Caveira Quotes

We've searched our database for all the quotes and captions related to Caveira. Here they are! All 6 of them:

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A morte olha o violoncelista. Por princípio, não distingue entre gente feia e gente bonita, se calhar porque, não conhecendo de si mesmo senão a caveira que é, tem a irresistível tendência de fazer aparecer a nossa desenhada por baixo da cara que nos serve de mostruário. No fundo, no fundo, manda a verdade que se diga, aos olhos da morte todos somos da mesma maneira feios, inclusive no tempo que havíamos sido rainhas de beleza ou reis do que masculinamente lhe equivalia.
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José Saramago (Death with Interruptions)
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Experimentava um prazer maligno em desmoronar este gênero de bichos; a passagem instantânea do deslumbramento ao horror desfigurava-os, revelhando-lhes a caveira escamosa de crocodilos interplanetários. Tornamo-nos profissionais deste jogo da verdade, para o qual recolhêramos inspiração no They Live do John Carpenter, um dos muitos filmes que nos caçaram juntos. A princípio, declaravas que se tratava de uma obra menor, tão simpática quanto primária. Mas à medida que se alagavas na estrumeira da política, apanhavas o rigor exato da fita. De fato, ele vivem, e só com os especialíssimos óculos escuros alguns de nós conseguem vê-los. Outros, como tu, tentam mesmo eliminá-los, para que o mundo seja esse lugar humano que ainda não chegou a ser. O problema, queridíssima, é que os que mais tentam parecem destinados a finar-se num fósforo.
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Inês Pedrosa (Fazes-me Falta)
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Meu estandarte estava atrás de mim, e atrairia homens ambiciosos. Eles queriam minha caveira como uma taça para beber, meu nome como troféu. Olhavam-me enquanto eu os olhava, e viam não um homem coberto de lama, mas sim um senhor de guerra com um elmo que tinha um lobo na crista, braceletes de ouro, malha de elos apertados e um manto azul-escuro com bainha de fios dourados e uma espada famosa por toda a Britânia. Bafo de Serpente era famosa, mas mesmo assim eu voltei a embainhá-la, porque uma espada longa não ajuda no abraço da parede de escudos. Em vez disso peguei Ferrão de Vespa, curta e mortal. Beijei sua lâmina e em seguida gritei meu desafio ao vento de inverno. – Venham me matar! Venham me matar! E eles vieram.
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Bernard Cornwell (Crônicas Saxônicas 5 Volumes Box (O Último Reino, O Cavaleiro da Morte, Os Senhores do Norte, A Canção da Espada, Em Terra em Chamas))
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Sorris? eu sou um louco. As utopias, Os sonhos da ciência nada valem, A vida é um escárnio sem sentido, Comédia infame que ensangüenta o lodo. Há talvez um segredo que ela esconde Mas esse a morte o sabe e o não revela, Os túmulos são mudos como o vácuo. Desde a primeira dor sobre um cadáver, Quando a primeira mãe entre soluços Do filho morto os membros apertava Ao ofegante seio, o peito humano Caiu tremendo interrogando o túmulo E a terra sepulcral não respondia.   Levanta‑me do chão essa caveira! Vou cantar‑te uma página da vida De uma alma que penou, e já descansa.
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Álvares de Azevedo (Obras Completas de Álvares de Azevedo: Edição Revista (Literatura Nacional) (Portuguese Edition))
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Sagres é o cabo do mundo. Levo os pés magoados de caminhar sobre pedregulhos azulados, num carreirinho, por entre lava atormentada. Do passado restam cacos, o presente é uma coisa fora da realidade, grande extensão deserta e encapelada, com pedraria a aflorar entre tufos lutuosos; vasto ossário abandonado onde as pedras são caveiras, as ervas cardos negros e os tojos só espinhos e algumas folhas de zinco. O mar - é verdade, esquecia-o - mas o mar como imensidade e tragédia, e ao lado a gigantesca ponta de São Vicentte, só negrume e sombra. Mar e céu, céu e mar, terra reduzida a torresmos, e o sentimento do ilimitado. Esta grandeza esmaga-me. Grande sítio para ser devorado por uma ideia! Isto devia chamar-se Sagres ou a ideia fixa... Só agora entrevejo o vulto do Infante. Cerca-o e aperta-o a solidão de ferro. Pedra e mar - torna-se de pedra. Está só no mundo e contrariado por todos. Obstina-se durante doze anos! contra o clamor geral. - Perdição! Perdição! - agoura toda a gente, e Ele não ouve os gritos da plebe ou a murmuração das pessoas «de mais qualidade» (Barros). Aqui não se ouve nada... Nem um sinal de assentimento encontra. Não importa, Só e o sonho, na gigantesca penedia que com dois dedos inexoráveis aponta o caminho marítimo para as Índias pela direcção da ponta de Sagres, e a descoberta do Brasil pela direcção da ponta de São Vicente. Lágrimas, orfandades, mortes... Mas o homem de pedra está diante deste infinito amargo e só vê o sonho que o devora. Rodeia-o a imensidão. Os mais príncipes contentam-se «com a terra que ora temos, a qual Deus deu por termo e habitação dos homens». Este Príncipe não. Este Príncipe pertence a outra raça e a outra categoria de homens. Não lhe basta um grande sonho - há-de por força realizá-lo e «levar os Portugueses a povoar terras ermas por tantos perigos de mar, de fome e de sede». Não é egoísmo, mas só vive para o pensamento que se apoderou de todo o seu ser. Um pensamento e o ermo. E este é óptimo para forjar uma alma à luz do céu ou do inferno. Os dias neste sítio magnético pesam como chumbo. Uma pobre mulher do povo dizia-me ontem: —Isto aqui é tão nu e tão só que a gente ou se agarra a um trabalho e não o larga, ou morre. É a realidade que nos mata. Este panorama é na verdade trágico. Não cessa dia e noite o lamento eterno da ventania e das águas. E os cabos, que são de ferro e escorrem sangue, obstinam-se em apontar o seu destino de dor a esta terra de pescadores.
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Raul Brandão (Os Pescadores)
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Somos junkies da intensidade para tentarmos não ver as órbitas vazias da caveira.
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Rosa Montero (El peligro de estar cuerda)