“
Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes.
”
”
Carlos Drummond de Andrade
“
Ninguém dava notícias e ele também não as tinha para dar. Nada lhe acontecia que merecesse perder tempo a contar. Os dias iam passando, iguais e monótonos, e dificilmente se distinguiam uns dos outros.
”
”
Al Berto (Lunário)
“
Há muitas formas de estar morto.
Perder o cheiro, perder o nome, perder a própria vida, mesmo que ainda ocupando um corpo ou uma sombra. Perder o cheiro, perder o nome, perder a própria vida, mesmo que ainda suportando o tempo e o peso do olhar.
”
”
José Luís Peixoto (Galveias)
“
O que tiver de acontecer, acontece, e não vou perder tempo de vida a preocupar-me com isso. A infelicidade vai sempre ao encontro de quem a espera. O truque é encontrar felicidade nos breves intervalos entre os desastres.
”
”
Christopher Paolini (Brisingr (The Inheritance Cycle #3))
“
É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos. Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós
”
”
Franz Kafka (The Metamorphosis)
“
I perdenti, come gli autodidatti, hanno sempre conoscenze più vaste dei vincenti, se vuoi vincere devi sapere una cosa sola e non perdere tempo a saperle tutte, il piacere dell’erudizione è riservato ai perdenti.
”
”
Umberto Eco (Numero zero)
“
Desejei poder fazer o tempo andar para trás, regressar para apreciar durante mais algum tempo aquilo que fora meu, antes de o perder
”
”
Torey L. Hayden
“
Quando tutti pensano che sei un mostro, non devi più perdere tempo a fare cose mostruose.
”
”
Leigh Bardugo
“
Ché perder tempo a chi più sa più spiace.
”
”
Dante Alighieri (The Divine Comedy of Dante Alighieri, Volume 2: Purgatorio)
“
Ci sono uomini indolenti, sono fatti così, altri che non vogliono perdere un solo attimo di tempo, e si danno da fare, che differenza c'è? Gli uomini si agitano fino a quando non muoiono.
”
”
Yasmina Reza (The God of Carnage)
“
Na guarda de sua fortuna, os homens frequentemente têm os punhos cerrados, mas quando se trata de perder tempo – a única coisa da qual devemos ser avaros – eles se mostram muito pródigos.
”
”
Seneca (Sobre a Brevidade da Vida: Edição especial com prefácio de Lúcia Helena Galvão Maya (Portuguese Edition))
“
Quando se ama alguém, tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter conosco, nós esperamos. O verbo esperar torna-se tão imperativo como o verbo respirar. A vida transforma-se numa estação de comboios e o vento anuncia-nos a chegada antes do alcance do olhar. O amor na espera ensina-nos a ver o futuro, a desejá-lo, a organizar tudo para que ele seja possível. É mais fácil esperar do que desistir. É mais fácil desejar do que esquecer. É mais fácil sonhar do que perder. E para quem vive a sonhar, é muito mais fácil viver.
- Diário da Tua ausência
”
”
Margarida Rebelo Pinto
“
Bor era bello da fare male. Il cuore della ragazza saltò un battito quando il suo profumo le raggiunse le narici e inondò la sua mente come una droga. Un accenno di barba disegnava il contorno appuntito del mento e le labbra si schiusero in un ghigno ferino da animale pronto alla caccia.
«Ti voglio attenta e pronta. Ti insegnerò a difenderti. Non sono qui per giocare o rivangare il passato. E ora muoviti, non ho tempo da perdere, anzi, non abbiamo tempo da perdere.» Voltandosi e scendendo le scale tre gradini alla volta aggiunse: «Ti aspetto in strada, sono quello figo sulla moto».
Le guance di Asia divennero paonazze, mentre stringeva i pugni con intensità fino a sentire il sudore delle mani appiccicarle la pelle. Con un'espressione degna di un drago sputa fuoco, Asia rimase a guardare Bor che usciva di casa. Vomitò un urlo a dir poco agghiacciante che miscelava rabbia e frustrazione.
”
”
Eilan Moon (R.I.P. Requiescat In Pace (The R.I.P. Trilogy, #1))
“
La gente parla solo per dar fiato alla lingua, e lei non ha più voglia di perdere tempo con le sciocchezze. Si è sottoposta a una terapia di disintossicazione dalle cose superflue. Mese dopo mese le cose importanti si sono rivelate sempre meno. Alla fine sono rimaste solo la salute, la libertà, la vita.
”
”
Melania G. Mazzucco
“
Lembrar-me de que irei morrer dentro de pouco tempo é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas da vida. Porque quase tudo — todas as expectativas externas, todo o orgulho, todos os medos e embaraços ou fracassos — todas essas coisas deixam de ser importantes face à morte, deixando apenas lugar para as coisas que verdadeiramente importam. Lembrar-nos de que vamos morrer é a melhor forma que conheço de evitar a armadilha de pensar que temos algo a perder. É como se estivéssemos nus. Não há qualquer razão que nos impeça de seguir o coração.
”
”
Walter Isaacson (Steve Jobs)
“
Se non hai paura di una cosa, allora quella cosa impara a stare lontana da te, perché capisce che più di tanto non riesce a danneggiarti, e con tutta la gente danneggiabile che c'è in giro non è che si mette a perdere tempo con uno che non l'apprezza.
”
”
Diego De Silva (Non avevo capito niente)
“
E há poucas coisas mais dolorosas do que perder a intimidade com alguém que se ama. É uma neblina que se põe lentamente e vai esborratando tudo. É uma série de portas que se fecham, de tempos e sítios que já não voltam, e a outra pessoa perde-se de nós.
”
”
João Pedro Marques (A Aluna Americana)
“
Veniamo tutti da un funerale, non solo io che ci sono stata per davvero; tutti abbiamo perso qualcuno e sappiamo quanto lunghissimo e ingiusto sia il tempo davanti a noi, il tempo senza quella persona. Il tempo che cominceremo a contare anno dopo anno, a partire dalla perdita.
”
”
Nadia Terranova (Addio fantasmi)
“
Nelle ultime tre settimane ci eravamo ridotti a passare il nostro tempo insieme a ricordare, ma quello non era niente: il piacere dei ricordi mi era stato portato via perché non c'era più nessuno con cui ricordare. A quel che pareva, perdere il proprio compagno di memorie era come perdere i ricordi stessi, come se le cose che avevamo fatto fossero meno vero bene e importanti, adesso, di quanto non fossero state solo poche ore prima
”
”
John Green (The Fault in Our Stars)
“
Sono desolato di essere tanto idiota e ottuso, ma veramente non capisco."
"Non è grave, non è il solo."
"Non potrebbe spiegarmi?"
"Mi fa orrore perdere tempo.
”
”
Amélie Nothomb (Hygiène de l'assassin)
“
Todo dia, ela tira um tempo para se perder nos reinos da memória...
”
”
Anthony Doerr (All the Light We Cannot See)
“
Tenho todo tempo do mundo mas não tenho tempo a perder.
”
”
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
“
Si nasce e si crepa e nel mezzo ci si ammazza di fatica per perdere tempo facendo finta di guadagnarlo, e questo è tutto quello che ho voglia di dire sugli uomini.
”
”
Fred Vargas
“
Perché accettare è una questione di tempo, mentre perdere è una questione di principio.
”
”
Albert Espinosa (The Yellow World)
“
Ma la donna disse che gran parte della gente sogna di ricominciare da cape, e aggiunse che in questo c'era qualcosa di commovente, non di pazzo. Disse che in realtà quasi nessuno poi, ricomincia da capo davvero, ma non si ha idea di quanto tempo la gente passi a fantasticare di farlo, e spesso proprio mentre è nel mezzo dei suoi guai, e della vita che vorrebbe lasciar perdere.
”
”
Alessandro Baricco (Tre volte all'alba)
“
[…] è un terribile errore misurare le proprie forze contro quelle dei potenti, con cui è più facile perdere che vincere. È molto meglio pazientare senza fare rimostranze fino a quando il tempo o il caso non ci metteranno l'avversario a tiro di daga […] Nel caso contrario, pazienza: perché, in fin dei conti, l'ultima parola spetta a Dio ed è lui che mescola le carte, le sue e quelle di tutti noi.
”
”
Arturo Pérez-Reverte (Purity of Blood (Adventures of Captain Alatriste, #2))
“
Se você quiser se aprofundar em qualquer assunto, vai precisar de muito tempo e, principalmente, do privilégio de poder desperdiçar tempo. Terá de experimentar caminhos improdutivos, explorar becos sem saída, abrir espaço para as dúvidas e o tédio e permitir que pequenas sementes de ideias cresçam lentamente e floresçam. Se você não pode se dar ao luxo de perder tempo, nunca encontrará a verdade.
”
”
Yuval Noah Harari (21 Lessons for the 21st Century)
“
«Qual è la tua storia d’amore più bella?»
Taccio e attendo una risposta da parte sua. Lo sento irrigidirsi contro di me. Ma non mi spiace avergliela posta, non ho tempo da perdere con i misteri, né quello di nascondermi, ho solo voglia di essere sincero, e se per esserlo dovrò passare attraverso una dolce o una dolorosa rivelazione, poco importa. Non c'è niente di doloroso quando si tratta dell’amore
”
”
Amheliie (Road)
“
Queres acaso te ver livre da melancolia?
Queres prazer, mas longe da louca agonia?
Queres ler enigmas, e sua precisa solução,
Ou preferes te afogar na tua contemplação?
Queres a carne? Será não preferes, destarte,
Ver um homem nas nuvens, ouvindo falar-te?
Anseias ver-te num sonho, mas sem dormir?
Ou não preferes a um só tempo chorar e rir?
Não te atrai a ti mesmo te perderes sem dano?
Pra depois te achares sem passe sobre-humano?
Queres tu mesmo ler, sem sequer saber o quê,
Sabendo, porém por essas linhas mesmas que lês,
Se estás ou não abençoado? Ah, vem, então,
E abre meu livro, uma só mente, um só coração.
”
”
John Bunyan (O Peregrino (Portuguese Edition))
“
porque a noite é noite, o dia é dia, e o tempo é tempo, seria perder sem proveito a noite, o dia e o tempo; por isso, visto que a concisão é a alma do espirito, emquanto que a prolixidade é só o corpo ou o involucro exterior, serei breve
”
”
William Shakespeare (Hamlet)
“
C'è voluto del tempo per scoprire che ci sono cose che si devono perdere per poterle capire, e altre, invece, che non bisogna lasciarsi mai sfuggire perché probabilmente non troveranno più la strada del ritorno e condanneranno all'eterna nostalgia.
”
”
Laura Imai Messina (Tokyo orizzontale)
“
Diz-se que as pessoas aprendem a perder o apego às coisas que sabem que vão perder. Ou que deveriam aprender. Mas eu acho que não se aprende nada. Apenas se deixa de querer aquele tempo - o agora ou o amanhã, não interessa - para se passar a querer outro.
”
”
Miguel Esteves Cardoso
“
Foi preciso ter estado este tempo fora e longe de toda a gente para perceber que dinheiro e carreira não trazem felicidade a ninguém se o nosso coração não estiver alinhado com isso. E o meu coração não está lá, está aqui. Então por que raio estou a perder a minha vida lá?
”
”
Helena Magalhães (Raparigas Como Nós)
“
Por outro lado, não estava realmente deprimida. Sentia-me, em vez disso, como se tivesse sido largada num lugar e não fosse capaz de me reencontrar: angustiada, isto é, com os movimento demasiado rápidos e pouco coordenados, com a pressa de quem procura por todo o lado e não tem tempo a perder.
”
”
Elena Ferrante (Troubling Love)
“
Le loro fedi catturano un raggio di luce e tintinnano l’una contro l’altra. È una bella scena, ma ci stiamo rapidamente avvicinando al punto in cui, se continuano a perdersi l’uno negli occhi dell’altro, ci ritroveremo tutti sommersi in un mare di miele e vedremo gli arcobaleni uscirgli dal culo, e io non ho tempo da perdere.
”
”
T.J. Klune (The Art of Breathing (Bear, Otter, and the Kid, #3))
“
La Cattedrale sembrava in grado di leggere nella sua anima, alcune dicerie sul fondo di Helheim sostenevano che quell'antica chiesa percepisse la disperazione e chiamasse a sé coloro che non avevano più nulla da perdere, facendoli entrare nella misteriosa corte della regina dal doppio volto, la suprema signora del crimine e delle tenebre, Hel.
”
”
Mila Fois (ARDA 2300 - Kronos ed Aion Due nomi per il tempo)
“
A diferença nos tempos de decisão pode ser interpretada como um indicador de maiores escrúpulos por parte dos ingleses. Por outro lado, tal diferença podia ter origem na simples vantagem que um ditador tem (em caso de guerra) sobre um governo democrático. Não será de todo injusto afirmar que Churchill estava consciente desta última situação. Nas memórias que escreveria mais tarde nota-se o quanto sofreu com os debates que se prolongaram ao longo de meses, acabando por demorar precisamente o tempo necessário até todo o empreendimento perder o seu sentido estratégico; tudo por causa de decisões tomadas sem convicção e novamente descartadas, do vai e vem, dos compromissos, da necessidade de argumentar justamente onde ele queria decidir e comandar.
”
”
Sebastian Haffner (Churchill (Life & Times))
“
Quando smetti di essere un bambino, non te ne accorgi. È una campanella che suona più a lungo del previsto, o semplicemente il risultato di un'estate. Quando smetti di essere adolescente, no, nemmeno di questo ti accorgi. Stai correndo. Stai per perdere un treno. Sei concentrato solo in quella corsa. [...]
E quando smetti di essere giovane?
Lì no, impossibile non accorgersi: una sequela di avvisaglie, di avvertimenti ti incalza, conferma che si sta esaurendo la scorta di benevolenza che il tempo e il mondo ti hanno destinato. Che cosa si guadagna, crescendo? Dove non avresti immaginato conflitti, è proprio là che esplodono, con una violenza che può lasciarti stordito. Non c'è quasi più niente che somigli a un dono. Tutto ha l'aria di una promessa non mantenuta.
”
”
Paolo Di Paolo (Mandami tanta vita)
“
Sai, dove è scritto che per tutto c'è il suo tempo, c'è il suo momento per ogni cosa sotto il cielo. Un tempo per piangere e un tempo per ridere, un tempo per amare e un tempo per odiare, un tempo per cercare e un tempo per perdere" S'interruppe."Fidati, Charlie. La Bibbia per ogni si sbaglia. Nella vita di un uomo non c'è tempo per ogni cosa. Non c'è una stagione per ogni attività."( Ho sognato di te )
”
”
Ben Sherwood (The Death and Life of Charlie St. Cloud)
“
Le cose si perdono. Le chiavi, i documenti, l'orologio, una partita a poker, un'occasione o una causa in tribunale. Ma puoi anche concederti di perdere tempo o addirittura la testa. È perdersi che è diverso. Riguarda sempre te stesso e il tuo cuore, chi ami e chi hai amato.[...]Non te ne accorgi nemmeno quando un giorno improvvisamente certe cose lasciano spazio ad altre e tu non sai spiegare esattamente come è successo.
”
”
Sara Rattaro (Un uso qualunque di te)
“
Oferecer o corpo como objeto agradavável, dar gratuitamente prazer: é isso o que os ocidentais não sabem mais fazer. Perderam totalmente o senso da doação. Podem até se esforçar, mas não conseguem mais sentir o sexo como algo natural. Não apenas têm vergonha dos próprios corpos, que não estão à altura dos que vemos nos filmes pornôs, mas também, pelo mesmo motivo, não sentem nenhuma atração pelo corpo do outro. É impossivel fazer amor sem um certo abandono, sem a aceitação ao mesmo tempo temporária de um certo estado de dependência e fraqueza. A exaltação sentimental e a obsessão sexual têm a mesma origem, as duas nascem de um certo esquecimento de si mesmo; neste terreno, a gente não pode se realizar sem se perder. As pessoas se tornam frias, racionais, extremamente conscientes da sua existência individual e dos seus direitos (...) realmente não são as condições ideais para fazer amor".
”
”
Michel Houellebecq (Platform)
“
Non è che ci sarebbe voluto tutto questo tempo, ma il fatto è che quando hai sbancato i cassetti trovi una quantità di carte vecchie, scordate, alcune delle quali, quasi a forza, vogliono essere lette e tu, inevitabilmente, finisci col precipitare sempre più in fondo al gorgo della memoria e ti tornano in mente macari cose che per anni e anni hai fatto di tutto per scordare. E' un gioco tinto quello dei ricordi, nel quale finisci sempre per perdere.
”
”
Andrea Camilleri (The Smell of the Night (Inspector Montalbano, #6))
“
Le cose di cui parlerò le insegniamo agli studenti di fisica degli ultimi anni di università: ora, voi pensate che io riuscirò a spiegarle in modo da farvele capire? Ebbene no, non le capirete. Perché, allora, farvi perdere del tempo? Per convincervi a non andar via solo perché questa conferenza vi risulterà incomprensibile, vi dirò che anche i miei studenti di fisica non capiscono queste cose. E non le capiscono perché non le capisco nemmeno io. Il fatto è che non le capisce nessuno.
”
”
Richard P. Feynman (QED: The Strange Theory of Light and Matter)
“
Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira. Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos
disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós
mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.
”
”
Clarice Lispector (Aprendizaje o El libro de los placeres)
“
Pensa-se de dia – a – dia. Se começamos a pensar no futuro, no nosso futuro pessoal, perdemos a coragem. E, de repente, lembramo-nos de todas as coisas que fizemos e que foram um desperdício de tempo… os minutos que desperdiçámos e que nunca podemos reaver. E apercebemo-nos de que o tempo é a coisa mais preciosa de todas. Porque o tempo é a vida. É a única coisa que nunca podemos recuperar. É possível perder uma rapariga e quem sabe voltar a conquistá-la… ou encontrar outra. Mas um segundo, este segundo, quando se vai, é irreversível.
”
”
Jacqueline Susann (Valley of the Dolls)
“
PARA ATRAVESSAR CONTIGO O DESERTO DO MUNDO
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
”
”
Sophia de Mello Breyner Andresen (Livro Sexto)
“
Bisogna andare molto indietro nel tempo per trovare l'origine del mio tormento, bisogna riandare a quegli albori della mia giovinezza in cui mi creai un simulacro di donna per adorarla. Mi sfinii con quella creatura immaginaria, poi vennero gli amori reali e con essi non raggiunsi mai quella felicità immaginaria di cui portavo in me l'ideale. Ho saputo cosa significa vivere per una sola idea e con una sola idea; isolarsi in un sentimento, perdere di vista l'universo e porre tutta la propria esistenza in un sorriso, in una parola, in uno sguardo.
”
”
François-René de Chateaubriand (Amor y vejez)
“
Caminhei ontem à noite durante horas. Era como se quisesse me perder por alguma rua nova. Me perder absoluta e alegremente. Mas há momentos em que não podemos, não sabemos nos perder. Ainda que tomemos sempre as direções erradas. Ainda que percamos todos pontos de referência. Ainda que se faça tarde e sintamos o peso do amanhecer enquanto avançamos. Há temporadas em que, por mais que tentemos, descobrimos que não sabemos, que não podemos nos perder. E talvez tenhamos saudade do tempo em que podíamos nos perder. O tempo em que todas as ruas eram novas.
”
”
Alejandro Zambra (Ways of Going Home)
“
Raggiungere il backstage. Dire la verità a Dusk. Aveva fatto bene a tenere il pass, perché non aveva tempo da perdere per escogitare un piano migliore. Riusciva solo a pensare al braccialetto sul polso di Dusk. Aveva sicuramente dovuto aggiungere una chiusura in più per poterlo indossare, data la circonferenza del suo polso. La voce calda di Dusk gli riecheggiò nelle orecchie come il canto di una sirena. Cominciò a pentirsi di aver indossato i pattini, ma non voleva perdere tempo a fermarsi per toglierli. Fu come se una nuvola che gli aveva annebbiato la vista per lungo tempo, si fosse improvvisamente dissolta, e ora Dusk doveva sapere che se lo desiderava davvero, se lo amava davvero, allora poteva averlo per tutto il tempo che lo avrebbe voluto accanto.Non appena quel braccialetto, un segno inaspettato dei suoi sentimenti, era apparso sullo schermo, tutto era cambiato per Abe. All’improvviso, non aveva più così tanta paura di essere abbandonato da Dusk, anzì l’uomo era diventato qualcosa per cui lottare, per non rinunciare a quella relazione. Una relazione che desiderava durasse e aveva bisogno di dirlo a Dusk
”
”
K.A. Merikan (Manic Pixie Dream Boy (The Underdogs, #1))
“
Da economia do tempo - Sêneca saúda o amigo Lucílio
Comporta-te assim, meu Lucílio, reivindica o teu direito sobre ti mesmo e o tempo que até hoje foi levado embora, foi roubado ou fugiu, recolhe e aproveita esse tempo. Convence-te de que é assim como te escrevo: certos momentos nos são tomados, outros nos são furtados e outros ainda se perdem no vento. Mas a
coisa mais lamentável é perder tempo por negligência.
Se pensares bem, passamos grande parte da vida agindo mal, a maior parte sem fazer nada, ou fazendo algo diferente do que se deveria fazer.
Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado.
Qualquer tempo que já passou pertence à morte.
Então, caro Lucílio, procura fazer aquilo que me escreves: aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso. A natureza deu-nos posse de uma única coisa fugaz e escorregadia, da qual qualquer um que queira pode nos privar. E é tanta a estupidez dos mortais que, por coisas insignificantes e desprezíveis, as quais certamente se podem recuperar,
concordam em contrair dívidas de bom grado, mas ninguém pensa que alguém lhe deva algo ao tomar o seu tempo, quando, na verdade, ele é único, e mesmo aquele que reconhece que o recebeu não pode devolver esse tempo de quem tirou.
Talvez me perguntes o que faço para te dar esses conselhos. Eu te direi francamente: tenho consciência de que vivo de modo requintado, porém cuidadoso. Não posso dizer que não perco nada, mas posso dizer o que perco, o porquê e como; e te darei as razões pelas quais me considero miserável. No entanto, a mim acontece o que ocorre com a maioria que está na miséria não por culpa própria: todos estão prontos a desculpar, ninguém a dar a mão.
E agora? A uma pessoa para a qual basta o pouco que lhe resta, não a considero pobre. Mas é melhor que tu conserves todos os teus pertences, e começarás em tempo hábil. Porque, como diz um sábio ditado, é tarde para poupar quando só resta o fundo da garrafa. E o que sobra é muito pouco, é o pior. Passa bem!
(Sêneca, em "Aprendendo a Viver - Cartas a Lucílio")
”
”
Seneca (Letters from a Stoic)
“
A grande decepção dos amantes que buscam a felicidade (estado de prazer permanente, institucionalizado) através do amor é produzida pela sua incapacidade em aceitar que, como todas as coisas vivas, o amor também tem um começo, um meio e um fim. Nem seu tempo, nem seu espaço e nem o seu tesão podem ser determinados e controlados por razão da vontade e pela força de poder. Assim, às vezes somos obrigados a perder um amor precocemente, ou a ter de suportá-lo desnaturado, moribundo ou mesmo morto. Só a liberdade e a autonomia nos ensinam a aceitar biológica e humanamente o tempo, o espaço e o tesão das coisas vivas.
”
”
Roberto Freire (Sem Tesão Não Há Solução)
“
Cada vez sinto menos vontade de estar com os outros. Dou por mim a fazer uma espécie de lenta retirada social. Visito cada vez menos os amigos, até deixar de os ter. Se os visse, na certa, iriam fazer-me perguntas a que não quero responder e também não desejo perder o meu tempo a ouvir os seus dramas. Por isso, forço-me ao isolamento. Mas, nem sempre fui assim. Penso que há uma parte de mim que deixou de funcionar e, por causa disso, sou incapaz de manter o interesse de estar com pessoas. Nessas alturas imagino-me a passar o resto da vida sozinho, lendo, vendo filmes, passeando de um lado para o outro sem propósito.
”
”
Sónia Alcaso
“
Sai dire quanto amore hai dentro? Un chilo? Un litro?
Non lo sai eh?
E allora lascia perdere la matematica.
Inventa quello che non c'è.
Perché quello che c'è è di tutti.
Ma se riesci a trovare quello che non c'è, beh, allora hai qualcosa di solo tuo.
E se qualcuno altro vede quello che vedi tu, beh, allora hai trovato qualcuno che ti vive.
Non lasciarlo fuggire. Fermalo! Vivilo! Scrivilo!
Le storie sono come le persone.
Non sono fatte per stare sole.
Da qualche parte nel mondo c'è qualcuno che vive una storia che si specchia con la tua.
Guardati intorno!
Quel qualcuno non è lontano da te.
È l'altra metà del libro.
Non perdere tempo a scrivere altre pagine...
Cercalo!
Il resto lo scriverete insieme.
Perché non c'è niente di più riuscito di due storie che s'intrecciano.
”
”
Giulia Carcasi
“
(...) quando chegar estará o meu filho morto, infeliz menino, Jesus da minha alma, ora é neste momento da mais sentida aflição que um pensamento estúpido entra como um insulto na cabeça de José, o salário, o salário da semana que vai ser obrigado a perder, e é tanto o poder destas vis coisas materiais que o acelerado passo, não indo ao ponto de deter-se, um tudo-nada se lhe retarda, como a dar tempo ao espírito de ponderar as probabilidades de reunir ambos os proveitos, por assim dizer, a bolsa e a vida. Foi tão subtil a mesquinha ideia, como uma luz velocíssima que surgisse e desaparecesse sem deixar memória imperativa duma imagem definida, que José nem vergonha chegou a sentir, esse sentimento que é, quantas vezes, porém não as suficientes, nosso mais eficaz anjo da guarda.
”
”
José Saramago (The Gospel According to Jesus Christ)
“
Ao se caminhar para um objetivo, sobretudo um grande e distante objetivo, as menores coisas se tornam fundamentais. Uma hora perdida é uma hora perdida, e quando não se tem um rumo definido é muito fácil perder horas, dias ou anos, sem dar conta disso. O mínimo progresso que conseguisse fazer num dia em direção ao Brasil era importante, ainda que fosse de centímetros apenas. Com o tempo, eu acumularia todos os progressos e os centímetros se transformariam em quilômetros. Senti que estava cumprindo uma obra de paciência e disciplina. E percebi como é simples conseguir isso. Nada de sacrifícios extremos ou esforços impossíveis. Nada de grandes sofrimentos. Ao contrário, bastava apenas o simples, minúsculo e indolor esforço de decidir. E ir em frente. Então tudo se tornava mais fácil. Os problemas encontravam solução. "Decidir sem medo de errar", escrevi à página 84 do diário e aontei na direção de Salvador. Estava decidido e certo.
”
”
Amyr Klink (Cem Dias Entre Céu e Mar)
“
Ainda que pudesses viver três mil anos e outras tantas vezes dez mil, ainda assim, lembra-te de que ninguém perde outra vida além da que vive, nem vive outra além da que perde. Consequentemente, o mais longo e o mais curto confluem em um mesmo ponto. O presente, de fato, é igual para todos; o que se perde é também igual, e o que se separa é, evidentemente, um simples instante. Assim, nem o passado nem o futuro podem ser perdidos, porque, o que não se tem, como alguém nos poderia tirar? Tenha sempre presente, portanto, essas duas coisas: uma, que tudo, desde sempre, se apresenta de forma igual e descreve os mesmos círculos, e nada importa que se contemple a mesma coisa durante cem anos, duzentos ou um tempo indefinido; a outra, que o que viveu mais tempo e o que morrerá mais prematuramente, sofrem perda idêntica. Porque somente podemos ser privados do presente, posto que possuímos apenas o presente, e o que não se possui, não se pode perder. 15.
”
”
Marcus Aurelius (Meditações de Marco Aurélio (traduzido) (Coleção Filosofia à Maneira Clássica) (Portuguese Edition))
“
Se si trattasse solo di essere solo di essere avvolta da questo fumo, perdere coscienza e morire, in un attimo, non avrei nessunissima paura. Una bella differenza con altre morti che ho visto, come quella di mia madre o di altri parenti. Nella nostra famiglia si ammalano tutti di gravi malattie e muoiono soffrendo da cani. Forse è una cosa ereditaria. Ci mettono un tempo incredibile a morire. Al punto che verso la fine non si rendono conto nemmeno loro se sono vivi o morti. Quel po' di coscienza che gli resta serve solo a provare dolore e sofferenza.
Midori si mise una sigaretta tra le labbra e la accese.
- Quello di cui ho paura, è una morte di questo tipo. L'ombra della morte si insinua piano piano nel territorio della vita e comincia a corroderlo, e quando me ne accorgo sono già nel buio, non riesco a vedere più niente, e la gente intorno a me pensa che io sia più vicina alla morte che alla vita. È una situazione come questa, che temo. Non la potrei mai sopportare.
”
”
Haruki Murakami
“
Se un tempo egli si proponeva di non essere mai né l'ultimo né il primo, i fatti gli avevano dimostrato che cotesta era una posizione impossibile da sostenere. In ogni circostanza l'urto è uno solo, e non conta il peso delle singole spallate. "Chi è più forte, spinge più forte" diceva. "Gli viene naturale". Non esiste un primo e un ultimo, e si tratta, piuttosto che di muscoli, di carattere, e di persuasione. Di volerla una cosa, oppure no. Di stare da una parte o dall'altra, poiché, diceva, il mondo è diviso in due, ci sono gli amici e i nemici. "Le vie di mezzo sono fatte per chi ha tempo da perdere e paura che gli venga a mancare la pappa scodellata". Accedeva a delle distinzioni: "C'è, semmai, la scale del più e del meno, ma riguarda la considerazione in cui devi tenere gli amici. A volte sbagliano, tutti si può sbagliare. Una cosa non è mai tutta bene o tutta male. Anche nella più bell'uva vedrai delle macchioline, è da lì che l'acino, se lo conservi, incomincia a marcire. Tu, cotesti amici, aspettali al momento che i fatti, come le sorbe, vengono a maturazione. Ma intanto, cammina insieme a loro, non ti staccare. Potrebbe essere che il torto fosse tuo. Certe volte inganna perfino il filo a piombo, e perfino lo specchio, figùrati se non ci si inganna a giudicarsi di persona. Infallibile non lo è nemmeno il Papa. Nemmeno Marx, credo, anche se non l'ho studiato. Nessuno. Quindi, tra quelli che la pensano come te, guarda chi ne sa più di te, pesalo, fatti capire, e poi vagli dietro, vai bene".
”
”
Vasco Pratolini (Metello)
“
«Adesso siamo amici, giusto?»
«Giusto», dissi raggiante. Il mio primo amico! Certo, era un tecnico dei computer uscito male, con una serie di abitudini sociali deplorevoli, ma pur sempre... amici! Di sicuro mi ci era voluto molto, ma molto tempo per conquistarne uno: ero ben consapevole che di solito le persone della mia età avevano almeno uno o due amici. Non avevo tentato di evitarli, ma nemmeno ero andata a cercarmeli, solo che era sempre stato molto difficile conoscere gente con una mentalità affine alla mia. Dopo l’incendio non ero mai riuscita a trovare nessuno di adatto agli spazi che si erano creati dentro di me. Non posso lamentarmi, era stata interamente colpa mia, in fin dei conti. E comunque, durante la mia infanzia, avevo girato talmente tanto che era difficile restare in contatto con gli altri, anche se avessi voluto. Così tanti collocamenti in affido, tutte quelle nuove scuole... All’università mi ero innamorata dei classici, dedicandomi felicemente al mio lavoro. Perdere qualche serata all’Unione studentesca per ottenere il massimo dei voti ed elogi generosi da parte dei miei docenti mi era sembrato uno scambio equo. E, naturalmente, per qualche anno c’era stato Declan. Non gli piaceva che socializzassi senza di lui. O, se era per quello, con lui.
Dopo la laurea avevo cominciato subito a lavorare nell’agenzia di Bob e Dio solo sa che lì dentro non c’era nessuno con la mia stessa mentalità. Una volta che ci si abitua a stare da soli, diventa normale. Certamente lo era diventato per me.
”
”
Gail Honeyman (Eleanor Oliphant Is Completely Fine)
“
Instintivamente acaricia o velo de cedro penumbroso, bosque arruivado a ensombrar-lhe o cimo das coxas; curva-se de novo e, admirada, vai tão longe quanto pode na abordagem tímida dos lábios de anil da molhada boca do seu ventre. A separá-los: penetrando, afagando-os, a sentir os dedos numa humidade lenta, um orvalho dolente, uma resina turva.
Ali, onde há sucos e gosto sem ferida.
Ali, onde há fenda, há céu, há mar.
Mato de se perder na busca da vertigem no assombro da ousadia do acto; gosto e travo a rosa insatisfeita, odor de chuva, de cardo, de almíscar. Perfume de nardo a desatar-lhe os nervos, enquanto persegue o improvável mapa do delírio: mais acima a mina, e logo abaixo o poço.
Modorra de papoila a florescer no alto, a entumescer ao tacto.
Prazer diverso e gozo que a muda, e ela transgride, voa, cresce. E tanto no clítoris como na vulva, o bordado a cheio vai-se enredando, matizando, demorando nas caprochosas cores, nos desenhos, nas misteriosas linhas de agulha onde se enleia. Veia que o fogo entorna, toma e incendeia. Na procura do êxtase.
E Leonor ondeia.
Rola enovelada em cima do leito onde se distende, roda e cede a galgar o parapeito de si própria, deixando a razão apagada à cabeceira.
Rodopia.
Resvala.
Mãos descendo e subindo, indo e vindo, na descoberta dos desvãos, do topo, dos secretos recantos de segredo, em todos os lugares e tempos que o orgasmo guarda.
Entorna.
Derrama.
Grita e explode.
Gemendo sob o pulso que lhe amordaça a fala pelo próprio avesso. Assim leve, assim solta, assim livre. Leonor corre, voa, nada, desvenda.
E finalmente foge.
Consigo mesma.
”
”
Maria Teresa Horta (As Luzes de Leonor)
“
Se saprai mantenere la testa quando tutti intorno a te
La perdono, e te ne fanno colpa.
Se saprai avere fiducia in te stesso quando tutti ne dubitano,
Tenendo però in considerazione anche il loro dubbio.
Se saprai aspettare senza stancarti di aspettare,
O essendo calunniato, non rispondere con calunnia,
O essendo odiato, non dare spazio all'odio,
Senza tuttavia sembrare troppo buono, né parlare troppo saggio;
Se saprai sognare, senza fare del sogno il tuo padrone;
Se saprai pensare, senza fare del pensiero il tuo scopo,
Se saprai confrontarti con Trionfo e Rovina
E trattare allo stesso modo questi due impostori.
Se riuscirai a sopportare di sentire le verità che hai detto
Distorte dai furfanti per abbindolare gli sciocchi,
O a guardare le cose per le quali hai dato la vita, distrutte,
E piegarti a ricostruirle con i tuoi logori arnesi.
Se saprai fare un solo mucchio di tutte le tue fortune
E rischiarlo in un unico lancio a testa e croce,
E perdere, e ricominciare di nuovo dal principio
Senza mai far parola della tua perdita.
Se saprai serrare il tuo cuore, tendini e nervi
Nel servire il tuo scopo quando sono da tempo sfiniti,
E a tenere duro quando in te non c'è più nulla
Se non la Volontà che dice loro "Tenete duro!"
Se saprai parlare alle folle senza perdere la tua virtù,
O passeggiare con i Re, rimanendo te stesso,
Se né i nemici né gli amici più cari potranno ferirti,
Se per te ogni persona conterà, ma nessuno troppo.
Se saprai riempire ogni inesorabile minuto
Dando valore ad ognuno dei sessanta secondi,
Tua sarà la Terra e tutto ciò che è in essa,
E - quel che più conta - sarai un Uomo, figlio mio!
”
”
Rudyard Kipling
“
L’incanto della costa mediterranea, a conoscerla meglio, non faceva che divenire più profondo per la nostra eroina, poiché era la soglia d’Italia, la porta delle meraviglie. L’Italia, ancora veduta e sentita in modo imperfetto, le si stendeva dinanzi come una terra promessa, come una terra in cui l’amore del bello poteva essere confortato da un sapere senza fine. Tutte le volte che andava per la spiaggia con il cugino - gli era compagna nella passeggiata quotidiana - guardava al mare, con occhi bramosi, verso là dove sapeva che sorgeva Genova. Era contenta, però, di sostare sulla soglia di questa immensa avventura; anche in questi indugi preliminari c’era di che fremere. E poi le faceva l’effetto di un interludio di pace, di un placarsi del tamburo e del piffero in una vita che aveva scarse prove sinora per considerare agitata, ma che nondimeno dipingeva costantemente a se stessa alla luce delle sue speranze, dei suoi timori, delle sue fantasie, delle sue ambizioni, delle sue predilezioni, e che rifletteva codeste accidentalità soggettive in maniera sufficientemente drammatica.[...]Si smarriva in un groviglio di visioni: le cose belle da fare per una ragazza ricca, indipendente, generosa, che in quanto ad occasioni ed obblighi era di larghe, umane vedute, erano un ammasso imponente. Il suo patrimonio divenne perciò, nei suoi pensieri, una parte del suo io migliore; le conferì importanza, le conferì persino, nella sua immaginazione, una certa ideale bellezza. Quel che fece per lei nell’immaginazione degli altri è un altro affare, e a suo tempo dovremo parlare anche di questo punto. Le visioni di cui ho parlato or ora si mischiavano ad altri travagli. A Isabel piaceva di più pensare al futuro che al passato; ma a volte, mentre ascoltava il mormorio delle onde del Mediterraneo, il suo sguardo volava all’indietro. Si fermava su due figure che, nonostante l’aumentare della distanza, erano ancora sufficientemente evidenti; ed erano riconoscibili senza difficoltà come quelle di Caspar Goodwood e di Lord Warburton. Era strana la rapidità con la quale queste potenti immagini erano cadute nello sfondo della vita della nostra signorina. Era proprio della sua natura, sempre, di perder fede nella realtà delle cose assenti; questa fede poteva riconvocarla, in caso di bisogno, con uno sforzo, ma lo sforzo era spesso penoso anche quando la realtà era stata piacevole. Il passato era soggetto ad apparire cosa morta, e la sua resurrezione proiettava quasi una livida luce da giorno del giudizio. Per di più la ragazta non era incline ad ammettere di vivere nella mente altrui: non era così fatua da credere di lasciar tracce indelebili. Era capace di rimanere ferita se veniva a scoprire di essere stata dimenticata; ma di tutte le libertà quella che stimava più dolce era la libertà di dimenticare.
”
”
Henry James (The Portrait of a Lady)
“
O tempo que nos resta
"De súbito sabemos que é já tarde.
Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas
e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos.
Que não será aqui a nossa festa.
De súbito chegamos a saber que andávamos sozinhos.
De súbito vemos sem sombra alguma que não existe aquilo em que nos apoiávamos.
A solidão deixou de ser um nome apenas.
Tocamo-la, empurra-nos e agride-nos. Dói.
Dói tanto!
E parece-nos que há um mundo inteiro a gritar de dor,
e que à nossa volta quase todos sofrem e são sós.
Temos de ter, necessariamente, uma alma.
Se não, onde se alojaria este frio que não está no corpo?
Rimos e sabemos que não é verdade.
Falamos e sabemos que não somos nós quem fala.
Já não acreditamos naquilo que todos dizem.
Os jornais caem-nos das mãos.
Sabemos que aquilo que todos fazem conduz ao vazio que todos têm.
Poderíamos continuar adormecidos, distraídos, entretidos.
Como os outros.
Mas naquele momento vemos com clareza que tudo terá de ser diferente.
Que teremos de fazer qualquer coisa semelhante a levantarmo-nos de um charco.
Qualquer coisa como empreender uma viagem até ao castelo distante
onde temos uma herança de nobreza a receber.
O tempo que nos resta é de aventura. E temos de andar depressa.
Não sabemos se esse tempo que ainda temos é bastante.
E de súbito descobrimos que temos de escolher aquilo que antes havíamos desprezado.
Há uma imensa fome de verdade a gritar sem ruído,
uma vontade grande de não mais ter medo,
o reconhecimento de que é preciso baixar a fronte e pedir ajuda.
E perguntar o caminho.
Ficamos a saber que pouco se aproveita de tudo o que fizemos,
de tudo o que nos deram, de tudo o que conseguimos.
E há um poema, que devíamos ter dito e não dissemos, a morder a recordação dos nossos gestos.
As mãos, vazias, tristemente caídas ao longo do corpo.
Mãos talvez sujas. Sujas talvez de dores alheias.
E o fundo de nós vomita para diante do nosso olhar aquelas coisas
que fizemos e tínhamos tentado esquecer.
São, algumas delas, figuras monstruosas, muito negras,
que se agitam numa dança animalesca.
Não as queremos, mas estão cá dentro.
São obra nossa.
Detestarmo-nos a nós mesmos é bastante mais fácil do que parece,
mas sabemos que também isso é um ponto da viagem
e que não nos podemos deter aí.
Agora o tempo que nos resta deve ser povoado de espingardas.
Lutar contra nós mesmos era o que devíamos ter aprendido desde o início.
Todo o tempo deve ser agora de coragem. De combate.
Os nossos direitos, o conforto e a segurança? Deixem-nos rir...
Já não caímos nisso! Doravante o tempo é de buscar deveres dos bons.
De complicar a vida.
De dar até que comece a doer-nos.
E, depois, continuar até que doa mais.
Até que doa tudo.
Não queremos perder nem mais uma gota de alegria,
nem mais um fio de sol na alma,
nem mais um instante do tempo que nos resta."
Miguel Gonçalves
”
”
eu
“
Una cosa che non mi può succedere: perdere tempo a leggere il libro di uno scrittore che non stimo e aggiungere la perdita di tempo di scrivere contro.
”
”
Erri De Luca
“
Enquanto eu crescia, via minhas amigas passarem por vários meninos, um após o outro, e sempre acharem uma razão para descartá-los, se sentindo insatisfeitas, frustradas ou usadas. Eu olhava para elas e pensava que não queria ser assim. E essas meninas, elas estão todas solteiras agora, e parece que vão continuar assim para sempre, porque estão sempre em busca do príncipe encantado. Elas têm uma imagem de quem ele é, como ele é, o que ele faz e como se comporta. E é uma fantasia, uma total fantasia. As mesmas besteiras que falam para as mulheres desde... sempre.
Príncipe encantado. O homem perfeito. O boneco Ken. O espécime perfeito. O Solteirão. O marido ideal. Porque esses caras, os incrivelmente bonitos, os charmosos, os que viram seu mundo de cabeça para baixo, os que parecem bons demais para ser verdade, bem, eles costumam ser bons demais para ser verdade. É uma outra palavra para conquistador, uma descrição mais apropriada.
Sociopata.
É impressionante quantas mulheres se apaixonam por caras assim, caem no mesmo papo, mil e uma vezes, e então amaldiçoam o dia em que o conheceram.
O jogo da sedução... é um dos truques mais velhos que existem. E na realidade é o que é:
Um jogo de sorte.
Sabe aquele jogo em que uma pessoa coloca uma pedra ou uma bolinha embaixo de um de três ou quatro copos e os embaralha sem parar até você adivinhar sob qual copo a pedra está? Observe os copos se moverem e tente adivinhar qual contém o homem certo. Jogue este jogo e você vai perder. Sempre. É certo.
Ninguém quer acreditar que está ligado ao outro, especialmente no amor. Porque isso dói pra cacete. Talvez mais do que qualquer outra coisa no mundo. Te atinge no peito. Te faz sentir enjoada. Te faz sentir burra. Muito, muito burra. Então a melhor coisa que alguém tem a fazer numa situação destas é:
Fingir que não foi pega de surpresa.
Fingir que sempre soube de tudo.
Fingir que nunca aconteceu.
Começar tudo outra vez.
E desta vez, dizer para si mesmas, nunca mais. Nunca vou cair no mesmo truque de novo.
Mas vão.
Vão cair porque não sabem o que querem da vida e, até saberem, estão fadadas a repetir padrões de tempos em tempos, destinadas a repetir os mesmos erros. Porque estão buscando uma fantasia inalcançável. Ou o homem perfeito. O marido perfeito. O amante perfeito.
E a vida não é assim.
Realmente não é.
Não é mesmo.
Pessoas não são assim.
E isso não se aplica somente a mulheres. Homens são vítimas de seu próprio autoengano também. Os mais sensíveis, pelo menos. Os que são evoluídos o suficiente para pensar em mulheres como mais do que apenas um receptáculo para seu gozo. Às vezes, eles são muito evoluídos. Eles pensam muito. Eles colocam as mulheres em um pedestal, idealizam a companheira perfeita num nível que ninguém pode atingir. Pelo menos, eu sei que eu não posso. E para mim, isso apenas parece ser a receita para uma vida de decepção e relacionamentos fracassados. De procurar incessantemente pela pessoa certa e sempre acabar com a errada. Muito errada.
Este é o jogo do amor. Um jogo em que todos perdem.
Você vai dizer, isso é horrível.
Eu digo, realista.
Eu não estou dizendo que não acredito em amor, porque eu acredito. E, se duvidar, sou capaz de admitir que é a única coisa em que eu acredito. Nada de Deus, dinheiro, pessoas. Somente no amor. E eu não estou sugerindo que ninguém abaixe seu nível de exigência, ou se contente com pouco. Longe disso.
”
”
Sasha Grey (The Juliette Society (The Juliette Society, #1))
“
È tutto cosi strano. Non so come spiegarlo bene. Ma ho la sensazione che manchi qualcosa. Mi sembra che le cose attorno a me comincino a scomparire, eppure c'è tutto. La mia casa è sempre la stessa ma qualcosa non è al suo posto. I miei ricordi hanno delle falle, dei vuoti. Forse mi sto solo creando problemi che non esistono. Oggi pomeriggio devo andare al lavoro, ne ho voglia. È come se oltre ai vuoti di memoria avessi iniziato a perdere anche la voglia di fare, mi appare tutto cosi inutile.
Oggi è mercoledì, dopo il lavoro avevo un impegno ma... non ricordo quale.. spero passi in fretta questo periodo. Forse è solo stress. Fa questi brutti effetti lo stress? Mi sento come dentro un'enorme clessidra, il tempo passa ed io non mi sposto di un millimetro e quello che mi lascio alle spalle è semplice sabbia.
”
”
Marco Gregò (Nella terra del sole che sboccia)
“
[...] se adesso, alla fine del XIX secolo, fosse possibile scaricare sugli operai anche le nostre più sgradevoli funzioni fisiologiche, lo faremmo di certo, e poi, naturalmente, diremmo a nostra giustificazione che se gli uomini migliori, i pensatori e i grandi scienziati si mettessero a perdere il loro preziosissimo tempo per queste funzioni, il progresso potrebbe essere minacciato da un grave pericolo.
”
”
Anton Čechov
“
Da quanto tempo sono qui?”
“Da molti anni,” rispose. “Se non fosse stato per lui, avrebbe potuto diventare un’eternità.”
James si sentì stringere il cuore, anche se forse quel senso di costrizione era dovuto alla fatica. Sì, grazie a lui, certo non grazie a te. Dov’è Peter? Non intendo andarmene senza di lui.”
La regina sembrava perplessa, anche se indovinare le emozioni di una libellula non era affatto facile. “E se lui dovesse decidere di restare?”
“Non lo farà.”
“La scelta è sua. Se resti ancora ad aspettarlo, rischierai di perdere di nuovo te stesso.”
James tentò di fare una smorfia anche se il suo viso sembrava congelato. “Non fingere d’essere preoccupata,” sibilò. “Se avessi davvero voluto aiutarmi, avresti smesso di creare questa maledetta tempesta per farmelo ritrovare senza prima morire congelato.”
La risata della regina era dissonante e fastidiosa e gli fece tremare i denti. “Oh, James,” disse, “Ma questa tempesta è la sua.”
James spalancò la bocca e la richiuse in fretta.
“Certo,” disse alla fine. “Avrei dovuto capirlo subito.”
Si sentiva svuotato. Aveva davvero pensato che quella tempesta che stava cercando in ogni modo di tenerlo lontano da Peter fosse stata creata dall’isola, o dalle fate o da qualche altra forza magica e crudele.
E invece era stato proprio Peter – Peter stava cercando di tenerlo lontano o forse stava soltanto sfogando la sua rabbia contro il mondo, senza pensare a cosa sarebbe potuto succedere a James.
“Non ti sei mai accorto che ogni suo sorriso fa spuntare il sole?” Aggiunse la regina. “Era un altro dei desideri che aveva da bambino.”
James rise a fatica. “E io invece non ho desiderato mai nient’altro che una ciurma di pirati.”
“Le sue storie sono molto più ardite delle tue.”
“Non posso lasciarlo qui.”
“Quanto a lungo pensi di poter restare attaccato ai tuoi ricordi?” Chiese la regina. “Ti dimenticherai tutto. Come sempre, non riuscirai a resistere alla tentazione.” Gli atterrò sulle mani; di colpo erano diventate calde, il freddo dimenticato e i tagli lasciati dalle rocce della scogliera erano scomparsi. James si disse che sarebbe stato inutile, e probabilmente fatale, schiacciarla fra le mani. “Dovresti andare via subito,” gli disse, “Finché sei ancora in tempo.”
L’idea di andare via senza Peter lo dilaniava, ma anche il pensiero di perdersi di nuovo gli era intollerabile. Avrebbe continuato a vagabondare alla ricerca di Peter fino a dimenticarne la ragione e senza mai riuscire a ritornare a quella vita che aveva quasi già perso
”
”
Austin Chant (Peter Darling)
“
Le interessa sconfiggere la solitudine e non perdere tempo a capire che in questo schifo di mondo niente vale un centesimo se non abbiamo qualcuno con cui condividerlo.
”
”
Carlos Ruiz Zafón (The Angel's Game (The Cemetery of Forgotten Books, #2))
“
Cristo ensina que quando uma pessoa não consegue controlar a sua ira, ela pode perder o controle e matar alguém (Mt 5.21,22).
”
”
Douglas Baptista (Valores Cristãos: Enfrentando as Questões Morais de Nosso Tempo (Portuguese Edition))
“
Eu e Paloma começamos a conversar, e parecia a coisa mais natural do mundo, parecia que nos conhecíamos desde sempre. Já teve essa sensação? Você se senta ao lado de alguém, como me sentei ao lado da Paloma, olha para a pessoa e diz oi, nem precisa perder tempo comentando bobagens, se está frio, se está calor, se parece que vai chover. Diz oi e como que retoma uma conversa.
”
”
Adriana Lisboa
“
[...] L'uomo è fatto per la guerra, non per perdere tempo a intonare "om" e blaterare di pace interiore.
”
”
Beth Fantaskey (Jessica's Guide to Dating on the Dark Side (Jessica, #1))
“
Viver do sonho e para o sonho, desmanchando o Universo e recompondo-o, distraidamente confere mais apego ao nosso momento de sonhar. Fazer isto consciente, muito conscientemente, da inutilidade de o fazer. Ignorar a vida com todo o corpo, perder-se da realidade com todos os sentidos, abdicar do amor com toda a alma. Encher de areia vã os cântaros da nossa ida à fonte de despejá-los para os tornar a encher e despejar, futilissimamente.
Tecer grinaldas para, logo que acabadas, as desmanchar totalmente e minuciosamente.
Pegar em tintas e misturá-las na paleta sem tela ante nós onde pintar. Mandar vir pedra para burilar sem ter buril nem ser escultor. Fazer de tudo um absurdo e requintar para fúteis todas as nossas estéreis horas. Jogar às escondidas com a nossa consciência de viver.
Ouvir as horas dizer-nos que existimos com um sorriso deliciado e incrédulo. Ver o Tempo pintar o mundo e achar o quadro não só falso mas vão.
Pensar em frases que se contradigam, falando alto em sons que não são sons e cores que não são cores. Dizer — e compreendê-lo, o que é aliás impossível — que temos consciência de não ter consciência, e que não somos o que somos. Explicar isto tudo por um sentido oculto e paradoxo que as coisas tenham no seu aspecto outro-lado e divino, e não acreditar demasiado na explicação para que não hajamos de a abandonar.
Esculpir em silêncio nulo todos os nossos sonhos de falar. Estagnar em torpor todos os nossos pensamentos de ação.
E sobre tudo isto, como um céu uno e azul, o horror de viver paira alheadamente.
”
”
Fernando Pessoa (Livro do desassossego)
“
Os pistoleiros de aluguel realizam, num plano menor, a mesma tarefa que cumprem, em grande escala, os generais condecorados por crimes elevados à categoria de glórias militares. Os assaltantes que, à espreita nas esquinas, atacam a manotaços, são a versão artesanal dos golpes dados pelos grandes especuladores, que lesam multidões pelo computador.
Os violadores que mais ferozmente violam a natureza e os direitos humanos jamais são
presos. Eles têm as chaves das prisões. No mundo como ele é, mundo ao avesso, os países responsáveis pela paz universal são os que mais armas fabricam e os que mais armas vendem aos demais países. Os bancos mais conceituados são os que mais narcodólares lavam e mais dinheiro roubado guardam. As indústrias mais exitosas são as que mais envenenam o planeta, e a salvação do meio ambiente é o mais brilhante negócio das empresas que o aniquilam. São dignos de impunidade e felicitações aqueles que matam mais pessoas em menos tempo, aqueles que ganham mais dinheiro com menos trabalho e aqueles que exterminam mais natureza com menos custo.
Caminhar é um perigo e respirar é uma façanha nas grandes cidades do mundo ao avesso. Quem não é prisioneiro da necessidade é prisioneiro do medo: uns não dormem por causa da ânsia de ter o que não têm, outros não dormem por causa do pânico de perder o que têm. O mundo ao avesso nos adestra para ver o próximo como uma ameaça e não como uma promessa, nos reduz à solidão e nos consola com drogas químicas e amigos cibernéticos. Estamos condenados a morrer de fome, a morrer de medo ou a morrer de tédio, isso se uma bala perdida não vier abreviar nossa existência. Será esta liberdade, a liberdade de escolher entre ameaçadores infortúnios, nossa única liberdade possível?
O mundo ao avesso nos ensina a padecer a realidade ao invés de transformá-la, a esquecer o passado ao invés de escutá-lo e a aceitar o futuro ao invés de imaginá-lo: assim pratica o crime, assim o recomenda. Em sua escola, escola do crime, são obrigatórias as aulas de impotência, amnésia e resignação. Mas está visto que não há desgraça sem graça, nem cara que não tenha sua coroa, nem desalento que não busque seu alento. Nem tampouco há escola que não encontre sua contraescola.
”
”
Eduardo Galeano
“
Os perdedores, assim como os autodidatas, sempre têm conhecimentos mais vastos que os vencedores, e quem quiser vencer deverá saber uma única coisa e não perder tempo sabendo todas, o prazer da erudição é reservado aos perdedores. Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela.
”
”
Umberto Eco (Numero zero)
“
Li que existem três maneiras de lidar com o medo da morte. A primeira é a repressão. Esquecer que a morte existe e agir como se nunca fosse chegar. A maioria de nós vive assim. A segunda é se lembrar da morte o tempo inteiro, e viver cada dia como se fosse o último. E a terceira é a aceitação. Uma pessoa que realmente aceita a morte não tem medo de nada. Fica em paz, mesmo quando está prestes a perder tudo. Sabe o que essas três opções têm em comum?” Fiz que não. Para mim, seria mais fácil morrer de uma vez do que ficar pensando nessas coisas esquisitas. “Todas são mentiras. São apenas máscaras para o medo.” “Então, o que é verdade?” “O medo, eu acho. O medo é o mais honesto de todos os sentimentos.
”
”
Jeong You Jeong
“
Mulheres são os melhores juízes de mulheres.
Disseram filósofos e moralistas, uns grandes santos como S. Paulo, e outros
grandes ateus como Voltaire, que a mulher é um ser exuberante de sensibilidade, e
apoucado de raciocínio.
Daí vem o denegarem-lhe acesso às ciências abstractas, às políticas, aos
parlamentos, ao magistério, às regiões intelectivas do maquinismo social, e mandaremnas cuidar dos filhos, e fiar na roca.
Se o absurdo vinga, se, por alvitre grosseiro do mais forte, a mulher é um ente
inepto para exercitar a razão, com que direito as julgamos e sentenciamos, segundo a
razão, sendo as suas culpas demasias de sentimento.
A injustiça é flagrante e odiosa.
Privam-nas de razão para as excluírem das funções que a requerem; sentenciamnas pela razão, se o sentimento, seu dom essencial, as desvia do piso demarcado por ela.
Isto é uma tirania, uma inquisição, uma crueza turca.
A mulher não pode ser julgada por nós. Somos os senhores feudais da razão. A
nossa alçada respira a prepotência do braço e cutelo. Estamos em insurreição
permanente contra o santíssimo apostolado de Jesus, que baixou seu divino braço por
igual sobre o homem e mulher.
Não podemos superintender no foro do coração, porque a nossa jurisprudência é
toda de cabeça, e o nosso código em pleitos de alma é estúpido ou hipócrita.
Quem é o juiz da mulher? O homem que a despenha do abismo, onde a lançou o
amor, ao abismo do opróbrio.
É o homem, que lhe entalha o ferrete da ignomínia na face onde imprimira o beijo
da perdição.
O altar onde se adora uma mulher é ao mesmo tempo a asa onde ela se dá em
holocausto. Pecadora por muito sentir e chorar, amar e crer, quando nos abre céus e céus
de alegria e glória, abrimos-lhes nós o inferno dos desenganos, e o suplício extremo do
descrédito. O mundo não as exija, mas afronta-as; o coração não as incrimina, mas
agoniza na horrível soledade para onde a razão o desterra.
E somos nós os juízes, porque entramos numa herança usurpada pela força
primeiro, e legalizada depois pelo sofisma escrito.
A mulher foi escrava do braço, antes de o ser da superioridade moral.
Quando o homem chamou a ciência a dar um testemunho falso da sua primazia, a
mulher, quebrantada pela escravidão do braço, não pôde remir-se com as forças do
espírito.
Ainda assim, o tirano, receoso da emancipação, fez em redor da escrava as trevas
da ignorância, para que a razão da mulher não pudesse conceber da luz o germe que a
reabilitasse.
Pegou da formosa flor, cercou-a de estevas, cobriu-a de sombras por onde o sol
não podia coar uma réstia reanimadora.
Esta maquinação arteira sobreviveu a todas as borrascas sociais. Os fautores, e
ainda os mártires da igualdade perante Deus e perante a lei, nunca proferiram uma
palavra, nem verteram gota de sangue para o resgate moral da mulher.
O Filho de Maria disse que a mulher era igual ao homem, e levou para o céu o
segredo da sua emancipação.
Ficámos nós cá, os açambarcadores do entendimento escrevendo livros, que
sacrilegamente denominamos de moral derivada do Evangelho, e neles demarcamos a
47
profunda raia que estrema RAZÃO de SENTIMENTO. A razão para nós, o sentimento
para elas. Se, todavia, o sentimento claudica nos preceitos da razão pautada e insofrida,
condenamos a mulher pela culpa de se deixar perder na obscuridade, à míngua duma
lâmpada que lhe negáramos.
”
”
Camilo Castelo Branco (O Que Fazem Mulheres)
“
Este romance é uma absoluta perda de tempo e você não deve perder tempo lendo. A maneira em que a história é apresentada não mostra nada além da má psicologia do autor. Ironicamente, os chamados “críticos árabes” o selecionaram como um dos melhores livros do século XX em árabe. Subhanallah, esta é a prova viva deste Hadith: “سَيَأْتِي عَلَى النَّاسِ سَنَوَاتٌ خُدَّاعَاتٌ يُصَدَّقُ فِيهَا الْكَاذِبُ وَيُكَذَّبُ فِيهَا الصَّادِقُ، وَيُؤْتَمَنُ فِيهَا الْخَائِنُ، وَيُخَوَّنُ فِيهَا الأَمِي، وَيَنْطِقُ فِيهَا الرُّوَيْبِضَةُ” Eu gostaria de dar 0 estrelas se possível , pois 1 estrela é demais, mas não há opção :(
”
”
Mauro Carlos monteiro
“
Quante serate che ho passate da solo a guardare i documentari di Ulisse. Mi hanno sempre regalato un piacere particolare, il piacere della scoperta e della conoscenza.
Che meraviglia la Patagonia. Sembra essere rimasta come l'origine dei tempi. E Ushuaia, che nome evocativo. Non so perché, è uno dei quei posti che ho sempre voluto andarci, sin da piccolo, quando esploravo il mappamondo.
Immagino come sarebbe stata fantastica ed eccitante, piena di conoscenza e di esperienza; la vita degli esploratori come Magellano, che hanno visto cosi tante cose, ma per la prima volta, prima di ogni uomo, e hanno vissuto con cosi tanta meraviglia di scoperta, a quel tempo che tutto era ignoto, e non come adesso che tutto si sa con un click. A volte viene voglia di andare via... E mi viene in mente una frase di Pirandello:
Hai mai pensato di andare via e non tornare mai più? Scappare e far perdere ogni tua traccia, per andare in un posto lontano e ricominciare a vivere, vivere una vita nuova, solo tua, vivere davvero. Ci hai mai pensato?
”
”
Luigi Pirandello
“
Comunque sia lei deve avermi preparato una tazza di tè, prima di uscire per piazzare un avviso nei pressi dello stagno, che, tra parentesi, tutto è fuorché profondo. Dipendesse da me, non metterei un cartello vicino a uno stagno con su scritto STAGNO, ci scriverei qualcos'altro, tipo SBOBBA PER MAIALI, o lascerei perdere proprio. So qual è lo scopo, so che si vuole evitare che i bambini si avvicinino allo stagno correndo troppo e ci cadano dentro, eppure non sono granché d'accordo. Non è che io voglia vedere bambini ruzzolare nello stagno, malgrado davvero non capisca che male potrebbe fargli; è che non posso fare a meno di soppesare il problema dalla prospettiva di un bambino. E in tutta franchezza mi sentirei disgustata al punto di ordire una vendetta immediata se in un pomeriggio di settembre inoltrato venissi condotta in un luogo di presunta magia e mi fiondassi sullo stagno, quasi certamente sola, per scoprire la parola stagno scribacchiata in modo illeggibile su un misero e umidiccio pezzo di compensato lì accanto. Oh, mi infurierei. Quel genere di idiota invadenza si ripete con tale fastidiosa regolarità nel corso dell'infanzia ed è sempre fonte di estrema irritazione. Vedi si comincia con l'indagare, con lo sviluppare la capacità di notare davvero le cose e, a forza di tempo e con la pratica necessaria, si entra in sintonia con il logos radicato nella terra e si arriva a conoscere l'arricchente gioia di muoversi in accordo diretto e profondo con le cose. Eppure questo processo vitale viene bruscamente intralciato dall'immancabile e stupido dispiego di nomi letterali e avvisi insensati, tanto che l'intero terreno ne risulta oscurato e inaccessibile finché tutto non diventa temibile. Manco la terra fosse un'immensa ed elaborata trappola mortale.
”
”
Claire-Louise Bennett (Pond)
“
No meu tempo de menino tínhamos pena dos pobres. Eles cabiam naquele lugarzinho menor, carentes de tudo, mas sem perder humanidade. Os meus filhos, hoje, têm medo dos pobres. A pobreza converteu-se num lugar monstruoso.
”
”
Mia Couto (O Assalto)
“
È davvero uno spettacolo molto brutto vedere qualcuno che ha perso tutto. Sai, cantore, è curioso. A suo tempo, mi sembrava che non si potesse perdere tutto, che rimanesse sempre qualcosa. Sempre. Perfino nei tempi del disprezzo, in cui l'ingenuità sa vendicarsi nel modo più spietato, non si può perdere tutto. Ma lui... Lui ha perso un'infinità di sangue, la possibilità di camminare agilmente, l'uso parziale della mano sinistra, la spada da strigo, la donna che amava, la figlia recuperata per miracolo, la fede... Be', ho pensato, qualcosa deve pur essergli rimasto. Mi sbagliavo. Non ha più nulla. Neppure un rasoio.
Ti ho chiesto se eri tra quelli che lo hanno ridotto così. Ma forse è una domanda inutile. È chiaro che la risposta è sì. È evidente che sei suo amico. E, se si hanno degli amici, e ciononostante si perde tutto, è chiaro che gli amici ne hanno colpa. Per ciò che hanno fatto o non hanno fatto. Per non aver visto cosa andava fatto.
”
”
Andrzej Sapkowski (The Time of Contempt (The Witcher, #2))
“
Deveria ter dado voz às minhas preocupações, se não para outra pessoa, ao menos para mim mesmo. Era minha decisão, afinal. Mas algo estranho tinha começado a acontecer. Em um ambiente em que as pessoas estavam desesperadas para fazer coisas por mim mesmo, comecei a perder a capacidade de fazer e pensar coisas por mim mesmo. Deixando minha nova equipe em LA me encorajar em relação à minha carreira e me expor a esse novo estilo de vida de Hollywood, senti que tinha dado um passo além e terceirizado minha habilidade de tomar qualquer tipo de decisão ou de ter minhas próprias opiniões. Se as pessoas te lembram o tempo todo de quanta sorte você tem e de que uma determinada maneira de viver é legal, você começa a acreditar, mesmo que não seja o que sente lá no fundo. De repente, suas habilidades de crítica enfraquecem e você deixar de ser você mesmo. Pouco a pouco, deixei de ser eu mesmo.
”
”
Tom Felton (Beyond the Wand: The Magic & Mayhem of Growing Up a Wizard)
“
Se há coisas na vida que contam com o tempo, são a amizade e a velhice.
(O tempo fez-me perder a primeira, enquanto acentuava a segunda.)
”
”
Al Berto (O Anjo Mudo)
“
Que coisa? Não sei. Qualquer coisa, um feto que está nas entranhas do futuro, — ou cinco fetos para imitar uma senhora de Aracati, estação da estrada de ferro Leopoldina, que acaba de dar à luz cinco criaturas. Todas gozam perfeita saúde. Eis o que se chama vontade de criar. Parecem uns retardatários, munidos de bilhetes, que receiam perder o espetáculo, e entram aos magotes. Não, amiguinhos, não é tarde; qualquer que seja a hora, chegareis a tempo. O espetáculo é semelhante ao panorama do Rio de Janeiro, de Victor Meirelles; está sempre no mesmo pavilhão.
”
”
Machado de Assis (Obras Completas de Machado de Assis VI: Crônica)
“
Per andare in profondità bisogna essere capaci di perdere il controllo, di interrompere il costante monitoraggio del tempo e dello spazio per lasciarsi andare in caduta libera dentro se stessi, o dentro qualcun altro, o dentro una delle tante crepe dell'esistenza.
”
”
Ia Genberg (The Details)
“
Fazer gestão da própria vida é não perder tempo gerenciando
”
”
Pablo Marçal (O Destravar da Inteligência Emocional (Portuguese Edition))
“
Ma se è una tela sporcata, tagliata e rotta, bisogna prima ricostituirla. Questo ricostituire, questo lavorare per ricostituire, che sarebbe persino un perdere tempo, questo è la croce.
”
”
Luigi Giussani (Dal temperamento un metodo - Quasi Tischreden - Volume 6 (Italian Edition))
“
Chiuso nella bolla della razionalità o, come altro lato della medaglia, in quella delle fantasie, l'uomo della modernità arriva a perdere ogni contatto: con la terra, con gli altri uomini, con il cielo, alla fine anche con se stesso. Scivola nella virtualità, nella non-vita. Se potessi descrivere questo tempo su un piano clinico, parlerei di una pandemia di schizofrenia e autismo: separazione e isolamento elevati fino alla sofferenza della dissociazione.
”
”
Massimo Angelini (Minima ruralia)
“
Como se despertassem de repente, logo lúcidas, logo esperta, estranharam a cegueira com que se habituaram àquela peste. Estranharam-se a si próprias: foi como se fizessem perguntas a quem tinham sido na véspera e lhes parecesse que falavam com alguém de outro entendimento.
E deixaram de aceitar. Pareceu-lhes incrível que tivessem chegado a esquecer o seu próprio cheiro. Pareceu-lhes incrível que tivessem chegado a esquecer o seu próprio cheiro. Pareceu-lhes incrível aquele tempo, dia apó dia, mês após mês, repetição insistente de uma mentira. Se continuassem a aceitar a mentira, acreditariam nela em breve e, quando acreditassem, nada faltaria para que eles próprios fossem essa mentira.
Há muitas formas de estar morto.
Perder o cheiro, perder o nome, perder a própria vida, mesmo que ainda ocupando um corpo ou uma sombra. Perder o cheiro, perder o nome, perder a própria vida, mesmo que ainda suportando o tempo e o peso do olhar.
”
”
José Luís Peixoto (Galveias)
“
Finalmente podemos argumentar que esse tipo de pirataria na verdade ajuda o dono do copyright. Quando os chineses "pirateiam" o Windows, isso torna a China dependente da Microsoft. A Microsoft perde o valor do software tomado. Mas ele ganha usuários que estarão acostumados a viverem no mundo da Microsoft. Com o tempo, conforme as nações ficarem mais ricas, mais e mais pessoas irão comprar software ao invés de o piratear. E com tempo, já que tais compras beneficiarão a Microsoft, a Microsoft irá se beneficiar da pirataria. Se ao invés de piratearem o Microsoft Windows os chineses estivessem usando o sistema operacional livre GNU/Linux, então esses usuários chineses não iriam comprar eventualmente produtos Microsoft. Sem pirataria, portanto, a Microsoft iria perder dinheiro.
”
”
Lawrence Lessig (Cultura Livre (Portuguese Edition))
“
não vai dar tempo
de viver outra vida
posso perder o trem
pegar a viagem errada
ficar parada
não muda nada
também
pode nunca chegar
a passagem de volta
e meia vamos dar
”
”
Alice Ruiz (Dois em Um)
“
Certa gente perde una creatura amata e tira dritto e sposta il proprio affetto su un'altra. Ma è doloroso. Troppo doloroso. L'amore supera l'istinto. Quando ami smetti di vivere per te stesso. Vivi per un'altra persona. La sofferenza è l'emozione più forte che un uomo o un bambino o un animale possano provare. E' una buona sensazione. La sofferenza ti spinge a lasciare te stesso. Esci dal tuo piccolo e limitato guscio. E non puoi soffrire se prima non hai amato. La sofferenza è l'esito finale dell'amore, perché è amore perduto. È il completamento del ciclo dell'amore: amare, perdere, soffrire, lasciare e lasciarsi, poi amare di nuovo. Soffrire è la consapevolezza che dovrai essere solo, e al di là di questo non c'è nulla, perché essere solo è il destino ultimo, definitivo di ogni creatura vivente. Ecco cos'è la morte: la grande solitudine. La conoscenza della mancanza di coscienza. Quando moriremo non ce ne accorgeremo, perché morire è perdere tutto quanto. Ma soffrire è morire ed essere vivi allo stesso tempo. L'esperienza più assoluta, più totale che si possa provare. È troppo. Il corpo arriva quasi a distruggersi, con tutti quei sussulti, quelle contorsioni. Ma io voglio provare dolore. Versare lacrime. La sofferenza ti unisce di nuovo a ciò che hai perso. E' una fusione. Te ne vai anche tu con la cosa o la persona amata che scompare. In un certo senso, ti dividi da te stesso e l'accompagni, fai con lei una parte del viaggio. La segui sin dove ti è concesso spingerti. Ma alla fine, la sofferenza se ne a e tu torni in sintonia con il mondo. Senza l'altro. E riesci ad accettarlo. Che altra scelta abbiamo? Piangi, continui a piangere, perché non torni mai del tutto indietro dal posto in cui sei andato con l'altro. Un frammento che si è staccato dal tuo cuore pulsante è ancora là. C'è una lesione. Una ferita che non guarisce mai. E se ti succede una volta e un'altra e un'altra volta ancora, col tempo se ne va una parte troppo grande del tuo cuore e non riesci più a soffrire. E allora tu stesso sei pronto a morire. Salirai la scala in diagonale e qualcun altro resterà indietro a soffrire per te.
”
”
Philip K. Dick (Flow My Tears, the Policeman Said)
“
Diz-se que as pessoas aprendem a perder o apego às coisas que sabem que vão perder. Ou que deveriam aprender. Mas eu acho que não se aprende nada. Apenas se deixa de querer aquele tempo - o agora ou o amanhã, não interessa - para se passar a querer outro
”
”
Miguel Esteves Cardoso (Como é Linda a Puta da Vida)
“
Per ogni cosa c'è il suo momento, il suo tempo per ogni faccenda sotto il cielo.
C'è un tempo per nascere e un tempo per morire,
un tempo per piantare e un tempo per sradicare le piante.
Un tempo per uccidere e un tempo per guarire,
un tempo per demolire e un tempo per costruire.
Un tempo per piangere e un tempo per ridere,
un tempo per gemere e un tempo per ballare.
Un tempo per gettare sassi e un tempo per raccoglierli,
un tempo per abbracciare e un tempo per astenersi dagli abbracci.
Un tempo per cercare e un tempo per perdere,
un tempo per serbare e un tempo per buttar via.
Un tempo per stracciare e un tempo per cucire,
un tempo per tacere e un tempo per parlare.
Un tempo per amare e un tempo per odiare,
un tempo per la guerra e un tempo per la pace.
”
”
Anonymous (Ecclesiastes, or The Preacher (Bible, #21))
“
Però poi si annoiavano moltissimo, soprattutto in metropolitana a osservare la gente che non sa mai dove mettersi perché ha sempre paura che gli altri la guardino, o quelli che vogliono far capire agli altri che loro se ne infischiano di tutto, o quelli che vogliono far capire agli altri che loro sono stanchissimi di tutto. Queste cose facevano venir loro la malinconia. Poi facevano venir loro la malinconia gli automobilisti che suonano il clacson per far vedere che loro hanno fretta; quelli per strada che spingono per far vedere che vanno per i fatti loro; quelli nei bar che discutono di cose che non interessano a nessuno, solo per far vedere come sanno parlare; quelli che ridono quando non c'è niente da ridere, solo per far vedere che hanno capito tutto; quelli nei negozi che guardano da un'altra parte, per far vedere che loro non hanno tempo da perdere; le donne che guardano da un'altra parte per far vedere che si lasciano ammirare, ecc.
”
”
Gianni Celati (Narratori delle pianure)
“
- Hai parlato con qualcuna di loro?
La vecchia chinò il capo, quella Irani vedeva lontano, sarebbe stata la prossima Madre. Questo la rasserenò un poco.
- Sì, ho parlato con una donna.
- E cosa ti ha detto?
- Le ho chiesto cosa fosse successo al suo popolo. «Ha dimenticato», mi ha risposto. «Ha dimenticato che la vita viene prima della morte, che le donne vengono prima degli uomini, che la natura viene prima ancora». Le ho chiesto da quanto tempo avesse dimenticato. «Alcune migliaia di anni», mi ha risposto. «Può la tua gente recuperare la memoria?» le ho chiesto. «Certo, quelli come me non l’hanno mai persa». «Perché non glielo insegni?». «Lo faccio, ma è difficile. L’abbiamo sempre fatto, ma è stato difficile. Tante donne, meno uomini. Siamo stati isolati, perseguitati, uccisi, bruciati, ma l’abbiamo fatto e continueremo a farlo». «Chi ha fatto perdere la memoria a tutta questa gente?». «La paura, la violenza, la pigrizia, l’abitudine. Ci furono uomini che hanno pensato di poter possedere altri uomini, anzi prima di tutto di poter possedere donne e bambini, e se li presero con la forza bruta. Gli altri protestarono ma finirono col subire. Persino le donne accettarono, non tutte ma la maggioranza. La storia è lunga ma vedi tu stessa come viviamo adesso». «State vivendo alla rovescia. Come fate a vivere alla rovescia?». «Con molta sofferenza, rincorrendo la felicità, cercando la gioia anche dove sembra ci sia solo dolore, affannosamente, sapendo in qualche modo che tutto potrebbe essere diverso». «La Dea ha permesso tutto ciò?». «Gli umani l’hanno permesso. La Dea è stata scelta dagli umani. Ora è pieno di Dei maschi». «Come andrà a finire?». «Ritroveremo la memoria, ma non basterà, dobbiamo inventare un nuovo modo di vivere». «Non è sufficiente rimettere semplicemente le cose a posto, come sono per il mio popolo?». Mi ha sorriso e ha scosso la testa. Poi mi sono svegliata.
”
”
Sara Morace
“
All'improvviso, mi ronzarono le orecchie ed ebbi un forte capogiro che mi costrinse a chiudere gli occhi. Era come se fossi su una giostra che ruotava vorticosamente, facendomi perdere il senso dell'orientamento e del tempo. Udii fragori di spade, grida di dolore, ni-triti inferociti, parole che non comprendevo, nomi che non conoscevo.
Finché una voce eterea non si sovrappose alle altre. «Aër.»
”
”
Chiara Cilli (I quattro Protetti (La guerra degli Dei, #1))
“
À parte estes aborrecimentos, não me sentia muito infeliz. Todo o problema, repito-o, estava em matar o tempo. Por último, acabei por já não me maçar, a partir do instante em que aprendi a recordar. Punha-me às vezes a pensar no meu quarto e, em imaginação, partia de um canto e dava a volta ao quarto, enumerando mentalmente tudo o que encontrava pelo caminho. Ao princípio, isto durava pouco. Mas, cada vez que recomeçava, ia durando mais, pois lembrava-me de cada móvel e, para cada móvel, de cada objecto que lá havia e, para cada objecto, de todos os pormenores, e para os próprios pormenores, de uma incrustação, de uma racha, de um bordo quebrado, da cor que tinham, ou da qualidade de que eram feitos. Tentava ao mesmo tempo não perder o fio a este inventário e fazer uma enumeração completa. De tal forma que, ao fim de algumas semanas, passava horas só a catalogar tudo o que havia no meu quarto. Assim, quanto mais pensava, mais coisas esquecidas ia tirando da memória.
”
”
Albert Camus (The Stranger)
“
In biblioteca, attraverso la porta aperta, vide Blay e Saxton che parlavano. Poi suo cugino fece un passo avanti e prese Blay tra le braccia. Rimasero cosi, stretti l'uno contro l'altro; Qhuinn fece un respiro profondo e si sentì morire un pochino anche lui.Ecco come siamo finiti, pensò.Vite separate, futuri separati.Difficile credere che all'inizio erano inseparabili...All'improvviso gli occhi azzurri di Blay incrociarono i suoi.
E ciò che Qhuinn vi colse lo fece vacillare: quel volto splendeva d'amore, un amore puro e inalterato dalla timidezza che era parte integrante del suo riserbo. Blay non distolse lo sguardo.E per la prima volta... non lo fece neanche Qhuinn. Non sapeva se quell'emozione era legata a suo cugino - probabilmente sì - ma decise di godersela: guardò Blaylock dritto negli occhi, lasciando trasparire sul suo viso tutto ciò che aveva nel cuore.Lo lasciò trapelare in piena libertà.Perché c'era una lezione nella cerimonia funebre di quella sera: possiamo perdere in un batter d'occhio quelli che amiamo. E quando succede, c'è da scommetterci, non pensiamo a tutti i motivi che avrebbero potuto dividerci: pensiamo a tutti i motivi che ci univano.E di sicuro rimpiangiamo amaramente di non aver avuto più tempo a disposizione, anche se abbiamo avuto secoli e secoli...Da giovani pensiamo che il tempo sia un peso, qualcosa da scaricare il prima possibile per poter crescere. Ma è un tragico errore... da adulti capiamo che i minuti e le ore sono la cosa più preziosa che abbiamo.Nessuno ha a disposizione tutta l'eternità ed è un delitto sprecare il tempo che ci è dato da vivere.Basta, pensò Qhuinn. Basta con le scuse, basta scappare, basta cercare di essere qualcun altro, chiunque altro.Anche se restava fregato, anche se il suo prezioso piccolo ego e il suo stupidissimo cuoricino andavano in mille pezzi, era ora di piantarla con le stronzate.Era ora di comportarsi da persona matura. Esatto, amico, pensò Qhuinn vedendo che Blay cominciava a raddrizzarsi come se avesse colto il messaggio. Il nostro futuro è arrivato.
”
”
J.R. Ward (Lover Reborn (Black Dagger Brotherhood, #10))