde há uma separação inevitável e isto é sofrimento. Porém, quando, pelo autoconhecimento e progresso espiritual, vamos compreendendo gradativamente as Quatro Nobres Verdades, os fenômenos que caracterizam a existência (Impermanência, Insatisfatoriedade e Impessoalidade), o que é a Sabedoria, então não vamos mais nos completar psicologicamente. Continuaremos a amar os outros de uma maneira mais correta, e o apego irá se manifestando cada vez mais fracamente. O amor no homem comum está sempre ligado ao apego, há sempre a idéia de propriedade: "meu filho", "meu marido", "minha esposa", "meu pai", etc. Este amor é inseparável do apego. Quando, pelo desenvolvimento da Sabedoria, vamos ganhando essa capacidade de amar sem nos apegar, há verdadeira felicidade, porque amamos sem nos escravizar aos outros e às coisas. Gradativamente, nos tornamos a nossa própria lanterna, não mais dependendo dos outros para nos completar psicologicamente.
Georges da Silva (Budismo: Psicologia do Autoconhecimento)
Saudades Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades... Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei... Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser... Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro... Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser... Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei! De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer. Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito! Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre! Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter! Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram. Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências... Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer! Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar! Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade. Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que... não sei onde... para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi... Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades Em japonês, em russo, em italiano, em inglês... mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota. Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados... para contar dinheiro... fazer amor... declarar sentimentos fortes... seja lá em que lugar do mundo estejamos. Eu acredito que um simples "I miss you" ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. E é por isso que eu tenho mais saudades... Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos. Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis! De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...
Wagner Luiz Marques (COLETÂNEA DE HISTÓRIAS: PARA A CONSCIÊNCIA E O SUCESSO INTERNO DE CADA PESSOA)
Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorrir mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu, mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque no meu corpo sujo gasto exausto batendo feito louco naquela porta que não abria, era tudo um engano, eu continuava batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca.
Caio Fernando Abreu
PRÓLOGO Alguns Anos atrás no Planeta Orfheus... Escurecia quando Lucius chegou ao local combinado, do qual haviam escolhido para ser o novo esconderijo. O último havia sido utilizado por vários meses, e estavam preocupados com a possibilidade de estarem sendo perseguidos e por fim, descobertos. - Pensei que você não viesse... Estou lhe esperando faz quase uma hora, estava ficando angustiada. - disse Sofia aliviada. - Desculpe meu amor... Tudo está se tornando cada vez mais difícil, quase não consegui vir hoje. Houve uma emboscada com as tropas de Igor na última invasão, e muitos guerreiros retornaram gravemente feridos. – ele a olhou surpreso. – Porque, esse encontro repentino? Nós havíamos combinado que o próximo seria na semana seguinte! - Eu sei... Mas, não pude esperar... Lucius deu-lhe um forte abraço, trazendo-a para junto de si. Permanecendo em silêncio por alguns momentos, sentindo o cheiro dela. A saudade e o desejo o consumiam. Ela significava o seu mundo, sem Sofia, sua vida jamais faria sentido. Ele nunca esqueceria aqueles olhos, serenos e sinceros, um azul tão claro e límpido, capaz de enxergar sua alma de guerreiro atormentado. Juntamente com seus cabelos dourados, Sofia parecia um anjo. - Algum problema? Você ficou tão quieto e pensativo. – ela perguntou intrigada. - Estou pensando em nós... Quanto tempo nós conseguiremos manter tudo em segredo? – ele afastou-se dela suspirando. - Ficar mentindo e fingindo que está tudo bem. Você faz ideia do quanto eu tenho que suportar quando está longe de mim? Ou quando vejo você com ele? – Meu amor, agora não. Já discutimos diversas vezes sobre esse assunto. Você sabe que a nossa única alternativa, seria fugir, e rezar para que nunca nos encontrem. Sofia sabia muito bem que as leis do Reino não podiam ser desrespeitadas. O amor, o respeito e a lealdade eram fatores primordiais, que faziam parte da hierarquia de Orfheus. Embora sempre fosse apaixonada por Lucius, que jamais demonstrou qualquer atitude ou interesse por ela, Sofia acabou se relacionando com Alex, irmão de Lucius em consequência de um pacto. Entretanto com o decorrer dos séculos, Lucius começou a mudar e demonstrar sentimentos amorosos por ela que, nunca deixou de amá-lo e sucumbiu às tentações e a paixão por ele. Inevitavelmente um caso de amor surgiu entre os dois. Interrompendo os pensamentos dela, Lucius pegou-a pela mão e a levou para dentro da cabana. Este último lugar escolhido era reservado, adentro de uma vasta e linda floresta. Ele a puxou pela cintura, dando-lhe um beijo apaixonado, acariciou seus cabelos e disse baixinho. - Amor... Senti tanto a sua falta. - Eu também senti muitas saudades, mas o verdadeiro motivo que me trouxe hoje aqui às presas é outro. Preciso que você escute com atenção e mantenha a calma. – enquanto falava passava as mãos entre os cabelos negros de Lucius que contrastavam com sua pele clara. Sofia não queria assustá-lo. No entanto imaginava o quanto ele ficaria transtornado e nervoso com a notícia. Infelizmente a revelação era inevitável, cedo ou tarde, tudo viria à tona. - Estou grávida. – ela declarou sem cerimônias. Por um breve instante, Lucius não lhe disse nada. Somente a encarou sem reação alguma. Parecia estar em uma batalha silenciosa com seus próprios pensamentos. - Mas como? – ele balbuciava não acreditando no que acabara de escutar. Certamente aquela revelação seria o fim para os dois. - Fique calmo meu amor! Eu sei que isso muda tudo. O que estávamos planejando há meses, não será mais possível. – ela sentou-se em um banquinho improvisado e prosseguiu com lágrimas nos olhos. - Com o bebê a caminho, não posso simplesmente passar pelo portal, eu e o bebê morreríamos durante a travessia. - Poderíamos pedir ajuda para a tia Wilda, ela é muito poderosa, provavelmente, ela seria capaz de quebrar a magia dos portais. Sofia já havia pensado nessa possibilidade. Tinha plena consciência de que seria a única escolha que lhe restava.
Gisele de Assis (Entre o Amor e o Sacrifício)
sensível farol meu peito retinas
Márcia Abath (SOBRE NÓDOAS E MIOSÓTIS)
- O Kane está preocupado com ela - disse Rowena - mas o homem está preocupado por ela. - Há fogo entre eles - Pitte virou a cabeça e roçou os lábios no cabelo de Rowena - Ele devia levá-la para a cama e deixar esse fogo selar velhas feridas. - Tão típico de um macho, pensar que a cama é sempre a resposta. (...) O fogo nao basta - Ela abriu os braços e dezenas de velas acenderam-se - É o calor, meu amor, meu único amor, que cura um coração ferido.
Nora Roberts (Key of Knowledge (Key Trilogy, #2))
Com o teu hálito de gin e a tua voz de menina, sabes lá o quanto me apaixonavas com essas merdas - alguém que no meu rosto era mais do que eu.
Miguel Esteves Cardoso (O Amor é Fodido)
Se por descuido passei a amar, em cada instante ele se fazia mais indispensável. Meu coração escolheu e agora minha carne exigia sua presença. Ah! Como o corpo exige! Se o medo me invadia, se vago o horizonte, se fria a aragem, meu amor era minha moeda. Sob os juros do amor eu me enriquecia.
Bartolomeu Campos de Queirós (Vermelho Amargo)
Menino miúdo, menor que a vida, debilitado pelo amor, eu repetia que a dor do parto é também de quem nasce. Doía. Doía na pele inteira, e profundamente. Minha toda fragilidade, suportava toneladas de desassossegos. Impossível deitar-me em meu próprio colo e acalentar-me. Não suportaria o peso de minha carga.
Bartolomeu Campos de Queirós (Vermelho Amargo)
gosto do teu zelo quando deitas meu nome na palavra amor
Márcia Abath
Um mau amor é um fogo grande que só aquece se puder queimar o que toca. Um braço, uma perna, que lindo que é o nosso amor, um sonho, um desejo de chamas altas e direitas a nada. Os amores assim são acelerados, vão correndo sempre mais depressa em direcção ao fim de quem não os sabe escusar. Um amor que se sente em dor é uma doença dos sentidos que mata muitas vezes.
Nuno Camarneiro (No Meu Peito Não Cabem Pássaros)
— Ai, meu Deus. — Meus olhos se arregalaram para o ventilador. Eu sabia, o ventilador sabia, nós dois sabíamos. Eu do chão do quarto. Ele do teto. — Eu sou lésbica.
Elayne Baeta (O Amor Não é Óbvio)
Não existem amores impossíveis, existem pessoas que tem medo de lutar por eles.
Danielly Martins (Meu vesso em verso)
Será amor, quando você lembrar da pessoa e sorrir.
Danielly Martins (Meu vesso em verso)
Então prostrei-me aos seus pés, pensando: "Esta é certamente a hora da minha morte, pois o Leão (que é digno de toda a honra) bem saberá que, durante toda a minha vida, tenho servido a Tash e não a ele. No entanto, melhor é ver o Leão e depois morrer do que ser Tisroc do mundo inteiro e viver sem nunca havê-lo encontrado." Porém, o glorioso ser inclinou a cabeça dourada e me tocou a testa com a língua, dizendo: "Filho, sê bem-vindo!" Mas eu repliquei: "Ai de mim, Senhor! Não sou filho teu, mas, sim, um servo de Tash!" "Criança", continuou ele, "todo o serviço que tens prestado a Tash, eu o considero como serviço prestado a mim." Então, tão grande era o meu anseio por sabedoria e conhecimento, que venci o temor e resolvi indagar o glorioso ser: "Senhor, é verdade, então, como disse o macaco, que tu e Tash sois um só? O Leão deu um rugido tão forte que a terra tremeu (sua ira, porém, não era contra mim), dizendo: "É mentira! Não porque ele e eu sejamos um, mas por sermos o oposto um do outro é que tomo para mim os serviços que tens prestado a ele. Pois eu e ele somos tão diferentes, que nenhum serviço que seja vil pode ser prestado a mim, e nada que não seja vil pode ser feito para ele. Portanto, se qualquer homem jurar em nome de Tash e guardar o juramento por amor a sua palavra, na verdade jurou em meu nome, mesmo sem saber, e eu é que o recompensarei. E se algum homem cometer alguma crueldade em meu nome, então, embora tenha pronunciado o nome de Aslam, é a Tash que está servindo, e é Tash quem aceita suas obras. Compreendes isto, filho meu?" Eu respondi: "Senhor, tu sabes o quanto eu compreendo." E, constrangido pela verdade, acrescentei: Mesmo assim, tenho aspirado por Tash todos os dias da minha vida." "Amado", falou o glorioso ser, não fora o teu anseio por mim, não terias aspirado tão intensamente, nem por tanto tempo. Pois todos encontram o que realmente procuram.
C.S. Lewis (The Last Battle (Chronicles of Narnia, #7))
Muitas pessoas de meu mundo acham estranho, até trágico, que a autora de histórias de amor tão emocionalmente satisfatórias, aparentemente nunca tenha encontrado o amor; mas eu não. Por um lado, ela era um gênio: ardendo de desejo de criar obras de arte imortais, não uma casa confortável para marido e filhos. Por outro lado, ela escrevia sobre o mundo que conhecia e sobre o que sentia que atrairia os leitores. O enredo matrimonial é interessante especialmente pelo modo como ilumina o coração de seus personagens, pelo que eles aprendem sobre si mesmos a caminho do altar. Ela se preocupa com questões maiores: como distinguir pessoas boas de falsificações plausíveis; o que uma vida moral exige de nós; o problema de ser uma mulher inteligente em um mundo que não tinha lugar para ela.
Kathleen A. Flynn (The Jane Austen Project)
Deixe ir, deixe andar Reflita por um minuto: quantas coisas você precisa ter coragem para deixar morrer? Padrões que não lhe servem mais, comportamentos, sentimentos, histórias… Por apego, muitas vezes continuamos repetindo situações e atitudes que nos causam dor, mesmo sabendo que elas não fazem mais parte da nossa história. Nesses momentos, é preciso ter a determinação de romper. Você já tem o poder de reaprender pelo amor e não mais pela dor. Permita-se viver nessa nova vibração. O renascer com o amor vai lhe conectar com essa capacidade. Para poder renascer é necessário ter coragem para deixar ir embora o que não lhe serve mais.
Tadashi Kadomoto (Meu livro da consciência: 365 mensagens para nossas boas escolhas de cada dia)
Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos. Fecha os olhos agora e sossega - o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -- a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-te -- eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos agora e sossega -- a porta está trancada; e os fantasmas da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos - é noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira (O Canto do Vento nos Ciprestes)
E com essa intermitente grosseria que lhe voltava logo que ele não mais sofria e que rebaixava o nível de seu caráter moral, exclamou consigo mesmo: "E dizer que eu estraguei anos inteiros de minha vida, que desejei a morte, que tive o meu maior amor, por uma mulher que não me agradava, que não era o meu tipo!".
Marcel Proust (Swann's Way)
Embora o meu objectivo seja compreender o amor, e embora sofra por causa das pessoas a quem entreguei o meu coração, vejo que aqueles que me tocaram a alma não conseguiram despertar o meu corpo, e aqueles que me tocaram o corpo não conseguiram alcançar a minha alma.
Paulo Coelho (Eleven Minutes)
Uma coisa eu posso dizer: poucas sensações são tão boas quanto estar apaixonada por alguém que te faz pensar "meu Deus, é essa pessoa".
Elayne Baeta (O Amor Não é Óbvio)
Nunca lhe confessei abertamente o meu amor, mas, se é verdade que os olhos falam, até um idiota teria percebido que eu estava apaixonada.
Emily Brontë
... E foi assim que no grande parque do colégio lentamente comecei a aprender a ser amada, suportando o sacrifício de não merecer, apenas para suavizar a dor de quem não ama. Não, esse foi somente um dos motivos. É que os outros fazem outras histórias. Em algumas foi de meu coração que outras garras cheias de duro amor arrancaram a flecha farpada, e sem nojo de meu grito.
Clarice Lispector
Warning signs went unheeded as the ferocious kisses continued, kicking Trevor’s need into high gear. But the unfamiliar prickle of Edgard’s beard on his cheek began to rouse him from that dark desire. Coupled with the low-pitched masculine moans—not Chassie’s feminine sighs—and Trevor broke away, knocking Edgard’s hands free. “Stop. No.” “Yes,” Edgard grabbed Trevor’s shirt. “This is why I’m here. Because it’s still there, Trevor. This need didn’t go away just because I did.” “It don’t matter.” “It should. God. Please let it matter.” “Ed—” “Don’t. Just…don’t.” Edgard gently rested his forehead against Trevor’s and retreated into silence. The heat of their bodies, the cold air, the confusion, the passion, the anger, the guilt, all swirled in Trevor’s head until he didn’t know which way was up. Unable to squirm either closer or away, damn near unable to breathe, Trevor squeezed his eyes shut and gave in, leaning against Edgard, just for a moment. Finally he dredged up a semblance of sanity. “I love her, Ed. I’m not with her because she was my second choice.” “I know. Why do you think it hurts me so bad, meu amore?” My love. That single, familiar endearment could prove to be his undoing. Another pause lingered before Trevor said, “I can’t do this. I swear to f**king God I cannot do this again.” “We’ll figure something out this time.” “No.” “Look at me.” Trevor shook his head. “Goddammit. Look. At. Me.” Heart thumping crazily, Trevor pulled back and caught the golden gaze that’d haunted his dreams since the day they’d gone from friends to something more. Edgard curled one hand around Trevor’s face, keeping the other fisted in his shirt. “Tell me how to fix this.” “We can’t and talkin’ about it ain’t gonna change nothin’.” “We were always better at f**king away our problems rather than talking them out, eh?” No hint of a smile graced either of their faces.
Lorelei James (Rough, Raw and Ready (Rough Riders, #5))
Eventually, Edgard said, “She doesn’t know anything about me. Not even that we were roping partners. Not that we were…” He looked at Trevor expectantly. “No.” Trevor quickly glanced at the living room where Chassie was chattering away. “You surprised?” “Maybe that she isn’t aware of our official association as roping partners. There was no shame in that. We were damn good together, Trev.” The word shame echoed like a slap. As good as they were together, it’d never been enough, in an official capacity or behind closed doors. “What are you really doin’ here?” Edgard didn’t answer right away. “I don’t know. Feeling restless. Had the urge to travel.” “Wyoming ain’t exactly an exotic port of call.” “You think I don’t realize that? You think I wouldn’t rather be someplace else? But something…” Edgard lowered his voice. “Ah, f**k it.” “What?” “Want the truth? Or would you rather I lie?” “The truth.” “Truth between us? That’s refreshing.” Edgard’s gaze trapped his. “I’m here because of you.” Trevor’s heart alternately stopped and soared, even when his answer was an indiscernible growl. “For Christsake, Ed. What the hell am I supposed to say to that? With my wife in the next room?” “You’re making a big deal out of this. She thinks we’re friends, which ain’t a lie. We were partners before we were…” Edgard gestured distractedly. “If she gets the wrong idea, it won’t be from me.” “Maybe I’m gettin’ the wrong idea. The last thing you said to me when you f**kin’ left me was that you weren’t ever comin’ back. And you made it goddamn clear you didn’t want to be my friend. So why are you here?” Pause. He traced the rim of his coffee cup with a shaking fingertip. “I heard about you gettin’ married.” “That happened over a year ago and you came all the way from Brazil to congratulate me in person? Now?” “No.” Edgard didn’t seem to know what to do with his hands. He raked his fingers through his hair. His voice was barely audible. “Will it piss you off if I admit I was curious about whether you’re really happy, meu amore?” My love. My ass. Trevor snapped, “Yes.” “Yes, you’re pissed off? Or yes, you’re happy?” “Both.” “Then this is gonna piss you off even more.” “What?” “Years and miles haven’t changed anything between us and you goddamn well know it.” Trevor looked up; Edgard’s golden eyes were laser beams slicing him open. “It don’t matter. If you can’t be my friend while you’re in my house, walk out the f**kin’ door. I will not allow either one of us to hurt my wife. Got it?” “Yeah.” “Good. And I’m done talkin’ about this shit so don’t bring it up again. Ever.
Lorelei James (Rough, Raw and Ready (Rough Riders, #5))
— Ah! meu caro Lúcio, acredite me! Nada me encanta já; tudo me aborrece, me nauseia. Os meus próprios raros entusiasmos, se me lembro deles, logo se me esvaem — pois, ao medi-los, encontro os tão mesquinhos, tão de pacotilha… Quer saber? Outrora, à noite, no meu leito, antes de dormir, eu punha-me a divagar. E era feliz por momentos, entressonhando a glória, o amor, os êxtases… Mas hoje já não sei com que sonhos me robustecer. Acastelei os maiores… eles próprios me fartaram: são sempre os mesmos — e é impossível achar outros… Depois, não me saciam apenas as coisas que possuo — aborrecem-me também as que não tenho, porque, na vida como nos sonhos, são sempre as mesmas. De resto, se às vezes posso sofrer por não possuir certas coisas que ainda não conheço inteiramente, a verdade é que, descendo-me melhor, logo averiguo isto: Meu Deus, se as tivera, ainda maior seria a minha dor, o meu tédio. De forma que gastar tempo é hoje o único fim da minha existência deserta. Se viajo, se escrevo — se vivo, numa palavra, creia-me: é só para consumir instantes. Mas dentro em pouco — já o pressinto — isto mesmo me saciará. E que fazer então? Não sei… não sei… Ah! que amargura infinita…
Mário de Sá-Carneiro (A Confissão de Lúcio)
Vi a engrenagem do amor e a modificação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Aleph a terra, e na terra outra vez o Aleph, e no Aleph a terra, vi meu rosto e minhas vísceras, vi teu rosto e senti vertigem e chorei, porque meus olhos haviam visto esse objeto secreto e conjetural cujo nome usurpam os homens, mas que nenhum homem olhou: o inconcebível universo. Senti infinita veneração, infinita lástima.
Jorge Luis Borges (The Aleph and Other Stories)
24/7 não apenas incita no indivíduo um foco exclusivo em adquirir, ter, ganhar, desejar ardentemente, desperdiçar e menosprezar, mas está totalmente entremeado a mecanismos de controle que tornam supérfluo e impotente o sujeito de suas demandas. A transformação do indivíduo em objeto de escrutínio e regulação ininterruptos é uma constante essencial da organização do terror estatal, bem como do paradigma militar-policial da dominância total.” “Esse ritmo constante de consumo tecnológico, na forma em que se desenvolveu nas últimas duas ou três décadas, impede a passagem de um período significativo de tempo no qual o uso de determinado produto, ou combinação de produtos, poderia se tornar familiar o suficiente a ponto de simplesmente integrar o pano de fundo de objetos em nossas vidas. As capacidades operacionais e de desempenho viram prioridades que ultrapassam a importância de qualquer coisa que possa ser considerada “conteúdo”. Em vez de ser um meio para um conjunto maior de fins, o aparelho é um fim em si mesmo.” capítulo dois “O sono é a única barreira restante, a única “condição natural” persistente que o capitalismo não pode eliminar.” capítulo três “Como o trabalho contemporâneo de Alain Resnais (Hiroshima meu amor), Jacques Rivette (Paris nos pertence), Joseph Losey (Malditos), Fritz Lang (Os mil olhos do dr. Mabuse), Jacques Tourneur (The Fearmakers) e muitos outros, o filme quer perguntar: como permanecer humano diante de um mundo desolador, quando os laços que nos conectam foram desfeitos e as formas malévolas de racionalidade estão em pleno funcionamento?” “A persistência anormal do sono deve ser entendida em relação à destruição contínua dos processos que possibilitam a existência no planeta. Dado que o capitalismo não pode impor limites a si mesmo, a noção de preservação ou conservação é uma impossibilidade sistêmica. Nesse contexto, a inércia restauradora do sono se coloca contra a letalidade de toda a acumulação, a financeirização e o desperdício que devastaram tudo aquilo que costumava ser de domínio comum.” capítulo quatro
Jonathan Crary (24/7: Late Capitalism and the Ends of Sleep)
Dilacere meu coração para que se crie um novo espaço para o Amor Infinito.
Clarissa Pinkola Estés (Women Who Run With the Wolves: Myths and Stories of the Wild Woman Archetype)
Quando rumor algum grande se sente, Que se acende fogo em casa ou torre, De pura compaixão vai toda a gente Gritando - Água ao fogo! - e cada um corre. Assim anda meu peito em chama ardente, E co'a água dos olhos se socorre, Que quem me abrasa outra água me defende, Porque com esta o fogo mais se acende.
Luís de Camões (Poesia Lírica)
Cais, às vezes, afundas em teu fosso de silêncio, em teu abismo de orgulhosa cólera, e mal consegues voltar, trazendo restos do que achaste pelas profunduras da tua existência. Meu amor, o que encontras em teu poço fechado? Algas, pântanos, rochas? O que vês, de olhos cegos, rancorosa e ferida? Não acharás, amor, no poço em que cais o que na altura guardo para ti: um ramo de jasmins todo orvalhado, um beijo mais profundo que esse abismo. Não me temas, não caias de novo em teu rancor. Sacode a minha palavra que te veio ferir e deixa que ela voe pela janela aberta. Ela voltará a ferir-me sem que tu a dirijas, porque foi carregada com um instante duro e esse instante será desarmado em meu peito. Radiosa me sorri se minha boca fere. Não sou um pastor doce como em contos de fadas, mas um lenhador que comparte contigo terras, vento e espinhos das montanhas. Dá-me amor, me sorri e me ajuda a ser bom. Não te firas em mim, seria inútil, não me firas a mim porque te feres
Pablo Neruda (The Captain's Verses)
Os toltecas foram grandes homens e mulheres muito sábios que viveram há milhares de anos na atual região Centro-Sul do México. Na língua náuatle, tolteca significa “artista”, e, de acordo com nossos ensinamentos, a tela para nossa arte é a própria vida. Aprendi sobre o modo de vida tolteca pelas tradições orais da minha família que, de acordo com meu tataravô paterno, Don Exiquio, é descendente direta dos toltecas da linhagem dos Cavaleiros da Águia. Este conhecimento chegou até mim pela minha avó, Madre Sarita. Nós nos autodenominamos toltecas não apenas devido à linhagem, mas também porque somos artistas. A vida é a tela da nossa arte, e nossa tradição se dedica a ensinar as lições de vida que vão nos ajudar a criar nossa obra-prima. A tradição tolteca não é uma religião, e sim um modo de vida para o qual a grande obra-prima é viver com felicidade e com amor. Ela abraça o espírito ao mesmo tempo em que honra os vários grandes mestres de todas as tradições do mundo. O cerne da questão de todo este trabalho é ser feliz, aproveitar a vida e curtir os relacionamentos com as pessoas que mais amamos, começando por nós mesmos.
Miguel Ruiz Jr. (The Five Levels of Attachment: Toltec Wisdom for the Modern World)
Propriedade privada meu bem que pena seu silêncio assim ninguém saberá - nem eu - deste amor enfezado e doce que você me tem
Cacaso
— Assim mais assim, com os erros todos e muita demora, até há uns dois anos atrás eu ainda era homem para pôr algum bilhete no papel... — Pois eu não. Nunca estive em escola, sentado não aprendi nada desta vida. Você sabe que eu não sei. Mas, cada ano que passa, eu vou ganhando mais dinheiro, comprando mais terras, pondo mais bois nas invernadas. Não sei fazer conta de tabuada, tenho até enjoo disso... Nunca assentei o que eu ganho ou o que eu gasto. O dinheiro passa como água no córrego, mas deixa poços cheios, nas beiras. Gosto de caminhar no escuro, João Manico, meu irmão! — Em Deus estando ajudando, é bom, meu compadre seô Major. — Também não tomo a reza dos outros, não desfaço na valia deles... — De nenhum jeito, e eu posso ir junto!... Todo o mundo, aqui, trabalha sem arrocho... Só no falar de obedecer é que todos têm medo do senhor... — Capaz que seja, Manicão? Será? — Isso. Uns acham que é porque o seô Major espera boi bravo, a-pé, sem ter vara, só de chicote na mão e soprando no focinho do que vem... — Mas eu gosto dos bois, Manico, ponho amor neles... — A’ pois. Eu sei, de mim que será por causa de nunca se ter certeza do que é que o meu compadre está pensando ou vai falar, que sai sempre o diverso do que a gente esperou... Só vejo que esse povo vaqueiro todo tem mais medo de um pito do senhor do que da chifrada de um garrote, comparando sem quebrar seu respeito, meu compadre seô Major. — Escuta, Manico: é bom a gente ver tudo de longe. Assim como aqui nós dois vamos indo... Pelo rastro, no chão, a gente sabe de muita coisa que com a boiada vai acontecendo. Você também é bom rastreador, eu sei. Olha, o que eu entendo das pessoas, foi com o traquejo dos bois que eu aprendi...
João Guimarães Rosa (O Burrinho Pedrês)
Lipsa era cuvântul definitoriu al sufletului meu. Sunt momente când îți trece prin minte tot ce ai trăit, dar și străfulgerări care-ți luminează viitorul, îl luminează e un fel de-a spune. De fapt ți-l aduce în fața ochilor, a ochilor minții, nevăzători dar străpungători a ceea ce te-așteaptă.
Ileana Vulpescu (De-amor, de-amar, de inimă albastră)
Não existe justiça no amor. O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo. É o mais completo desequilíbrio. Ama-se logo quem a gente odiava, quem a gente provocava, de quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação. O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento. O melhor para você é o pior. Aquele que você escolhe infelizmente não tem química, não dura nem uma hora. O pior para você é o melhor. Aquele de quem você quer distância é que se aproxima e não larga sua boca.
Fabrício Carpinejar (Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus - Crônicas de Amor e Sexo)
É necessário ser imaturo para amar. É necessário ser imaturo para engravidar. É necessário ser imaturo para juntar as tralhas e pertences, construir uma casa em comum, e seguir ameaçado pelo humor do próximo. Merece o amor quem trabalha por ele, quem sofre por ele, quem não quis ser mais inteligente do que sensível, quem é absolutamente idiota para sacudir um pote de xampu já findo.
Fabrício Carpinejar (Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus - Crônicas de Amor e Sexo)
Viver tem sido adiantar o serviço do dia seguinte. No domingo, já estamos na segunda, na terça já estamos na quarta e sempre um dia a mais do dia que deveríamos viver. Pelo excesso de antecedência, vamos morrer um mês antes.
Fabrício Carpinejar (Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus - Crônicas de Amor e Sexo)
Saudade é uma soma daquilo que não somos quando o outro se afasta e daquilo que somos quando o outro está junto.
Fabrício Carpinejar (Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus - Crônicas de Amor e Sexo)
Saudade é uma antecipação do abandono. Uma despedida provisória que dói igual a um desenlace definitivo. É um aceno que não entrega a mão ao ar, um cumprimento que não fecha os dedos. A saudade é acordar na sexta como se fosse sábado. É vestir nossa roupa predileta para permanecer em casa. É arrumar a cama para dormir no sofá.
Fabrício Carpinejar (Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus - Crônicas de Amor e Sexo)
Lado a lado no espelho do banheiro, escovam os dentes, ajeitam o rosto, colocam roupas folgadas. Reina uma sincronia dos movimentos, uma disciplina na admiração. Alguns até confundem com tédio, porém é intimidade: não precisar falar para se entender. Se silêncio com ódio é submissão, silêncio com ternura é concordância.
Fabrício Carpinejar (Ai Meu Deus, Ai Meu Jesus - Crônicas de Amor e Sexo)
Els teus llavis. La fruita. La magrana... Àngel rebel, tot olor de gingebre. Atrapa'm pels replecs d'aquesta febre. Vine amb verdor de pluja. Sargantana que em fuges pels cabells, sense frontera, al bat del sol, ales d'ocell nocturn! Serves per cor la Lluna o bé Saturn i, als ulls, un tast de boira matinera. El teu cos mineral. Sal. Vi. Maduixa. Com una serp, cargola't al meu ventre i cerca'm, amb verí d'amor, al centre. Tu seràs un gat negre. Jo una bruixa. Ens fitarem errants, i en el desvari la lluna, cega, encendrà l'escenari.
Maria Mercè Marçal (Bruixa de dol)
Havia perdut per sempre el meu amor veritable. El prínceo no tornaria mai per despertar-me del meu malefici amb un petó. Després de tot, tampoc era una princesa. Així, quin era el protocol dels contes de fades per a altres menes de petons?
Stephenie Meyer (New Moon (The Twilight Saga, #2))
Naquela noite, enquanto esperava (bordando, vendo a neve cair, ouvindo Chopin e Elgar) que meu inglês apaixonado e instável aparecesse, eu de repente me conscientizei de como a música me parecia clara e tocante; como era de uma beleza extrema e melancólica o fato de eu observar a neve e esperar por ele. Eu estava sentindo mais beleza, mas também mais tristeza de verdade. Quando ele surgiu - elegante, acabando de chegar de um jantar de cerimônia, de smoking, com uma echarpe de seda branca jogada de qualquer jeito em volta do pescoço e uma garrafa de champanhe na mão - pus para tocar a sonata póstuma para piano em si-bemol, D. 960, de Schubert. Seu erotismo belíssimo e obsessivo me encheu de emoção e me fez chorar. Chorei pela contundência de toda a emoção que eu havia perdido sem saber, e chorei pelo prazer de voltar a vivenciá-la. Até hoje, não consigo ouvir essa obra sem me sentir cercada pela linda tristeza daquela noite, pelo amor que eu tinha o privilégio de conhecer e pela lembrança do equilíbrio precário que existe entre a sanidade e um sufocamento sutil e terrível dos sentidos.
Kay Redfield Jamison (An Unquiet Mind: A Memoir of Moods and Madness)
Știam cum te strângi ca un ghem dorind ființa iubită, vrând parcă să te zdrobești singur în lipsa brațelor, a coapselor și-a buzelor care să te zdrobească, știam cum tânjește sufletul după ființa iubită, însă nu-mi închipuisem cum doare descompunerea iubirii, cât doare golirea propriei ființe de altă ființă, cât doare schimbarea unei imagini. Descompunerea unei iubiri seamănă cu chipul unui mor în care ți-e greu să regăsești ființa pe care ai cunoscut-o vie. Peste sufletul meu parcă plouase cu cenușă. Un suflet văduv. Sufletul omului îndură amărăciunea, îndură umilința, îndură jignirile, dar mai greu decât orice - golul și mai ales golirea. Văzusem oameni morți fiindcă nu li se oprise la vreme o hemoragie. Golirea sufletului nu te omoară, dar te sleiește.
Ileana Vulpescu (De-amor, de-amar, de inimă albastră)
Poema - Gênesis 4:11-12 Me coloquem em uma camisa de força e me tranquem nos cárceres privados da minha própria mente Dancem como macacos enquanto os deuses mutilam seus próprios filhos Matem uns aos outros em nome de ideologias que os condenam Agora apontem os seus dedos para mim e gritem - Prendam-no em camisas de força este homem que não merece o amor dos deuses E quem os merece? Ah... se ousaste a pensar sobre os deuses não falarias em nome do amor Que tipo de pai deixaria os seus filhos rastejando entre ratos e baratas tendo a morte como a sua última esperança? E não me venham gritar em meus ouvidos surdos - Tu não conheces os deuses! Matei o meu próprio irmão para provocar a ira de Deus Dancei com Cristo músicas de amor e luxuria deitei-me com os Anjos ao lado de Maria quando Deus concebeu a ela o símbolo da mentira Caminhei pelo inferno com os pés descalços e durante milênios eu não sabia o meu próprio nome Eu vi Sócrates chorar em seus momentos de duvida incentivei Pilatos a matar o traste na cruz! E mesmo após me banhar em pecados e luxuria Deus havia me perdoado castigando-me com a vida que eu nunca almejei Quantas vezes você não olhou no espelho e clamou de joelhos para que a morte não o salvaste deste tormento? Quantas vezes você não sentiu tanta dor que o desejo de morrer era o único sentimento puro em seu coração? E ao caminhar pela rua sentia não pertencer a essa espécie Buscou em mil livros a resposta para as suas angustia e ainda assim chorou em silencio sem que alguém pudesse compreende-lo Sinto-me assim todos os dias! o meu nome é Caim! e a minha maldição é viver! Clamo a ti Oh Deus Me coloque em uma camisa de força E me tranque nos cárceres privados Da minha própria mente ! Pois não há nenhum homem neste mundo capaz de cessar as minhas dores
Gerson De Rodrigues
De ahora en adelante solo iría a ver películas de amor, como las llamaban los grandes. Con muchos besos, muchos abrazos y donde todo el mundo se quisiera. Ya que solamente servía para recibir golpes, por lo menos podría ver a otros quererse.
José Mauro de Vasconcelos (O meu pé de laranja lima & Doidão)
Poema - Uma triste história de amor Há Muito tempo nos confins do universo existia uma triste história de amor A Morte se apaixonou pela solidão e deste amor improvável nasceu uma triste criança A Solidão não suportava a sua tristeza e todas as noites ela era atormentada por sua terrível melancolia A Morte ao escutar aquela criança chorar seus olhos embargavam-se de sangue O Universo estava em crise os deuses questionavam a sua própria divindade e a presença daquela inocente criança faziam os diabos chorarem Como em um conto de fadas ou em uma poesia de amor aquela criança trouxe a aquele mundo fantástico sentimentos de dor Mas que culpa tinha a pobre criança? O brilho em seus olhos expressavam a morte das estrelas e as suas asas tão belas eram negras como o próprio universo A Solidão nunca foi capaz de amar o seu próprio filho E a sua paixão pela morte era como uma sinfonia perfeita A Morte não roubava a sua Solitude e a solidão não entregava a Morte sentimentos de dor A Sinfonia de um relacionamento perfeito deu origem a uma criança maldita Com o universo em desequilíbrio a solidão pegou o seu próprio filho em seus braços e para não sacrificar a sua solitude a arremessou no mundo dos homens Essa criança sou eu... A Minha alma foi aprisionada no corpo de uma criança humana eu cresci no lar de uma família que nunca foi capaz de me amar Caminhei sozinho durante noites solitárias e as únicas coisas que me atraiam eram as sinfonias das estrelas ao se apagarem Eu sou o filho bastardo da solidão e não há nada neste mundo capaz de preencher o vazio que existe em meu peito Se não fosse a música, o diabo que vive em mim já teria enlouquecido Eu passo noites de insônia acordado escutando as mais melancólicas sinfonias esperando que em uma bela manhã a morte venha me encontrar Deitado submerso em uma banheira repleta de água eu vejo o sangue dos meus punhos fundirem-se com a canção das estrelas A Solidão chorava por ter abandonado o seu próprio filho e aquela pobre criança que a muito tempo foi arremessada no mundo dos homens sorri pela primeira vez submersa em uma banheira de sangue
Gerson De Rodrigues
Faça-me o favor, por nada eu queria permanecer ali, em visita à sua velhice. Em visita ao meu futuro. A relação com os pais deveria ser menos obrigatória. E eu pensava, onde há amor em mim?
Paula Fábrio (Um Dia Toparei Comigo)
Mas em meio a essa serena felicidade me invadia, de quando em vez, uma profunda tristeza, pois sabia muito bem que isso não podia durar muito. Meu destino não era viver em paz e na abundância, mas na agitação e no tormento. Sentia que mais cedo ou mais tarde haveria de despertar daquelas gratas imagens de amor e achar-me novamente só, inteiramente isolado no mundo frio dos demais, onde só havia para mim luta e solidão e nunca amor ou compaixão.
Hermann Hesse (Demian)
Não consigo ser fria e calculista: meu coração é quente, meu amor é infinito e tenho fome de sentir
Alessandra Soletti
De manhã, ao atravessar os portões da escola, pura como ia com meu café com leite e a cara lavada, era um choque deparar em carne e osso com o homem que me fizera devanear por um abismal minuto antes de dormir. Em superfície de tempo fora um minuto apenas, mas em profundidade eram velhos séculos de escuríssima doçura. De manhã como se eu não tivesse contado com a existência real daquele que desencadeara meus negros sonhos de amor de manhã, diante do homem grande com seu paletó curto, em choque eu era jogada na vergonha, na perplexidade e na assustadora esperança. A esperança era o meu pecado maior.
Clarice Lispector (The Complete Stories)
(...) Irmãs, vos quero dizer da crueldade; daquela que utilizo, dia seguido de outro dia, mesmo comigo, mesmo de castigo, de agasalho. Crueldade serena, quotidiana, em que me dispo: com que me dispo; me visto, prossigo de indiferença, rigor. Que todo o rigor perante o homem será pouco e necessário é dizer-lhe isso. Não nos tomarão mais como guerreiros tomavam castelos em vitória, a fim de os habitar não só com leis, espada, mas também com vinho: vigor deles, abastança. Mulher: abastança de homem, sua semelhança, sua terra, seu latifúndio herdado. De secretas coisas acusarão o trio; nós os assustaremos na recusa de lhes sermos presa. (...) Me afasto - repito - de tudo o que me exige, me prende, ou simplesmente mesmo me prende a atenção, o riso, a disponibilidade. Como disponível de mim ou de mim livre? (porque surges meu amor sempre que me afasto? Porquê este perigo, este risco, este fio que sigo e te encontro em luta e desejo do outro lado?) (...) Quero-vos falar daquele homem que me disse durante uma longa tarde: «possuir-te só posso se vestida; de freira tu, se possível - acrescentou baixo desviando os olhos -, o hábito levantaria a enrolar-to nas pernas que me apareceriam virgens, despidas de pudor até às ancas, ao ventre desprotegido onde passearia demoradamente a língua. Possuir-te só posso se vestida; assim vestida - disse ainda e cada vez mais baixo - é assim que te quero violentar, mulher sem defesa e objecto. Deixa-me ao menos que te tenha numa igreja!» Eis este: outro exercício da paixão, Mariana então minha irmã em pretendido objecto, ambas nos afirmando, embora por medidas diferentes: eu afirmando-me recusando, ela afirmando-se aceitando. A submissão da mulher, pois; o domínio sobre ela como paixão-desejo, nunca porém desligada da posse, da violentação, esta mesmo se apenas simulada. - Frágeis no entanto são os homens em suas nostalgias, medos, rogos, prepotências, fingidas docilidades. Frágeis são os homens deste país de nostalgias idênticas e medos e desânimos. Fragilidade em tentativas várias de disfarce: o desafiar touros em praças públicas, por exemplo, os carros de corridas e lutas corpo-a-corpo. Ó meu Portugal de machos a enganar impotência, cobridores, garanhões, tão maus amantes, tão apressados na cama, só atentos a mostrar picha. Mais duras mais cruéis, mais rigorosas. - De lésbicas por isso nos chamarão: tendo nós de mulher deles apenas o corpo, não a vontade, o desgosto. Que de homens precisamos mas não destes. (...)
As 3 Marias
Não se iluda meu amor se o amor não lhe dei da flor que me pediu foi a lembrança que se fez O amor é efêmero Trato sem convicção Porém aos de nobre alma já foi guardado no coração Se triste te deixei perdoe-me por favor do amor que recebi te devolvo com paixão És linda por natureza uma flor sem igual se feliz foi o que tivemos não desperdice no final
Luis Vendramel (O Homem Mau, que morto buscou o céu (O ESCRITOR Livro 1))
Uma história de amor é como a história de um livro: a gente pode ficar fascinado pela capa e pela sinopse, mas só o desenrolar dos capítulos vai mostrar se a trama pegará ou não seu coração de jeito. O meu foi fisgado logo na primeira página.
Laura Conrado (Literalmente Amigas)
Em longas noites de amor Mergulho no teu amor. Absorvo tua pele molhada Em meu corpo cansado Exausto de amar você (Hannah Lessa)
Rafael de Barros Marinho (Frases românticas para você se apaixonar (Frases & Versos Livro 1))
Um dos meus passatempos na vida, é sentar em um banco de uma praça qualquer aonde passam bastante pessoas, gosto de sentar e observar os seres humanos. É Sempre possível observar o ‘’ Homem bem sucedido’’ de terno e gravata transitando com seu sorriso no rosto, a senhora com a bíblia na mão com esperança e amor nos olhos, a criança inocente que de nada sabe sobre a vida cuja sua preocupação é alimentar os pombos. Cada humano que observo percebo algo incomum, nenhum deles se preocupa com o que eu me preocupo, não consigo passar nem mesmo algumas horas sem refletir em o quão inútil nós somos perante o universo, ou como irei me portar no enterro da minha mãe – ou como meu filho irá se sentir diante da minha morte. A Habilidade que os seres humanos possuem em trabalhar como formigas, e sorrir como palhaços me parece um tanto quanto vantajosa a ignorância permite ao homem existir – pensem bem o que seria da humanidade se todos fossemos Niilistas? Sentado naquele banco observando os humanos que transitam sem parar, sinto-me como alguém que saiu da caverna de platão, e não consegue explicar aos outros a realidade fora dela. O Quão cruel eu seria? Como posso eu querer tirar do homem feliz a ignorância? Como posso eu tirar do homem a caverna que o protege da realidade. Então vivo sozinho fora da caverna observando aqueles que ainda vivem nela, lamento-me por aqueles prisioneiros que morrerão sem saber que em suas pernas haviam correntes....
Gerson De Rodrigues
A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo. Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas? Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho... Você que aí ficou, siga em frente, a vida continua, linda e bela como sempre foi.
Henry Scott-Holland
O tal do amor aberto da certo? O leitor indaga este destemido consultor sentimental à queima-roupa, em um encontro na estação Consolação: “O relacionamento aberto pode dar certo?”, tasca, com cara de quem está sendo passado para o último vagão dos homens no descarrilado e derradeiro metrô do amor e da sorte. “Ela propôs. Disse que é assim ou nada”. Tive dó daquela criatura. Pensei em jogar uma teoria, lembrar do poliamor, aqueles livraços sacanas do Roberto Freire, aconselhar a leitura de “A cama na varanda” da brava Regina Navarro Lins… A delícia que pode ser tentar sair por ai, à franciscana, sempre na base do é dando que se recebe. Fiquei tentado também a presenteá-lo com o bilhete único da obviedade rodriguiana: Meio amor não é amor, cai fora, se liga. Se fechado não funciona, imagina na base do “oh! rebuceteio”, como na ilustração acima do gênio italiano Milo Manara! O sujeito de meia idade, vestes invernosas puídas em plena primavera, exalava a naftalina de outras dores acumuladas no guarda-roupa: “Me ajuda”, disse, em um abraço de cortar coração, passarinha, fígado, moela e todos os miúdos da humanidade. Era uma dessas criaturas infelizes no amor. Ponto. Tentei reanimá-lo com aqueles clichês da esperança a qualquer custo que aprendi nos filmes de Frank Capra. Levei o desalmado para uma bisteca crepuscular no “Sujinho”, estabelecimento que sempre funcionou como a minha clínica sangrenta de psicanálise selvagem. Na primeira cerveja ele chorou por ela. Para tentar desconstruir minimamente o mito do amor romântico, perguntei: “Gostosa?” “A única que me levou ao nirvana!”, diz Roberto, na casa dos cinquenta, babando na bisteca, inconformado. “Amor aberto, amor aberto, amor aberto”, balbucia, obsessivo. “Amor aberto, amor aberto, amor aberto…” Realmente o amor aberto é uma beleza. Para o(a) dono(a) da iniciativa, da chave e do cadeado. Para quem decide abrir a cancela dos sentimentos, para quem grita primeiro pelo menino da porteira. O pior da proposta de amor aberto, fui obrigado a alertar o Roberto, é que pode ser um baita truque. Coisa de quem está apenas te largando para viver um aferrolhado e fidelíssimo amor com outro(a). Muitas vezes a tese do amor aberto não passa de uma desculpa menos dolorosa (menos?) para dizer que está indo embora. “Preciso ter o meu espaço etc”. Aquela coisa meio doutor Smith perdido nas galáxias dos sentimentos. Toda vez que escuto a expressão amor aberto, me fecho para balanço. Com a ajuda dos generosos garçons, coloquei Roberto num táxi rumo à praça da Árvore. Ele babava: “Amor aberto, amor aberto, amor aberto…” E você, amigo(a), já teve sim alguma experiência do gênero? Isso existe ou é penas coisa de livro e tese? Funciona? Digaí.
Xico Sá
Sem ´sujeirinhas´ não há amor É café sem cafeína, drinque sem álcool, doce sem açúcar, massa sem glúten, o que era com ficou sem. Ai tudo bem, o mundo está ficando muito limpinho e saudável mesmo. Mas perai. As paranoias de saúde, bem-estar etc, ok, compreendo. Afinal de contas o medo da Velha da Foice é legítimo, mora na filosofia desde priscas eras. Sexo sem cheiro é que não dá. Ah, não. Pare o mundo que eu quero descer, como cantava o profético Sylvio Brito. E cada vez mais ganha adeptos o sexo limpinho tipo aquele velho anúncio das havaianas: não solta as tiras e não tem cheiro. Como se a limpeza extremada livrasse de todo o mal, o pecado, amém. Havia escrito aqui neste blog do louco amor sobre os malucos que transam e correm para o chuveiro. Homens-flexas da assepsia. Nem aconchegam a nega sobre o lado esquerdo do peito, para que ela sinta as sístoles e as diástoles do acontecimento, um dos maiores prazeres da humanidade. Necas, o avexamento asséptico não deixa. Vupt. E haja ducha, escova de dentes, antisséptico bucal até no pau, senhoras e senhores. Fazer sexo e não sentir aquele cheiro, o original bom-ar de Deus desde o Gênesis, é passar pela vida e não fazer jus aos cinco sentidos que trouxe do berço. É ignorar um dos livros essenciais da humanidade, como o da capa que ilustra este post. Estou relendo. Recomendo a trilogia completa: Sexus, Plexus e Nexus. Havia tratado também sobre a turma do nojinho em relação aos pelos. A nada ecológica mania de decepar a Amazônia legal das moças. Tudo bem, até a amada Claudia Ohana já disse que mudou de estilo, não preserva mais o belo e misterioso bosque da Playboy dos anos 80. Depilar tudo bem, o que falo é dessa obsessão pela raspadinha radical. Baita infantilização do sexo, meu caro Sigmund? Cuidado higiênico, ótimo, é o mínimo. O que não dá é esse sexo extremamente asséptico ao ponto de eliminar todos os cheiros, melações e sujeirinhas naturalíssimas da arte milenar de fazer amor. É que li hoje uma reportagem na seção “Saúde & Equilíbrio” da Folha e fiquei espantado com os exageros. Muita gente caindo no conto da propaganda da turma do nojinho. Leia matéria completa aqui. Correr para tomar banho e fugir das sujeiras do amor, faz favor, é pior que fazer aquela selfie pós-sexo. Viver suja.
Xico Sá
Te vejo no Tinder, beijo, não me liga É cada uma nesses tempos de amores líquidos e escorregadios. Todo mundo se entende num clique de um curtir do facebook ou de um coraçãozinho inflamável em um aplicativo. Repare nessa pequena fábula de modernagem que ocorreu outro dia com uma amiga queridíssima e desejadíssima de SP. Depois de uns seis meses de peleja, paixão e poucos encontros –ele sempre ensaboado e fugidio como a maioria dos homens de hoje-, ela resolve se livrar da pequena tortura amorosa. Chega! Sem essa de pouca chuva no seu roçado. De secura/volume morto basta o da capital paulistana. Eis que a amiga, de saco cheio mesmo, resolve entrar no Tinder, essa brincadeira da grande comilança, como diz meu amigo Marco Ferreri. Logo na terceira opção da galeria do tesão clandestino, surge o cara, todo “se-achando” na fotinha de isca. Entre a surpresa e um risinho nervoso, a nega mandou um coraçãozinho para cima do desalmado. Não é que o miserável tinha flechado também a bela moça! Rolou o “match”, a coincidência que tem feito a alegria, pelo menos a alegria passageira, dos amantes de Internet. Poucas horas antes o infeliz-das-costas-ocas havia demonstrado o seu fastio, dito que não estava a fim, blábláblá e outras nove-horas. Só rindo mesmo, como ela fez ao me narrar a fábula moderna. Teria ficado com ciúme da presença da moça na farra do aplicativo, mesmo tendo dito que não estava no jogo com ela? A historinha me fez lembrar de uma frase do escritor norte-americano Jonathan Franzen, em um ensaio do livro “Como ficar sozinho” (Companhia das Letras, 2012): “O amor representa uma enorme ameaça à ordem tecnoconsumista, porque ele denuncia a mentira”. O ficcionista também mandou essa, que cairia tão bem no episódio real quanto o vestuário sexy da minha amiga: “O simples fato é que a tentativa de ser perfeitamente curtível é incompatível com os relacionamentos amorosos”. É. Pode ser. O que você acha, nobilíssimo leitorado?
Xico Sá
O que se diz para acabar o amor etc Revendo aqui “Manhattan”(1979), de Woody Allen, pela milésima vez. No que o filme me faz lembrar das legendas de fim de caso ou de amor etc. (“Manhattan”que está para Nova York como “Febre do Rato”, de Cláudio Assis, para o Hellcife. Inclusive na poesia em preto & branco. Assim como “Roma de Fellini para ambos). Rebobina, meu amor, rebobina. O que interessa aqui nessa crônica é o que é falado nos finais dos amores que se despedem. O que é dito no instante maldito do maldizer proscrito. O personagem de Woody despacha a Mariel Hemingway, graça-mor da humanidade, com a desculpa do desencontro de gerações. Típica história do tiozinho e da Lolita. Pé-na-bunda preventivo –essa história sempre acaba com o homem envelhecido em barris de bálsamo se fudendo. E muito. Desde que Nabokov criou esse belo inferno. Donde Woody, digo, seu personagem, troca a ninfeta por uma mulher mais velha com a qual pudesse discutir Nietszche e cinema cabeça. Que bobeira. Como se houvesse mulher mais ou menos madura na vida independentemente de idade. Mulher já nasce sabida. Sim, era complicado ficar com uma mulher que ainda faz “dever de casa”, como é falado no filme. Logo mais, o personagem de Woody (preguiça de achar seu nome no Google) também é desprezado pela mulher madura, que volta para o ex, um homem igualmente feio porém mais terno. “Descobri que eu o amo”, diz ela para o neurótico cara de tacho. Clássico. Vem alguém e só dispara o gatilho amoroso pelo ex. Ele corre para a Lolita. Ela está de partida para estudar teatro em Londres. Perdeu, maluco, já elvis. “Te quis tanto”, ela diz. “Agora não dá mais”. Os dizeres e os maldizeres do “the end” amoroso. O mais doloroso que ouvi, priscas eras, foi: “Você não me emociona mais”. E em uma noite fria do cão em São Paulo. As palavras finais doem mais do que todo crédito amoroso do final do filme. Reverberam meses no sótão do inconsciente, viram sonhos, buzinas de esquinas que nunca dobramos juntos. Com ou sem palavrões, mesmo com os mais delicados vocábulos dos homens que desejam evitar choro ou barraco, a legenda final é sempre um eco sem fim no juízo. Mesmo com o cínico e escroto lema “você merece algo melhor” etc. Até mesmo quando apenas o silêncio das refeições nos une milagrosamente, aquele “passa a salada”, dito por ela, nunca mais será um simples pedido por coisas estranhas, verdes e clorofiladas. O amor é um filme que começa com a legenda melhor do que é dito de verdade pelas bocas famintas. O amor é um filme que termina intraduzível pela falta de língua na boca para o menor dos beijos possíveis. E você, amigo(a), o que ouvi de pior que ainda hoje ecoa na cabeça-filme?
Xico Sá
Sem piti não há amor, meu guri Você não aguenta meu primeiro piti-mulherzinha, já corre daqui”, disse ela. “Que homem é esse, meu Deus?”, completou. Cronista bisbilhoteiro, acompanhava a D.R. no bar e bodega Cameroon, de Mossoró (RN), onde estive para a X Feira do Livro. Aliás nem chegou a ser uma discussão de relação. O cara já fugiu, deu linha. (E olhe que é difícil sair do Cameroon, um daqueles bares onde você encontra bons malucos falando de literatura russa como quem trata do Fla x Flu de domingo ). Piti. Além de achar essa palavra “piti” genial, continuei a ouvir a moça,-uma dessas morenas sem igual que a gente só encontra na Chapada do Apodi e arredores. Agora ela desabafa com duas amigas, depois de uns bons goles no azuladíssimo copo de tiquira: “Quando corre do primeiro piti vejo logo que não tem futuro”, diz. “Imagina numa crise mesmo, coisa mais do que comum na vida dos casais, imagina na hora do parto”. Realmente ninguém aguenta o mínimo queixume ou discussão. Vaza. Preguiça geral para o exercício primário da convivência. “Ah, você é louca”, normalmente manda o macho, sem argumento e de bode para o namoro, caso, cacho etc. Pega a reta e põe a perder qualquer possibilidade de laços de ternura. E assim, de raso em raso, até conhecerá o sexo, mas nunca o grande erotismo que se chama intimidade. (Garçom, mais tiquira, por favor, a pioneiríssima aguardente indígena). Se não aguenta “os distúrbios secundários da histeria”, como a definição do “Aurélio” para o pitianismo, imagina a humaníssima histeria de fato e de direito. Ah, sim, o piti não é exclusividade feminina. O colérico macho enciumado, vade retro Satanás das Costas Ocas, é uma praga. A crônica, porém, começa e termina com o piti-mulherzinha, como diz nossa amiga que motivou aqui a nossa prosa. Antes um bom piti do que apenas o mimimi da rapaziada cada vez mais ao estilo MacunaEmo –tem a preguiça do Macunaíma e o chororô de um jovem roqueiro Emo. Não há amor com 100% de bons modos e obediência cega aos manuais de etiqueta. Sem piti não há amor, meu guri.
Xico Sá
Amar é tirar uma sesta imoral e imodesta Minha ideia de amor é a mesma ideia de um bela sesta ou siesta. Depois daquele almoço gostoso ou do almoço possível, seja com requinte ou aquele mexidinho do free-jazz mineiro com as sobras completas, como o arroz-de-puta, as sobras de todas as geladeiras, seja como for, uma refeição decente, uma delicadeza quentinha para o estambo, estômago, haja conforto, não há pobreza em minha alma que resista ao air-bag da plenitude gástrica –dessas coisas elaboradas que um matuto do Crato aprende com a sabedoria lacaniana. Corta. Minha ideia de amor e revolução é a ideia de nouvelle vague de siesta. Aquela refeição, um barulho da metrópole ou uma elipse da mesma dita cuja, uma tarde na Várzea, Recife, Pernambuco, só nos dois e as obras completas jiboiando sem necessidade de citações ou rodapés para as teses da UFPE, pronto. Minha ideia de amor é… O que fizemos de nós dois analfabetos completos de nosotros? Amor é Mobral. Amor é nunca saber nada, naenderthal. Corta para sinais primitivos nas grutas de nós dois. Só a siesta salva a ignorância amorosa. Siesta é mãe, viagem amorosa, fragmentos do discurso amoroso, rapay. Na capacidade de dormir 30 minutos depois das refeições está a ideia de cinema, de sonhar como em um filme de Buñuel, o único cara que interessa a essa altura. Buñuel é cinema de siesta, compay, todo mundo sabe mas nem todo mundo diz. A mesma ideia de suspeitas masturbações sem imagens óbvias. Amar é inventar um enredo mínimo para as próximas acontecências na cama. Minha ideia de siesta, e tirar uma siesta é mais revolucionário que o mais menino dos black blocks, é a ideia de uma siesta que mate o capitalismo pelo menos meia hora por dia, ora ora. Engana-se quem acha que combate o capitalismo com o mesmo enfrentamento burro dele –AH O TRABALHO IDIOTA!!! Todo trabalho é alienação em estado bruto. Só o sonho vago, que não serve sequer para uma sessão de análise, mata o capital do nosso juízo. Só o sonho vago da prole, o jogo do bicho como morte de Freud, como sonhar e jogar no cachorro na dezena 17, ora porra, independentemente dos falso enevoados. Não há revolução no trabalho. Engana-se. Além de levar as bordoadas de quem é pago pelo Estado e pelo Capital pra bater sem dó nem piedade. Só a vagabundagem das intermináveis siestas embute a contradição do capital babaca. A revolução é não se entregar ao trabalho, ou você acha que tem diferença de ser escravo da imprensa burguesa ou da imprensa independente, mesmo morrendo de fome? Quem vai pagar a conta? Mudando de assunto sem mudar de tema. Quando um black bloc quebra uma vitrine de luxo está apenas comungando do mesmo fetiche burguês. O papai também ama aquele Hyundai, se é que você me entende na psicanálise mais rastejante do meu mundo tatu-peba. No que vos digo, como naquela velha crônica paleolítica: Como é bom tirar uma sesta, abaixar a cortina e dar um risinho safado para o capital que se esborracha lá fora; como é bom, mesmo para um falido, ajeitar os travesseiros –de palha ou de pena de ganso- e cerrar os olhos para sonhos pequenos. Uma sesta à sombra da toda-poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, aqui perto do meu esconderijo; uma sesta com as janelas abertas na rua da Aurora, a rua mais linda do mundo, de onde avista-se Beberibes, Capibaribes, Áfricas, Tongas e Polinésias… A minha sesta ibérica, como na origem do costume, lá no Juazeiro e Crato. Como é bom tirar uma sesta com uma nega enroscada aos pés, sono leve de conchinha, colherzinha e quetais. Mas os dois precisam estar no espírito da sesta. Uma alma em desassosego acaba com qualquer sesta, sesta-de-favor não vale, sesta, siesta, carece de savoir faire… Um gato ali pelas nossas costelas –opa!, um felino de carne e osso, um bichano- que delícia. Numa sesta não vale sonhos épicos, apenas sonhos pequenos, daqueles que a gente realiza num piscar de olhos. Ou simplesmente deixa para lá. Ridículo correr desembestadamente a...
Xico Sá
Sonhos são filmes grátis, que vemos deitadinhos, sem o barulho ridículo de pipoca ou de gente. “Ei, morena linda que passa, vamos ao cinema?” Ai trago ela para a sesta. Cinema é travesseiro e pezinho colado. Os sonhos são feitos pelos cineastas mortos, jeito de ocupar-lhes no purgatório. Coisa da aliança espúria de Deus e do Diabo. Sesta: modo de usar. Quanto dura uma sesta? O ideal é que não se faça o uso do despertador, que não seja um curta-metragem, que seja um filme que se durma nele inteirinho, que se beije o olho de quem dormir primeiro, como sempre guardo as minhas mulheres, até com uma rezinha baixinho para nunca acorda-las e sempre protege-las, ô Deus guarde essa costela colada à minha e que esse suorzinho seja o superbonder possível, a resina mais grudenta, que nos livre do fim, amém. Mas o amor acaba, meu filho, sopra um anjo pousado no ombro de Paulo Mendes Campos, que me diz baixinho, sossega, menino, esse coração. A sesta com a bênção das mulheres e da minha mãe. “Meu filho, durma pelo menos uma meia horinha depois do almoço”. Minha mãe chorava, no dia em que fui embora, mas nada dizia além da receita da sesta. Mulher de coragem: deixar aquele graveto, só o couro e o osso, ganhar a estrada apenas com uma rede que ela botou no fundo da mala… Como eu queria achar de novo essa rede e tirar a maior das sestas, mas troquei por alguma coisa, vício, comida, sei lá, entre uns desalmados de um cortiço do Recife, num sótão ali na Barão de São Borja. Até quando a usei, era uma rede que balançava lágrimas e meus chinelos sempre acordavam boiando de manhã.
Xico Sá
Amor & sexo em tempos de Copa Na festa da Copa, o “a gente se vê”, tema recorrente aqui neste blog, se torna mais grave ainda. A fuzarca ludo-etílica pode até estimular novos possíveis casais, promover bons encontros, flertes, namoricos, rapidinhas… Sem se falar nas ficâncias globalizadas em geral –os argentinos e holandeses, por exemplo, estão em alta com as gazelas na cidade do Rio de Janeiro no momento. O xodó de Copa, nacional ou estrangeiro, é o maior festival de “a gente se vê”de todos os tempos. Nada fica, nem o amor daquela rima antiga. Fica tudo na base do “a gente se vê”… E adeus! Não que fosse acontecer um casamento ou algo do gênero a partir daquele encontro, nada disso, mas foram encontros bonitos, fortes, que se acabam ali mesmo, na poeira da estrada, numa tarde fria, em um café da manhã, numa simples despedida. Óbvio que o mês da Copa só amplia um sintoma moderno da época. Homens e mulheres vivem hoje a arte do desencontro, com ou sem a festa futebolística. “A gente se vê.” Pronto, eis a senha para o terror, o “never more”, o nunca mais do corvo do escritor Edgar A. Poe. A gente se vê. Corta para uma multidão na avenida Atlântica, ai de mim Copacabana. A gente se vê, corta para uma manifestação na avenida Paulista, com ou sem vândalos, com caras limpas ou mascarados, mas sempre com o gás lacrimogêneo para aumentar o chororô do cronista. A gente se vê. Corta para uma saída de Castelão ou Mineirão lotadose. A gente se vê. Corta para “onde está Wally”. De um casinho de Copa, tudo bem, acontece, faz parte do jogo. Na normalidade dos dias, porém, nada mais detestável de ouvir do que essa maldita frase. Logo depois a porta bate e nem por milagre. Jovens mancebos, evitem essa sentença mais sem graça. Raparigas em flor, esqueçam, esqueçam. Melhor dizer logo que vai comprar cigarro, o velho king size filtro do abandono. Melhor dizer que vai pra nunca mais. Melhor o silêncio, o telefone na caixa postal, o telefone desligado, o desprezo propriamente dito, o desprezo on the rock´s. A gente se vê uma ova. Seja homem, troque de palavras, use o código do bom-tom e da decência. A gente se vê é a mãe, ora, ora. Como canta o Rei, use a inteligência uma vez só, quantos idiotas vivem só… Esse “a gente se vê” deveria ser proibido por lei. Constar nos artigos constitucionais, ser crime inafiançável no Código Penal. Alô STF, homens de toga, ponham na pauta. A gente se vê é pior do que a gente se esbarra por ai. Pior do que deixar ao acaso, que jamais abolirá a saudade, que vira uma questão de azar e sorte. Melhor dizer logo “foi bom, meu bem, mas não te quero mais”. YO NO TE QUIERO MAS, como na camiseta mexicana que ganhei de una hermosa chica. Dizer foi bom meu bem e pronto, ficamos por aqui, assim é a vida, sempre mais para curta do que longa-metragem. A gente se vê é a bobeira-mor dos tempos do amor líquido e do sexo sem compromisso. A gente se vê é a vovozinha, ora! Seja homem, seja mulher, diga na lata. Não engane a moça, que a moça é fino trato, que não merece desdém. A fila anda, jogue limpo. A gente se vê. Corta para uma multidão no show do Morumbi. A gente se vê. A gente se vê. Corta para a multidão no Campo de Marte. A gente se vê. Corta para o formigueiro do Maracanã. A gente se vê. Corta para a São João com a Ipiranga. A gente se vê. Corta para um engarrafamento gigante na marginal do Tietê… A gente se vê. Então aproveita e vai olhar se eu estou na esquina!
Xico Sá
Copa: a vingança dos corações solitários Bendita abertura da Copa que acabou com o massacre romântico dos pombinhos”, discursa uma bela e exaltada moça, põe gostosa nisso, meu chapa!, aqui no La Boca, um extraordinaríssimo boteco bunda-pra-fora de Copacabana. Um breve parêntesis antropológico: bunda-pra-fora é aquele típico e pequeníssimo ambiente familiar carioca no qual o freguês bebe no balcão com o traseiro para a rua, lua e alhures. SP tem os pés-pra-fora; Rio tem os bundalelês ao relento. Bendita Copa, mandava a incrível criatura de calça vermelha –ah, como cai bem uma calça vermelha em uma fêmea. Na contramão geral do negativismo, a doença infantil que tomou conta de milhões de brasileiros, a nega exaltava o mundial de seleções. Por uma razão nada ludopédica, zero futebolística. Pelo que entendi, bisbilhotando a conversa alheia –missão primeira de um cronista de costumes- a magnífica morena havia tomado um pé-na-bunda recentemente. Para quem ainda vive o honesto e quase obrigatório luto de um relacionamento, o dia dos namorados é mais massacrante ainda. A nossa bela desconhecida mascava, era notório, o jiló da solidão. Ainda bem que a maldita data não vai vingar este ano, entrei na conversa, conselheiro sentimental vocacionado que sou. Ainda bem que esta maldita data de hoje foi engolida pela fome de bola. Ainda bem. O dia dos namorados, pedi a pelota, para continuar com o meu lirismo populista: é um massacre publicitário do demo, uma humilhação, a ditadura do casalzinho feliz. Feliz ou supostamente feliz. Feliz ou não se aguentando mais, apesar de cumprir, falsamente, os rituais. Quantos casais não estarão hoje, mesmo com Copa, teimando contra a espontaneidade e contra a vida. Quantos casais não estarão hoje em completo silêncio, sem mais nada para um pombinho arrulhar ao outro, ouvindo apenas o tilintar dos talheres naquele bistrô onde um dia tudo começou lindamente?! Quantos homens terão que passar na farmácia e comprar os estimulantes sexuais para fazer aquele sexoxim obrigatório e sem amor?! Apenas para cumprir o serviço obrigatório da data! É triste, mas temos que lembrar da melhor crônica sobre esse tema de todos os tempos, escrita pelo gênio mineiro e botafoguense Paulo Mendes Campos: “O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas.” É, amiga, o dia publicitário dos namorados é mesmo um massacre. Amor, verdadeiro ou falso, vende, romantismo é o melhor camelô da praça, sempre. A solidão, amiga do La Boca, não vende celulares e outros badulaques modernos. Que massacre. Celulares com planos para falar de graça (hello!) cem anos com a pessoa amada! Como se o amor não acabasse. Vai ter Copa. E quem mais ganha com isso hoje são os solitários envergonhados de expor o olhar de “bom dia tristeza” por ai afora. Viva a dispersão em massa da Copa, como bradava a musa do La Boca –si, botequim em homenagem ao time argentino, por supuesto. Esse golpe publicitário de antecipar o dia dos pombinhos não deu certo mesmo. Hoje é dia da suruba coletiva. A Pátria em shortinho verde e amarelo.
Xico Sá
Amor em Rios Ah Rio de janeiro Devolvas meu amor! Tu tens samba? Sei que tens E o mar é o mais bonito Tuas praias? Sem iguais Mas meu amor, que tem com isso? Se a tentas com paisagens Como o Cristo redentor Saiba que à minha terra pertence O Lacerda e o Pelô Saiba bem que nada disso Tentará ela a ficar Pois tudo que por mim sente Bem maior é que o Cristo Bem mais belo é que as praias E bem mais profundo é que o mar...
@gê_tregelles
No pinga-pinga do amor líquido Ou Oração subordinada às moças e aos rapazes de boa vontade. Domingo gelado, coração idem, posta a amiga da Vila Tolstói, ZL, São Paulo. Pergunto sobre casos, namoricos, ficâncias, encontros do Tinder e outros eventuais acontecimentos do pinga-pinga do amor líquido. A nega andara fazendo bom-uso do Tinder, na leveza, sem preconceito. W., porém, não está nada bem. A frequência e o vazio dos encontros, relata, a deixou numa ressaca dos diabos. Tento a demover pelo menos da parte moral do desespero –ainda não criaram o Engov da culpa. O domingo gelado não deixa. Dá mole para a tristeza em um final de domingo é o mesmo que botar o enfezado bode sartriano para tomar conta do capinzal da existência. Com algum desdém, mas querendo ouvir de novo, W. pede que leia para ela ou envie por email uma velha crônica sobre os descrentes no amor. A miseravona ainda chama de “auto-ajuda chique”, só para me irritar um pouquinho de nada. Seja o que for, nesse domingo gelado de coração idem, ai vai minha oração subordinada às moças e aos rapazes de boa vontade; Triste de quem fica desiludido(a) e evita outro amor de novo, cai no conto, blasfema, diz “tô fora”, já era, tira onda, ri de quem ama, pragueja e nunca mais se encontra dentro das próprias vestes. Como se o amor fosse um quiosque de lucros, a bolsa de mercadorias e futuro, um fiado só amanhã, um comércio. Como se dele fosse possível sair vivo, como nunca tivesse ouvido aquela parada de Camões, a do fogo que arde e não se sente, a da ferida, aquela sampleada por Renato Russo. Triste de quem nem sabe se vingar do baque, sequer cantarola, no banheiro ou no botequim, “só vingança, vingança, vingança!”, o clássico de Lupicínio, o inventor da dor-de-cotovelo, a esquina dos ossos úmero com os ossos ulna (antigo cúbito) e rádio, claro, lição da anatomia e da espera no balcão da vida. Tudo bem não querer repetir, com a mesma maldita pessoa, os mesmos erros, barracos e infernos avulsos e particularíssimos. Triste de quem encerra o afeto de vez, como se aquela mulher e/ou aquele homem “x” fossem fumar o king size -duvidoso e sem filtro- lá fora e representassem o último dos humanos. Chega do mané-clichê: todos os homens ou mulheres são iguais. Argh. São, mas não são, senhoras e senhores. Cada vez que uma folha se mexe no universo a vida é diferente – acho que roubei isso da arte zen de consertar motocicleta. Todos os machos e todas as fêmeas são novidades. Podem até ser piores, uns mais do que os outros, porém dependem de vários fatores. Não adianta chamar o garçom-do-amor e passar a régua para sempre por causa de apenas um traste. Como se esta miserável criatura representasse a parte pelo todo da panelinha do mundo. Já pensou quantos amores possíveis você estaria dispensando por essa causa errada? E quem disse que amor é para dar certo? Amor é uma viagem. De ácido. E tem mais: a única vacina para um amor perdido é um novo amor achado. Vai nessa, aconselho! Só cura mesmo com outro. Mesmo que um placebo. Muitas vezes não temos o amor da vida, mas temos um belo amor da semana, da quinzena, que de tão intenso e quente logo derrete. Foi bonita a festa, pá e pronto. Vale tudo, só não vale o fastio e a descrença. Levanta desta ressaca amorosa, meu Lázaro, minha Lázara.
Xico Sá
Eu não acredito em Deus. Consegue entender isso? Olhe ao seu redor. Não consegue ver? O clamor e o lamento daqueles atormentados tem que ser o som mais agradável ao seu ouvido. E eu detesto essas discussões... O argumento de um ateísta cuja única paixão é insultar interminavelmente aquilo que ele nega a existência, antes de mais nada. Sua sociedade é uma sociedade de dor e nada mais. E se essa dor for coletiva ao invés de meramente reiterativa, o peso disso iria arrancar o mundo das paredes do universo e enviá-lo aos pedaços e queimando através de qualquer escuridão que pudesse ainda ser capaz de engendrar até que não sobrasse nada além de cinzas. E a fraternidade, a justiça, a vida eterna? Meu Deus. Mostre-me uma religião que prepara alguém para o nada, para a morte. Essa é uma igreja que eu poderia entrar. A sua prepara apenas para mais vida, de sonhos, ilusões e mentiras. Se banir o medo da morte do coração dos homens eles não viveriam um dia. Quem iria querer esse pesadelo a não ser pelo medo do futuro? A sombra do machado paira sobre todo prazer. Todo caminho termina em morte, toda amizade, todo amor. Tormento, perda, traição, dor, sofrimento, idade, indignidade, prolongada doença horrível... e tudo isso com um único fim para você para cada um e para cada coisa que você escolheu para proteger. Essa é a verdadeira fraternidade, a verdadeira comunhão. E todo mundo será um membro por toda a vida. Você me diz que meu irmão é a minha salvação? Minha salvação? Bem, então, que ele vá pro inferno! Vá para o inferno de todas as formas, aparências e modos. Eu me vejo nele? Sim, eu sei. E o que vejo me enoja. Você me entende? Você pode me entender?
Cormac McCarthy (The Sunset Limited)
Quem me dera poder fazê-lo entender que um coração cheio de amor é um tesouro, é tesouro que baste e que sem ele o intelecto é uma pobreza. (…) Porque o amo, então? Acho que é unicamente porque ele é masculino. No fundo ele é bom, e eu amo-o por isso, mas poderia amá-lo mesmo que ele não fosse. Caso ele me batesse ou abusasse de mim, mesmo assim ainda continuaria a amá-lo. (…) Ele é forte e bonito e amo-o por isso e admiro-o e tenho orgulho nele. Mas também poderia amá-lo se não tivesse essas qualidades. Se ele fosse dor, eu amá-lo-ia. Se ele fosse um destroço, eu amá-lo-ia. E trabalharia para ele e seria sua escrava e rezaria por ele e velaria à sua cabeceira até à hora da minha morte. Sim, creio que o amo simplesmente porque ele é meu e é masculino. (…) A vida sem ele, não seria vida, ora como poderia aguentá-la? Esta prece também é imortal e não deixará de ser dita e pensada enquanto a minha espécie subsistir. Eu sou a primeira esposa e na última esposa estará a minha réplica.
Mark Twain (The Diaries of Adam and Eve)
Espero que não pense que sou um monstro por escolher minha vida, ao menos uma vez. Foi preciso deixar meu sonho e meu amor morrerem para que eu percebesse que ainda estava viva. Só sei que não posso continuar naquela personagem, aquela versão mal-acabada de mim, um zumbi que se perdeu. Tudo o que preciso é de uma chance de sair desse beco no qual me encontro. Entenda, há coisas que, depois que descobrimos, nunca mais nos deixam voltar atrás. Não é como se você pudesse esquecer aquilo o que aprendeu.
Ben Oliveira
Si hi havia una cosa que sabia de debò, des de la boca de l'estómac al moll de l'os, des del cap fins a les plantes dels peus, des de la profunditat del forat del meu pit, era que l'amor dóna als altres el poder de destruir-te. I a mi m'havien destruït sense reparació possible.
Stephenie Meyer (New Moon (The Twilight Saga, #2))
Quem é Deus? A resposta não é simplesmente “Deus é o criador do mundo”. Deus não é somente alguém que está presente no mundo inteiro. Deus não é somente aquele que é Todo-poderoso. Mais que tudo, Deus é amor. Essa é a resposta! E João continua: “Se vocês, pais, que são fracos, amam seus filhos,muito mais o Deus nosso Pai nos amará!” Então, os discípulos perguntam a Jesus como rezar. E o que Jesus diz? “A coisa mais importante quando você rezar a Deus é: não o chame de Deus, não diga ‘o Todo-poderoso’, não diga ‘aquele que está em toda parte’. Simplesmente diga:‘você é meu Pai’”. Não é lindo isso? Qual outra religião chama a Deus de Pai? Nenhuma outra. Quando eu rezo pela libertação de uma pessoa, eu não faço grandes orações de exorcismo. A minha oração favorita é o Pai-Nosso! A oração que começa quando chamamos Deus de Paizinho e termina quando dizemos: “porque você é meu Papai, livra-me dos meus inimigos, livra-me de todos os ferimentos da minha vida!” O começo e o final são os trechos mais importantes dessa oração.
Padre Rufus Pereira (Eu lhes trago melhora e cura)
(...) "Seja lá o que você estiver pensando, é melhor tirar dessa sua cabecinha tola agora mesmo". Só que não estava na minha cabeça, estava em meu coração, e foi ela mesma que me disse que, se era pra seguir alguma coisa, melhor que fosse o coração.
Courtney Summers (Sadie)
— Porque, disse ela com exaltação, porque, se há uma felicidade indefinível em duas almas que ligam sua vida, que se confundem na mesma existência, que só têm um passado e um futuro para ambas, que desde a flor da idade até à velhice caminham juntas para o mesmo horizonte, partilhando os seus prazeres e as suas mágoas, revendo-se uma na outra até o momento em que batem as asas e vão abrigar-se no seio de Deus, deve ser cruel, bem cruel, meu amigo, quando, tendo-se apenas encontrado, uma dessas duas almas irmãs fugir deste mundo, e a outra, viúva e triste, for condenada a levar sempre no seu seio uma ideia de morte, a trazer essa recordação, que, como um crepe de luto, envolverá a sua bela mocidade, a fazer do seu coração, cheio de vida e de amor, um túmulo para guardar as cinzas do passado! Oh! deve ser horrível!...
José de Alencar (Cinco Minutos)
Eu deveria ter respeitado meu tempo. Eu deveria ter crescido antes de engatinhar na sua direção. Eu deveria ter encarado o meu luto, curado minhas feridas e enfrentado os meus demônios antes de desbravar um novo amor. E também antes de afogá-lo com esse mar de questões que ainda não tinham sido resolvidas, que ainda não foram resolvidas, dentro de mim.
Juan Jullian (Querido Ex, (que acabou com a minha saúde mental, ficou milionário e virou uma subcelebridade))
O que existe entre nós está para além do amor, Fainne. Ele é meu marido, meu amante e amigo, aquele a quem eu posso confiar os meus maiores segredos. Espero que um dia também tu tenhas a alegria de encontrar um parceiro assim, pois nada é mais importante.
Juliet Marillier (Child of the Prophecy (Sevenwaters, #3))
Deixe o tempo transformar o meu amor em lembrança. Deixe a lembrança te transformar em passado. Deixe o passado se livrar do que não presta. Deixe o que não presta longe de mim. Amém.
Bruna Vieira (Depois dos quinze: Quando tudo começou a mudar)
Meu Deus um dia mostras-te ao duvidoso Tomé as marcas nas Tuas mãos e no Teu lado, marcas do teu amor por nós. Um dia, porque crestes em nós, nos confiando a Grande Comissão, mostraremos a Ti as marcas em nosso corpo e alma, marcas do nosso amor por Ti.
Luís Alexandre Ribeiro Branco (Aforismo)
DISPERSÃO Perdi-me dentro de mim Porque eu era labirinto, E hoje, quando me sinto, É com saudades de mim. Passei pela minha vida Um astro doido a sonhar. Na ansia de ultrapassar, Nem dei pela minha vida… Para mim é sempre ontem, Não tenho amanhã nem hoje: O tempo que aos outros foge Cai sobre mim feito ontem. (O Domingo de Paris Lembra-me o desaparecido Que sentia comovido Os Domingos de Paris: Porque um domingo é familia, É bem-estar, é singeleza, E os que olham a beleza Não tem bem-estar nem familia). O pobre moço das ansias… Tu, sim, tu eras alguem! E foi por isso tambem Que te abismaste nas ansias. A grande ave dourada Bateu asas para os ceus, Mas fechou-as saciada Ao ver que ganhava os ceus. Como se chora um amante, Assim me choro a mim mesmo: Eu fui amante inconstante Que se traíu a si mesmo. Não sinto o espaço que encerro Nem as linhas que projecto: Se me olho a um espelho, érro— Não me acho no que projecto. Regresso dentro de mim, Mas nada me fala, nada! Tenho a alma amortalhada, Sequinha, dentro de mim. Não perdi a minha alma, Fiquei com ela, perdida. Assim eu choro, da vida, A morte da minha alma. Saudosamente recordo Uma gentil companheira Que na minha vida inteira Eu nunca vi… Mas recordo A sua bôca doirada E o seu corpo esmaecido, Em um halito perdido Que vem na tarde doirada. (As minhas grandes saudades São do que nunca enlacei. Ai, como eu tenho saudades Dos sonhos que não sonhei!…) E sinto que a minha morte— Minha dispersão total— Existe lá longe, ao norte, Numa grande capital. Vejo o meu ultimo dia Pintado em rôlos de fumo, E todo asul-de-agonia Em sombra e àlem me sumo. Ternura feita saudade, Eu beijo as minhas mãos brancas… Sou amor e piedade Em face dessas mãos brancas… Tristes mãos longas e lindas Que eram feitas pra se dar… Ninguem mas quís apertar… Tristes mãos longas e lindas… E tenho pena de mim, Pobre menino ideal… Que me faltou afinal? Um élo? Um rastro?… Ai de mim!… Desceu-me nalma o crepusculo; Eu fui alguem que passou. Serei, mas já não me sou; Não vivo, durmo o crepusculo. Alcool dum sôno outonal Me penetrou vagamente A difundir-me dormente Em uma bruma outonal. Perdi a morte e a vida, E, louco, não enlouqueço… A hora foge vivida, Eu sigo-a, mas permaneço… . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Castelos desmantelados, Leões alados sem juba… . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Paris—Maio de 1913.
Anonymous
Tenho um dragão que mora comigo. Não, isso não é verdade. Não tenho nenhum dragão. E, ainda que tivesse, ele não moraria comigo nem com ninguém. Para os dragões, nada mais inconcebível que dividir seu espaço - seja com outro dragão, seja com uma pessoa banal feito eu. Ou invulgar, como imagino que os outros devam ser. Eles são solitários, os dragões. Quase tão solitários quanto eu me encontrei, sozinho neste apartamento, depois de sua partida. Digo quase porque, durante aquele tempo em que ele esteve comigo, alimentei a ilusão de que meu isolamento para sempre tinha acabado. E digo ilusão porque, outro dia, numa dessas manhãs áridas da ausência dele, felizmente cada vez menos freqüentes (a aridez, não a ausência), pensei assim: Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo. Isso me pareceu grandiloqüente e sábio como uma ideia que não fosse minha, tão estúpidos costumam ser meus pensamentos. E tomei nota rapidamente no guardanapo do bar onde estava. Escrevi também mais alguma coisa que ficou manchada pelo café. Até hoje não consigo decifrá-la. Ou tenho medo da minha - felizmente indecifrável - lucidez daquele dia.
Caio Fernando Abreu (Os Dragões não Conhecem o Paraíso)
E quando olho para seu rosto, um rosto que conheço melhor que o meu, sei que para ela fui igualmente ou até mais importante. E isto significa mais para mim do que alguma vez poderei explicar.
Nicholas Sparks (Diário de uma Paixão: Uma das mais emocionantes e intensas histórias de amor)
Quando te vejo agora - movendo-se lentamente com uma nova vida crescendo dentro de você - espero que saibas quanto significas para mim e como este ano foi especial. Nenhum homem é mais abençoado do que eu, e amo você de todo o meu coração.
Nicholas Sparks (Diário de uma Paixão: Uma das mais emocionantes e intensas histórias de amor)
Meu amor pelo cinema é mais importante do que qualquer moral
Alfred Hitchcock
Status amoroso: em um rolinho primavera Não estou em um relacionamento sério. Prefiro um relacionamento ligeiramente mais escrachado. Algo assim meio Buster Keaton e seus filmes cheios de gags, corridas, quedas, fugas. Com um pouco do Chaplin das musas levemente vesgas de zolhinhos revirados. Pensando bem, a partir da meia-noite desta sexta, na virada do falso inverno para a legítima estação das flores, meu status amoroso também muda: estarei em um rolinho primavera. Nem tanto à austeridade do sério, nem tanto à safadeza mais clandestina dos amores líquidos. Rolinho primavera, como a entrada da culinária chinesa. Mais do que um cacho, um bom enrosco que admite mãos coladas no cinema, almoços dominicais demorados, beijos na boca em público e viagens para o mar. Rolinho primavera com molho vermelho agridoce e direito a contar como foi seu dia. Se um motorista irresponsável te manchou de lama da rua o vestido colorido, fdp, o xingamos juntos. Se teu chefe te sacaneou… colo, dengo, cafuné e alguma filosofia de consolação. Rolinho primavera é o que há em matéria de status dentro e fora das redes sociais. Não tem o peso da seriedade ou da hipocrisia. Tampouco o carrego da infinitude. Pode ser mais longevo, mas também pode ser até que o pecado do verão nos separe. Não se pede mais em namoro. Não está fácil para ninguém, colega. Pelo menos seguimos lindamente enrolados nesta primavera.
Xico Sá
O partido dos corações partidos A velha política, livre de qualquer novidade, pega fogo, com toda sorte de mistificação e preconceito. A velha política pede abrigo no coração das trevas. Mas o que interessa, nesse momento, é o coração partido de Carolina, ainda menina para um amor tão punk-rock. Ela me escreve e diz que achava que a dor, nestas ocasiões, era apenas simbólica. Ela diz que dói no osso, nas articulações, na sola dos pés, do-in às avessas etc. Sim, moça, dói como quem tem uma bala alojada no corpo. Dói como uma bala alojada em noite de inverno. Como faz? Eu digo: passa, não se avexe, mas tem o tempo disso, o luto, o processo. Ela pergunta: quanto tempo? Só o vento sabe a resposta, digo, num mix de J.M. Simmel e Bob Dylan. O partido de Carolina é o do mais óbvio e destroçado coração partido. Tem remédio? Se a vida dói, drinque caubói, receito, diante da gravidade da hora. Carolina sequer levou um pé-na-bunda, não rolou sequer o velho kichute do desprezo em desleais pontapés. Carolina conta: simplesmente tomou conhecimento que o miserável das costas ocas já havia mudado de mala e cuia para a casa da outra sem sequer avisá-la do triste ocorrido. Soube por uma amiga da amante. Se a vida dói, drinque caubói, repito meu velho mantra. Tente também a psicanálise, a terapia tradicional, a macumba, os florais, a tarja preta, a reza forte, os deuses que dançam em todas as tabas, florestas e terreiros. Nada disso vai dar jeito imediato, mas tente, menina, tente. A gente precisa ter uma ilusão de cura nesse momento. Viver também é placebo. Os amigos de esquerda, os colegas de direita, os queridíssimos anarquistas tentam falar de eleições com Carolina. Não tem jeito. Seu coração partido está imune a discursos. O partido do coração partido não consegue fazer alianças oportunistas. Não há segundo turno para os partidários do vexame amoroso. Carolina escuta Françoise Hardy (na foto), Cat Power, Patty Smith, Tom Waits, Wander Wildner, Tatá Aeroplano e Robertão das antigas -“Olha, dentro dos meus olhos, vê quanta tristeza/ de chorar por ti, por ti…” Carolina escuta também um pouco do Chico, afinal de contas seu batismo é baseado na música homônima do cara: “Inútil dormir, a dor não passa”. Daqui a pouco o sentimento vira o disco. Quanto tempo? Não faço ideia. É processo, inseto que vira borboleta.
Xico Sá
Realmente o amor aberto é uma beleza. Para o(a) dono(a) da iniciativa, da chave e do cadeado. Para quem decide abrir a cancela dos sentimentos, para quem grita primeiro pelo menino da porteira. O pior da proposta de amor aberto, fui obrigado a alertar o Roberto, é que pode ser um baita truque. Coisa de quem está apenas te largando para viver um aferrolhado e fidelíssimo amor com outro(a). Muitas vezes a tese do amor aberto não passa de uma desculpa menos dolorosa (menos?) para dizer que está indo embora. “Preciso ter o meu espaço etc”. Aquela coisa meio doutor Smith perdido nas galáxias dos sentimentos.
Xico Sá