Alegria Quotes

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Sin dolor, no podriamos conocer la alegria
John Green (The Fault in Our Stars)
Pois o amor resgata a pobreza, vence o tédio, ilumina o dia e instaura em nossa natureza a imperecível alegria.
Carlos Drummond de Andrade (Farewell)
Por eso tengo que volver a tantos sitios veneridos para encontrarme conmigo y examinarme sin cesar sin testigo que la luna, y luego silbar de alegria pisando piedras y terrones sin tarea que existir sin familia que el camino
Pablo Neruda
Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez, e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo. Recolho o mel, guardo a alegria, e digo-te baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge.
Al Berto (O Último Coração do Sonho)
Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Alberto Caeiro (The Collected Poems of Alberto Caeiro)
Marley fez-me pensar no carácter efémero da vida, nas suas alegrias passageiras e oportunidades perdidas. Fez-me lembrar que só temos uma chance de chegar ao ouro, sem repetições.
John Grogan
Eu canto porque o instante existe E a minha vida está completa Não sou alegre, nem sou triste Sou poeta
Cecília Meireles
Nas despedidas acontece isso: a ternura toca a alegria, a alegria traz uma saudade quase triste, a saudade semeia a lágrimas, e nós, as crianças, não sabemos arrumar essas coisas dentro do nosso coração.
Ondjaki (Os da Minha Rua)
Mas não quero resposta, quero ficar só. Gosto muito das pessoas mas essa necessidade voraz que às vezes me vem de me libertar de todos. Enriqueço na solidão: fico inteligente, graciosa e não esta feia ressentida que me olha do fundo do espelho. Ouço duzentas e noventa e nove vezes o mesmo disco, lembro poesias, dou piruetas, sonho, invento, abro todos os portões e quando vejo a alegria está instalada em mim.
Lygia Fagundes Telles (As Meninas)
Voy a hacer un rompeolas con mi alegria pequena. No quiero que sepa el mar que por mi pecho van penas.
Julia de Burgos
Há quem confunda a alegria com a felicidade. A alegria não se parece com a felicidade, a não ser na medida em que um mar agitado se parece com um mar plácido. A água é a mesma, apenas isso. A alegria resulta de um entorpecimento do espírito, a felicidade de uma iluminação momentânea. O álcool pode levar-nos à alegria - ou um cigarro de liamba, ou um novo amor - porque nos obscurece temporariamente a inteligência. A alegria pode, pois, ser burra. A felicidade é outra coisa. Não ri às gargalhadas. Não se anuncia com fogo de artifício. Não faz estremecer estádios. Raras são as vezes em que nos apercebemos da felicidade no instante em que somos felizes.
José Eduardo Agualusa (Barroco Tropical)
Terminar um livro é uma mistura de alegria e tristeza. Uma realização acompanhada de vazio.
Lourenço Mutarelli (O Grifo de Abdera)
Mas a tristeza é necessária à vida, acudiu D. Tomásia, que abrira os olhos logo à entrada do marido. As dores alheias fazem lembrar as próprias, e são um corretivo da alegria, cujo excesso pode engendrar o orgulho.
Machado de Assis (Helena)
El mundo esta lleno de mujeres como Beth, timidas y tranquilas, que aguardan sentadas en un rincon hasta que alguien las necesita, que se entregan a los demas con tanta alegria que nadie ve su sacrificio hasta que el pequeño grillo del hogar cesa de chirriar y la dulce soledad desaparece para dejar tras de si silencio y oscuridad.
Louisa May Alcott (Little Women (Little Women, #1))
Na infância eu queria uma amizade satisfatória, na adolescência eu queria um namoro satisfatório e agora eu não sonho mais com alegrias: eu quero apenas condizer comigo.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
E ela pensava como esta nossa vida é variada e diversa, como ela é mais rica de aspectos tristes que de alegres, e como na variedade da vida a tristeza pode mais variar que a alegria e como que dá o próprio movimento da vida.
Lima Barreto (O Triste Fim de Policarpo Quaresma)
A alegria é a coisa mais séria da vida.
Almada Negreiros
La vida es siempre asi: veinte minutos de afliccion por dos segundos de alegria.
V.C. Andrews (Seeds of Yesterday (Dollanganger, #4))
Uma mosca sem valor pousa com a mesma alegria na careca de um doutor como em qualquer porcaria.
António Aleixo (Este Livro que Vos Deixo - Volume 1)
Aprendeu, desde cedo, que o mundo é injusto e que toda grande alegria antecede uma tragédia maior.
Fernanda Torres (Fim)
A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem não misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido desgovernado. Assim eu acho, assim é que eu conto.
João Guimarães Rosa
Que isso foi o que sempre me invocou, o senhor sabe: eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero os todos pastos demarcados... Como é que posso com este mundo?
João Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)
Pois a posse do que se ama é uma alegria ainda maior do que o amor.
Marcel Proust (La Prisonnière)
Ela era capaz de me causar sofrimento, mas de nenhum modo alegria. Só pelo sofrimento subsistia o meu aborrecido apego.
Marcel Proust (La Prisonnière)
E o fruto do Espírito Santo: amor, alegria, paciência, bondade, lealdade, delicadeza e autodomínio.
Nicholas Sparks (The Last Song)
A alegria é não estar mais na sua própria casa mas sempre fora, enfraquecido de todo, cheio de fome, em toda a parte fora do mundo, como no ventre de Deus.
Christian Bobin (Francisco e o Pequenino)
Ó meigos sentimentos, suaves sons, bondade e sossego da alma enternecida, ó alegria derretida das primeiras comoções do amor, onde estão, onde estão?
Ivan Turgenev (Contos Russos: Tomo II)
O pensamento é triste; só a ação é alegre. A criança é alegre porque está em ação de crescer; o adulto é triste porque está em função de pensar.
Plínio Salgado
Consolo a minha saudade com fotografias tuas. Mas sei que há muito se apagaram os sorrisos do teu rosto. Envelhecemos separados, tenho pena, agora já é tarde, estou cansado demais para as alegrias de um reencontro. Não acredito na reconciliação ainda menos no sorriso que fizeste para as fotografias...
Al Berto (Diários)
Pensei que, quando se deixa passar o momento certo, quando alguém recusou algo tempo de mais, quando nos é recusado algo tempo de mais, esse algo chega forçosamente demasiado tarde mesmo que seja realmente desejado com força e acolhido com alegria.
Bernhard Schlink (The Reader)
Ninguem sabia o quanto ela o amava. Amava-o, porque ele a devolvera à vida. Ela vivia como uma lagarta dentro de um casulo, e Jack obrigara-a a sair cá para fora e mostrara-lhe que, afinal, era uma borboleta. (...) acordando o amor que jazia latente no seu coração, teria passado o resto da vida insensível às alegrias e penas do amor.
Ken Follett (The Pillars of the Earth (Kingsbridge, #1))
Ao sairmos para o anoitecer dourado das ruas bizantinas, refleti como era estranho que, mesmo sob as circunstâncias mais extraordinárias, durante episódios mais perturbadores da vida, nos lugares mais distantes de casa e de tudo que nos é familiar, possam existir esses momentos de incontestável alegria.
Elizabeth Kostova (The Historian)
no hay goce alguno de las cosas si no se comparten con otros.
Erasmus (Praise of Folly)
Transformo a tristeza, seiva bruta em alegria, seiva elaborada.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
É estranha a vida. Não nos previne. Mistura tudo sem nos deixar escolher e os momentos de sangue seguem-se aos momentos de alegria...
Philippe Claudel (Grey Souls)
A releitura é uma das técnicas utilizadas para a leitura lenta, traz muitas alegrias, mas o suspense não é uma delas.
John Mediema
São quatro as perturbações da alma: o desejo, a alegria, o medo e a tristeza.
Augustine of Hippo
En aquest moment, semblava que ens haguéssim convertit en una sola persona. El seu dolor sempre havia estat i sempre seria el meu, i també, la seva alegria ara era meva.
Stephenie Meyer (Eclipse (The Twilight Saga, #3))
Toda estrela é luz bonita que nunca soube descansar de alegrar a noite.
Ondjaki (E Se Amanhã o Medo)
E por tão triste me tenho Que, se sentisse alegria, De triste, não viveria.
Luís de Camões (Teatro e Cartas)
Entre las penas con que nuestra vida está tejida, luce siempre un chispazo de alegría.
Nikolai Gogol (Dead Souls)
O Sem-Pernas ficava pensando. E achava que a alegria daquela liberdade era pouca para a desgraça daquela vida.
Jorge Amado (Capitães da Areia)
A cada uno su pena, pero a todos la alegria
Alfredo Bryce Echenique (Un mundo para Julius)
Nunca tivera uma alegria de criança. Se fizera homem antes dos dez anos para lutar pela mais miserável das vidas: a vida de criança abandonada. Nunca conseguira amar a ninguém, a não ser a este cachorro que o segue. Quando os corações das demais crianças ainda estão puros de sentimentos, o do Sem-Pernas já estava cheio de ódio. Odiava a cidade, a vida, os homens. Amava unicamente o seu ódio, sentimento que o fazia forte e corajoso apesar do defeito físico.
Jorge Amado (Capitães da Areia)
Há dias iluminados por pequenas coisas, pequeninos nadas que nos tornam incrivelmente felizes; uma tarde a comprar antiguidades, um brinquedo antigo que encontramos no ferro-velho, uma mão que agarra a nossa mão, um telefonema de que não estávamos à espera, uma palavra doce, o filho que nos abraça sem pedir outra coisa senão um momento de amor. Há dias iluminados por pequenos instantes de graça, um cheiro que nos enche a alma de alegria, um raio de sol que entra pela janela , o barulho de uma chuvada quando ainda estamos na cama, ou a chegada da Primavera e dos seus primeiros rebentos.
Marc Levy (Le premier jour)
A vida parece uma montanha russa, só com subidas e decidas a pico, sem rectas nem planos, que se precipita de ilusão em desilusão, de amor em ódio, de alegria em tristeza, de paixão em tédio, sem descanso nem previsão. Ora se está a chorar ou a rir. Em qualquer dos casos, passa-se a vida aos soluços. Anda-se com o coração aos saltos dentro da boca.
Miguel Esteves Cardoso (Ultimo Volume)
Incluso podría estar usando una máscara, ¡Pero la sonrisa permanece en tu cara!
Ana Claudia Antunes (Amor de Pierrot (Portuguese Edition))
Mas, afinal, quando foi que brotou alguma felicidade, por menor que fosse, num coração conhecedor dos fatos em toda sua profundeza? Quando foi que houve alegria, senão alimentada por completas mentiras ou verdades desfalcadas? Sempre que a realidade mete o pé na porta, não há sorriso que não trate de escapulir pela janela. Todo felizardo é, antes de mais nada, um iludido.
José Falero (Os Supridores)
Se o corpo lhe permitisse, a vontade era capaz de viver para sempre. Era assim a sua força. Mas a idade derrota tudo, até o mundo. Depois, morre-se e escolhe-se um buraco fundo. Sem tristeza nem alegria. Desce-se o corpo para o buraco e cobre-se de terra fria.
Manuel Alves (Terra Fria)
(...) pareceu-me de súbito que a minha humilde vida e os reinos da verdade não estavam tão separados como supusera, que chegavam até a coincidir em certos pontos, e chorei de alegria e confiança sobre as páginas do escritor, como nos braços de um pai reencontrado.
Marcel Proust (Swann’s Way (In Search of Lost Time, #1))
De todas as pessoas que conheci, Federico vem em primeiro lugar. Não falo nem de seu teatro nem de sua poesia, falo dele. A obra-prima era ele. Parece inclusive difícil imaginar alguém comparável. Quer ao piano imitando Chopin, quer improvisando uma pantomima, um esquete teatral, era irresistível. Podia ler qualquer coisa, a beleza sempre jorrava de seus lábios. Ele tinha a paixão, a alegria, a juventude. Era uma labareda. Quando o conheci, na Residência dos Estudantes, eu era um atleta provinciano bem tacanho. Pela força da nossa amizade, ele me transformou, me fez conhecer outro mundo. Devo a ele mais do que consigo dizer. Seus restos mortais nunca foram encontrados. Lendas circularam sobre sua morte, e Dalí – de um jeito bem ignóbil – chegou a falar em crime homossexual, o que é totalmente absurdo. Na realidade, Federico morreu porque era poeta. Nessa época, do outro lado, ouvia-se gritar: “Morte à inteligência!
Luis Buñuel (Mi último suspiro (Spanish Edition))
Não importava como tudo terminaria ou como estaria fadado a terminar. Dorian era uma dessas figuras graciosas, num préstito, numa peça, cujas alegrias nos parecem remotas, mas cujas tristezas nos estremecem o sentido de beleza, e cujas feridas parecem rosas verdadeiras.
Oscar Wilde (The Picture of Dorian Gray)
Não nos provoca o riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntarmo-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.
Eduardo Galeano (The Book of Embraces)
Se não puderes ser um pinheiro no topo de uma colina, Sê um arbusto no vale mas sê O melhor arbusto à margem do regato. Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore. Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva E dá alegria a algum caminho. Se não puderes ser uma estrada, Sê apenas uma senda, Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela. Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso... Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Pablo Neruda
É muita vez apenas por falta de espírito criador que não se vai bastante longe no sofrimento. E a realidade mais terrível dá, ao mesmo tempo que o sofrimento, a alegria de uma bela descoberta, porque não faz senão dar uma forma nova e clara ao que ruminávamos desde muito sem o saber.
Marcel Proust (Sodom and Gomorrah)
Me pediste que no te olvidara, que pensara en ti si me faltabas porque solamente tu recuerdo me alegraría el ama... Pero si te imagino sonriendo, al vacio caigo pero lento porque este dolor que llevo dentro no se parece a nada... Ni a tu olor, ni a tus besos ni al amor que me dabas...
Dulce María
Todos descobrem, mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar na consideração oposta: que também uma infelicidade perfeita é, igualmente, não realizável. Os momentos que se opõem à realização de ambos os estados-limite são da mesma natureza: derivam da nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito. Opõe-se-lhe a certeza da morte, que impõe um limite a qualquer alegria, mas também a qualquer dor. Opõem-se-lhe as inevitáveis preocupações materiais que, assim como poluem qualquer felicidade duradoura, também distraem assiduamente a nossa atenção da desgraça que paira sobre nós e tornam fragmentária e, por isso mesmo, suportável, a consciência dela.
Primo Levi
Muitas vezes, é unicamente por falta de espírito criador que não se vai muito longe no sofrimento. E a mais terrível realidade nos concede, ao mesmo tempo que o sofrimento, a alegria de uma bela descoberta, porque só faz doar uma forma clara e nova ao que ruminávamos há muito sem desconfiar.
Marcel Proust (Sodom and Gomorrah)
He began again with poetry—Os poemas possíveis (Possible Poems) and Provavelmente alegria (Joy Probably)—then wrote O ano de 1993 (The Year of 1993), which is already on its way to becoming a narrative, followed by two collections of his newspaper articles, which are also fictions in embryo.
José Saramago (Skylight: A Novel)
Os livros eram o único lugar onde havia compaixão, consolo, alegria... e amor. Os livros amavam a todos que os abriam, ofereciam proteção e amizade sem exigir nada em troca, e nunca iam embora, nunca, mesmo quando não eram bem tratados. Amor, verdade, beleza, sabedoria e consolo perante a morte.
Cornelia Funke (Coração de tinta (Mundo de Tinta Livro 1) (Portuguese Edition))
A cidade está alegre, cheia de sol. “Os dias da Bahia parecem dias de festa”, pensa Pedro Bala, que se sente invadido também pela alegria. Assovia com força, bate risonhamente no ombro de Professor. E os dois riem, e logo a risada se transforma em gargalhada. No entanto, não têm mais que uns poucos níqueis no bolso, vão vestidos de farrapos, não sabem o que comerão. Mas estão cheios da beleza do dia e da liberdade de andar pelas ruas da cidade.
Jorge Amado (Capitães da Areia)
(...) não custa atribuir a obstinada melancolia dos portugueses ao uso desregrado da palavra saudade, no fado, na poesia, no discurso dos filósofos e dos políticos. Seria interessante estudar o quanto o culto à saudade contrariou, vem contrariando, o esforço para desenvolver Portugal. Já a famosa arrogância e optimismo dos angolanos poderia dever-se à insistência em termos como bué («Angola kuia bué!»), futuro, esperança ou vitória. No que respeita à alegria dos brasileiros, poderíamos talvez imputá-la a duas ou três palavras fortes que acompanham desde há muito a construção e o crescimento do país: mulato/mulata, bunda, carnaval.
José Eduardo Agualusa (Milagrário Pessoal)
Digo-te, ó sagrado Baal do céu, que não existes. Mas, se existisses, eu te amaldiçoaria de tal modo que esse teu céu palpitaria com o fogo do inferno. Em verdade te digo: ofereci-te meus serviços e tu os recusaste; repeliste-me, e hoje eu te viro as costas para sempre, pois nunca soubeste conhecer a hora da Visitação. Em verdade te digo: sei que vou morrer, e, não obstante, com a morte diante dos olhos, eu te desprezo, ó celeste Ápis. Empregaste contra mim a força, e não sabes que jamais me dobrei perante a adversidade. Pois deverias sabê-lo. Por acaso dormias quando plasmaste meu coração? Em verdade te digo: durante toda a vida, cada gota de sangue em minhas veias sentirá alegria em desprezar-te e escarnecer de tua Graça. A partir deste momento, renuncio a ti, a tuas pompas e tuas obras; lançarei o anátema sobre meu pensamento, se jamais ele te pensar; arrancarei os lábios se jamais eles pronunciarem teu nome. Se existires, digo-te a última palavra da vida e da morte: digo-te adeus. Depois, calo-me, viro-te as costas e sigo meu caminho.
Knut Hamsun (Hunger)
Entro Kriztina y aquel salon oscuro se inundo de luz. No solamente irradiaba juventud, no. Irradiaba pasion y orgullo, la conciencia soberana de unos sentimientos incondicionales. No he conocido a ninguna otra persona que fuera capaz de responder asi, de una manera tan plena, a todo lo que el mundo y la vida le daban: a la musica, a un paseo matutino por el bosque, al color y al perfume de una flor, a la palabra justa y sabia de otra persona. Nadie sabia tocar como ella una tela exquisita o un animal, de esa manera suya que lo abarcaba todo. No he conocido a nadie que fuera capaz de alegrarse como ella de las cosas sencillas de la vida: personas y animales, estrellas y libros, todo le interesaba, y su interes no se basaba en la altivez, en la pretension de convertirse en experta, sino que se aproximaba a todo lo que la vida le daba con la alegria incondicional de una criatura que ha nacido al mundo para disfrutarlo todo. Como si estuviera en conexion intima con cada criatura, con cada fenomenos del universo... comprendes lo que quiero decir? Claro, seguramente lo comprendes. Era directa, espontanea y ecuanime, y tambien habia en ella humildad, como si sintiera constantemente que la vida es un regalo lleno de gracia.
Sándor Márai
Volvere a creer en el sueño que por ti abandone.
Dulce María
Para el que ama, el modo de emplear el tiempo del amado es manantial de todas sus alegrias.
Albert Camus
Aplaudi o comediante com gargalhadas ricas em alegria.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
Eu gotejo em lágrimas não de tristeza ou alegria e sim de intensidade.
Filipe Russo
Em sorrisos e mais sorrisos eu irradio risos com vários gigaelétron-volts de alegria.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
O brilho do teu sorriso me cravejou de alegrias.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
A alegria, brincalhona guerra de travesseiro no gato-mia me sequestrou do dia-a-dia.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
O seu sorriso me cravejou de estrelas, cada uma irradiando vários gigaelétron-volts de alegria.
Filipe Russo (Caro Jovem Adulto)
possamos manter a beleza do amor, cultivar a ternura, a alegria e o contentamento de compartilhar a vida.
Monja Coen (Zen para distraídos: Princípios para viver melhor no mundo moderno)
Porque não morremos num período assim? Antes que tudo se comece a esboroar. Nem sei se é no fundo ou na superfície que começa a erosão. A primeira tristeza não partilhada. A primeira solidão em que se vira as costas e, ao voltar, já não se encontra a presença reconfortante. Apenas outra solidão, de costas. A consciência alerta: está a acabar, está a acabar. Talvez não ainda o amor, mas a alegria está a acabar. O resto vem depois. O cortejo todo.
Lya Luft (As Parceiras)
A felicidade sempre foi um negócio e uma obsessão. Os filósofos, desde que que existem, tentam mostrar-nos o caminho. Assim como os padres. E os monges. E os ditadores. E os samanas. E os gimnosofistas. E os cientistas. E os nossos pais. Toda a gente quer encontrar a felicidade e, não sendo eles próprios felizes, pretendem enfiar a beatitude que não conquistaram pela goela dos outros. Quer um copo de água para empurrar? Pegam em discursos, em actos, em ramos de flores, em educação, em dinheiro, em poemas e canções e servem-nos o caminho para a felicidade. Educam-nos com histórias que terminam com o singelo "foram felizes para sempre". E não me refiro só à Bíblia, mas também aos contos de fadas e de príncipes e princesas. E a obsessão é tão grande que até aos aleijados como eu lhes é servida a esperança: o fantasma da ópera, o corcunda de Notre-Dame, Cyrano de Bergerac, a Bela e o Monstro, Pinóquio, o sapo. Haja esperança para todos, incluindo batráquios que se tornam proeminentes membros da monarquia e se casam e, como quem se constipa, ficam com aquela doença do peito, o amor eterno. Nesse processo, há dor e alegria, mas não o estado de euforia permanente. As pessoas felizes não são as pessoas que vivem a abanar a cauda. As pessoas felizes choram e temem e caem e magoam-se e gritam e esfolam os joelhos, porque a sua felicidade independe da roda da fortuna, do acaso, das circunstâncias.
Afonso Cruz (Princípio de Karenina (Geografias, #1))
Pois a posse do que se ama é uma alegria ainda maior do que o amor. Muitas vezes os que escondem de todos essa posse, só o fazem pelo medo de que o objeto amado lhes seja roubado. E a felicidade deles fica diminuída por aquela prudência de calar.
Marcel Proust (La Prisonnière)
A lei do mundo dita que se deve terminar o que alguma vez se começou. Não é grande motivo de alegria. Nada chega a tempo, nunca a vida te deu nada, quando precisavas. Sofremos longamente por essa desordem, por esse atraso. Julgamos que alguém brinca connosco. Mas, um dia, percebemos que uma ordem maravilhosa e perfeita habitava em tudo...que duas pessoas não podem encontrar-se um dia antes, mas só quando estiverem maduras para esse encontro. Maduras não segundo as suas inclinações ou preferências mas interiormente, obedecendo à lei irregável da astronomia, tal como se encontram os corpos celestes na imensidão do espaço e do tempo, com rigorosa exactidão, nesse segundo que é o segundo de ambos, na sucessão dos milénios e da infinitude espacial.
Sándor Márai
Na vida pura e monótona das mulheres jovens aparece uma hora deliciosa em que o sol se expande na alma, em que a flor exprime pensamentos, em que as palpitações do coração comunicam ao cérebro o seu calor fecundante e como que fundem as ideias num desejo vago. Dia de melancolia e de alegrias suaves! As crianças sorriem quando começam a ver; quando uma rapariga entrevê o sentimento na natureza, sorri de modo igual à criança. Se a luz é o primeiro amor da vida, não será o amor a primeira luz do coração?
Honoré de Balzac (Eugénie Grandet)
tu e todo o mundo têm noção de que há ou deverá haver uma existência para além de nós. Qual seria o sentido de eu ter sido criada, se estivesse contida apenas em mim mesma? Os grandes desgostos que tive foram os desgostos de Heathcliff, e eu senti cada um deles desde o início: o que me faz viver é ele. Se tudo o mais acabasse, e ele permanecesse, eu continuaria a existir; e, se tudo o mais permanecesse e ele fosse aniquilado, o universo transformar-se-ia um imenso desconhecido. O meu amor por Linton é como a folhagem das florestas. O tempo transformá-lo-á, tenho a certeza, da mesma forma que o Inverno transforma o arvoredo. O meu amor por Heathcliff lembra as rochas eternas: proporciona uma alegria pouco visível, mas é necessário. Nelly, eu sou Heathcliff!"
Emily Brontë (Wuthering Heights)
Torre de Névoa Subi ao alto, à minha Torre esguia, Feita de fumo, névoas e luar, E pus-me, comovida, a conversar Com os poetas mortos, todo o dia. Contei-lhes os meus sonhos, a alegria Dos versos que são meus, do meu sonhar, E todos os poetas, a chorar, Responderam-me então: “Que fantasia, Criança doida e crente! Nós também Tivemos ilusões, como ninguém, E tudo nos fugiu, tudo morreu!...” Calaram-se os poetas, tristemente... E é desde então que eu choro amargamente Na minha Torre esguia junto ao céu!...
Florbela Espanca (Sonetos (Spanish Edition))
Muitos me conhecem, sou cantora. Sou uma figura pública. Mas sou muito mais que isso. Sou uma mulher, de carne e osso, que tem dias bons e dias maus. Tenho qualidades mas também tenho defeitos. Tenho medos e angústias. Mas também tenho momentos de alegria e diversão. Gosto de me arranjar quando saio mas não dispenso uma roupa confortável quando fico em casa para relaxar. Sorrio e rio... mas também choro. Muito. Fui uma criança igual a tantas outras, passei pela adolescência da mesma forma que muitos jovens o fizeram e cheguei à idade adulta a dois passos do abismo - tal como tantas pessoas. Neste livro desço do palco, tiro a maquilhagem, dispo os meus vestidos compridos e descalço os meus sapatos de salto alto. Desligo o som da música e ouço a minha própria voz. A da consciência. Esta é a Mónica.
Mónica Sintra (A Um Passo Do Abismo)
Chora-se o grande escritor ou o grande artista quando morrem, mas há uma certa alegria em saber que o mundo se tornou um pouco mais vulgar e mais pobre e que as nossas próprias vulgaridades e pobreza ficam assim mais escondidas ou dissimuladas, que já não existe aquele indivíduo que com a sua presença punha em destaque a nossa comparativa mediania, que o talento deu outro passo a caminho do seu desaparecimento da face da terra ou desliza mais ainda para o passado, de onde não devia sair nunca, onde devia ficar confinado para que não pudesse enfrentar-nos a não ser porventura retrospetivamente, o que é menos dilacerante e mais suportável.
Javier Marías (Los enamoramientos)
Compreendera então, julgo, a natureza da minha situação. A solidão de um é amenizada pela solidão de outro, e deste modo, mesmo na miséria, existe uma espécie de partilha, de comunhão, a que não se pode dar o nome de alegria mas algo como um encolher de ombros. O estudante franzino fora durante os meus primeiros meses de isolamento esse encolher de ombros, a minha resignação perante a brutalidade daquilo que me acontecera. Que ele tivesse alguém e eu não perturbava-me, colocava um entrave à nossa amizade, um ponto final no nosso monólogo. De uma certa maneira que não sei explicar senão com palavras incoerentes, até então tinha sido como se eu tivesse dado um passo ao lado que me tivesse feito sair do mundo, um pequeno passo discreto e silencioso de retirada. Após essa noite, o mundo notou a minha falta e deu também ele um passo ao lado, mas um passo do mundo é muito maior do que um passo dos nossos, e num certo sentido eu fiquei atrás das coisas, deslocado.
João Tordo (O Livro dos Homens sem Luz)
Por um instante a morte soltou-se a si mesma, expandindo-se até às paredes, encheu o quarto todo e alongou-se como um fluido até à sala contígua, aí uma parte de si deteve-se a olhar o caderno que estava aberto sobre uma cadeira, era a suite número seis opus mil e doze em ré maior de Johann Sebastian Bach composta em cöthen e não precisou de ter aprendido música para saber que ela havia sido escrita, como a Nona Sinfonia de Beethoven, na tonalidade da alegria, da unidade entre os homens, da amizade e do amor. Então aconteceu algo nunca visto, algo não imaginável, a morte deixou-se cair de joelhos, era toda ela, agora, um corpo refeito, e por isso é que tinha joelhos, e pernas, e pés, e braços, e mãos, e uma cara que entre as mãos escondia, e uns ombros que tremiam não se sabe porquê, chorar não será, não se pode pedir tanto a quem sempre deixa um rasto de lágrimas por onde passa, mas nenhuma delas que seja sua. Assim como estava, nem visível nem invisível, em esqueleto nem mulher, levantou-se do chão como um sopro e entrou no quarto.
José Saramago (Death with Interruptions)
Como é triste falar sobre as coisas, tentar se explicar, tentar se expressar. É só dar nome às coisas que elas morrem. Será que ele entendia? Será que a perdoava? Será que está tudo bem? Ele diz que não perdoa mas entende e está tudo bem, que ela saberá onde encontrá-lo se quiser e que espera que ela seja muito feliz. Não vê nenhum propósito em contar que passou uns dez dias sofrendo como se sua vida tivesse perdido toda e qualquer possibilidade de alegria e encanto, bebendo até apagar e correndo e nadando até sentir câimbras, mas que depois disso tudo voltou ao normal e na verdade ele já não sentia muito sua falta, que seu rosto tinha sumido da sua memória quinze minutos depois de deixá-la dormindo naquela última manhã que acordaram juntos e jamais retornaria a não ser que ela enviasse um retrato, o que ele gostaria muito que ela fizesse, por sinal, e que pra ser sincero já a tinha esquecido no outro sentido também, o sentido que o faria sofrer agora, mas acaba contando de qualquer modo e ela emudece por uns instantes e diz Viu? Tu nem me amava tanto assim.
Daniel Galera (Barba ensopada de sangue)
Cuando la infelicidad está en lo más alto, el alivio está a punto de llegar. Sir Aldingar
C.S. Lewis (Cautivado por la Alegria: Historia de Mi Conversion)
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, onde as formas e as ações no encerram nenhum exemplo. Praticas laboriosamente os gestos universais, sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual. Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas, e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção. À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas. Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra e sabes que, dormindo, os problemas de dispensam de morrer. Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras. Caminhas entre mortos e com eles conversas sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito. A literatura estragou tuas melhores horas de amor. Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear. Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva. Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Carlos Drummond de Andrade (Sentimento do Mundo)
A natureza humana", continuei, "tem os seus limites: pode suportar a alegria, o sofrimento, a dor até certo ponto; arruína-se, porém, mal ele seja ultrapassado. Assim, a questão não é ser-se fraco ou forte, mas conseguir suportar a medida do seu sofrimento, seja moral ou físico. E acho tão estranho chamar covarde a quem põe fim à própria vida como a quem morre de febre maligna.
Johann Wolfgang von Goethe (Die Leiden Des Jungen Werther)
- Sim, é talvez tudo uma ilusão... E a Cidade a maior ilusão! Tão facilmente vitorioso redobrei de facúndia. Certamente, meu Príncipe, uma ilusão! E a mais amarga, porque o Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria. (...) Na Cidade perdeu ele a força e beleza harmoniosa do corpo, e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto, de ossos moles como trapos, de nervos trémulos como arames, com cangalhas, com chinós, com dentaduras de chumbo, sem sangue, sem febra, sem viço, torto, corcunda - esse ser em que Deus, espantado, mal pode reconhecer o seu esbelto e rijo e nobre Adão! Na Cidade findou a sua liberdade moral: cada manhã ela lhe impõe uma necessidade, e cada necessidade o arremessa para uma dependência: pobre e subalterno, a sua vida é um constante solicitar, adular, vergar, rastejar, aturar; e rico e superior como um Jacinto, a Sociedade logo o enreda em tradições, preceitos, etiquetas, cerimónias, praxes, ritos, serviços mais disciplinares que os de um cárcere ou de um quartel... A sua tranquilidade (bem tão alto que Deus com ela recompensa os santos ) onde está, meu Jacinto? Sumida para sempre, nessa batalha desesperada pelo pão, ou pela fama, ou pelo poder, ou pelo gozo, ou pela fugidia rodela de ouro! Alegria como a haverá na Cidade para esses milhões de seres que tumultuam na arquejante ocupação de desejar - e que, nunca fartando o desejo, incessantemente padecem de desilusão, desesperança ou derrota? Os sentimentos mais genuinamente humanos logo na Cidade se desumanizam! Vê, meu Jacinto! São como luzes que o áspero vento do viver social não deixa arder com serenidade e limpidez; e aqui abala e faz tremer; e além brutamente apaga; e adiante obriga a flamejar com desnaturada violência. As amizades nunca passam de alianças que o interesse, na hora inquieta da defesa ou na hora sôfrega do assalto, ata apressadamente com um cordel apressado, e que estalam ao menor embate da rivalidade ou do orgulho. E o Amor, na Cidade, meu gentil Jacinto? Considera esses vastos armazéns com espelhos, onde a nobre carne de Eva se vende, tarifada ao arratel, como a de vaca! Contempla esse velho Deus do Himeneu, que circula trazendo em vez do ondeante facho da Paixão a apertada carteira do Dote! Espreita essa turba que foge dos largos caminhos assoalhados em que os Faunos amam as Ninfas na boa lei natural, e busca tristemente os recantos lôbregos de Sodoma ou de Lesbos!... Mas o que a cidade mais deteriora no homem é a Inteligência, porque ou lha arregimenta dentro da banalidade ou lha empurra para a extravagância. Nesta densa e pairante camada de Idéias e Fórmulas que constitui a atmosfera mental das Cidades, o homem que a respira, nela envolto, só pensa todos os pensamentos já pensados, só exprime todas as expressões já exprimidas: - ou então, para se destacar na pardacenta e chata rotina e trepar ao frágil andaime da gloríola, inventa num gemente esforço, inchando o crânio, uma novidade disforme que espante e que detenha a multidão como um monstrengo numa feira. Todos, intelectualmente, são carneiros, trilhando o mesmo trilho, balando o mesmo balido, com o focinho pendido para a poeira onde pisam, em fila, as pegadas pisadas; - e alguns são macacos, saltando no topo de mastros vistosos, com esgares e cabriolas. Assim, meu Jacinto, na Cidade, nesta criação tão antinatural onde o solo é de pau e feltro e alcatrão, e o carvão tapa o céu, e a gente vive acamada nos prédios como o paninho nas lojas, e a claridade vem pelos canos, e as mentiras se murmuram através de arames - o homem aparece como uma criatura anti-humana, sem beleza, sem força, sem liberdade, sem riso, sem sentimento, e trazendo em si um espírito que é passivo como um escravo ou impudente como um Histrião... E aqui tem o belo Jacinto o que é a bela Cidade! (...) -Sim, com efeito, a Cidade... É talvez uma ilusão perversa!
Eça de Queirós (A Cidade e as Serras)
Fui acusado de ser um utópico, de querer eliminar o desprazer do mundo e defender apenas o prazer. Contudo, tenho declarado claramente que a educação tradicional torna as pessoas incapazes para o prazer encouraçando-as contra o desprazer. Prazer e alegria de viver são inconcebíveis sem luta, experiências dolorosas e embates desagradáveis consigo mesmo. A saúde psíquica não se caracteriza pela teoria do nirvana dos iogues e dos budistas, nem pela hedonismo dos epicuristas, nem pela renúncia monástica; caracteriza-se, isso sim, pela alternância entre a luta desprazerosa e a felicidade, o erro e a verdade, o desvio e a correção da rota, a raiva racional e o amor racional; em suma, estar plenamente vivo em todas as situações da vida. A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor.
Wilhelm Reich (The Function of the Orgasm)
Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira. Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.
Clarice Lispector (Aprendizaje o El libro de los placeres)
Aqueles dentre nós que têm sido verdadeiros leitores durante toda a vida raramente compreendem de maneira plena a enorme extensão do nosso ser da qual somos devedores aos escritores. Compreendemos isso mais quando conversamos com um amigo que é um leitor não literato. Pode ser uma pessoa cheia de bondade e bom senso, mas é alguém que vive em um mundo minúsculo. Nós nos sentiríamos sufocados nesse mundo. A pessoa que está contente em ser apenas ela mesma e, portanto, menos que um "eu", está em uma prisão. Os meus olhos não são o bastante para mim. Eu vejo através dos olhos dos outros. A realidade, mesmo vista através dos olhos de muitos, não é o bastante. Eu verei o que outros inventaram. Mesmo os olhos de toda a humanidade não são suficientes. Lamento que os animais não possam escrever livros. Eu aprenderia com muita alegria qual é a imagem que as coisas têm para um rato ou para uma abelha. Mais alegre ainda ficaria se percebesse o mundo olfativo carregado com todas as informações e emoções que este mundo tem para um cão.
C.S. Lewis (An Experiment in Criticism)
Mestre, meu mestre querido! Coração do meu corpo intelectual e inteiro! Vida da origem da minha inspiração! Mestre, que é feito de ti nesta forma de vida? Não cuidaste se morrerias, se viverias, nem de ti nem de nada, Alma abstrata e visual até aos ossos, Atenção maravilhosa ao mundo exterior sempre múltiplo, Refúgio das saudades de todos os deuses antigos, Espírito humano da terra materna, Flor acima do dilúvio da inteligência subjetiva... Mestre, meu mestre! Na angústia sensacionista de todos os dias sentidos, Na mágoa quotidiana das matemáticas de ser, Eu, escravo de tudo como um pó de todos os ventos, Ergo as mãos para ti, que estás longe, tão longe de mim! Meu mestre e meu guia! A quem nenhuma coisa feriu, nem doeu, nem perturbou, Seguro como um sol fazendo o seu dia involuntariamente, Natural como um dia mostrando tudo, Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade. Meu coração não aprendeu nada. Meu coração não é nada, Meu coração está perdido. Mestre, só seria como tu se tivesse sido tu. Que triste a grande hora alegre em que primeiro te ouvi! Depois tudo é cansaço neste mundo subjetivado, Tudo é esforço neste mundo onde se querem coisas, Tudo é mentira neste mundo onde se pensam coisas, Tudo é outra coisa neste mundo onde tudo se sente. Depois, tenho sido como um mendigo deixado ao relento Pela indiferença de toda a vila. Depois, tenho sido como as ervas arrancadas, Deixadas aos molhos em alinhamentos sem sentido. Depois, tenho sido eu, sim eu, por minha desgraça, E eu, por minha desgraça, não sou eu nem outro nem ninguém. Depois, mas por que é que ensinaste a clareza da vista, Se não me podias ensinar a ter a alma com que a ver clara? Por que é que me chamaste para o alto dos montes Se eu, criança das cidades do vale, não sabia respirar? Por que é que me deste a tua alma se eu não sabia que fazer dela Como quem está carregado de ouro num deserto, Ou canta com voz divina entre ruínas? Por que é que me acordaste para a sensação e a nova alma, Se eu não saberei sentir, se a minha alma é de sempre a minha? Prouvera ao Deus ignoto que eu ficasse sempre aquele Poeta decadente, estupidamente pretensioso, Que poderia ao menos vir a agradar, E não surgisse em mim a pavorosa ciência de ver. Para que me tornaste eu? Deixasses-me ser humano! Feliz o homem marçano Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada, Que tem a sua vida usual, Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio, Que dorme sono, Que come comida, Que bebe bebida, e por isso tem alegria. A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação. Libertaste-me, mas o destino humano é ser escravo. Acordaste-me, mas o sentido de ser humano é dormir.
Fernando Pessoa (Poemas de Álvaro de Campos (Obra Poética IV))
A avaliação inicial feita por Connell a respeito da leitura não foi refutada. Era cultura como representação de classe, literatura fetichizada por sua capacidade de levar pessoas instruídas em falsas jornadas emocionais para que depois se sintam superiores a pessoas sem instrução cujas jornadas emocionais gostaram de ler. Ainda que o escritor fosse uma boa pessoa, e embora seu livro fosse realmente perspicaz, todos os livros eram, no final das contas, vendidos como símbolos de status, e todos os escritores participavam em alguma medida desse marketing. Supunha-se que era assim que a indústria ganhava dinheiro. A literatura, como aparecia nessas leituras públicas, não tinha potencial como forma de resistência nem nada disso. Porém, Connell foi para casa naquela noite e releu algumas anotações que andava fazendo para um novo conto, e sentiu a velha batida de prazer dentro do corpo, como assistir a um gol perfeito, como o movimento rumorejante da luz através das folhagens, um fraseado musical da janela de um carro que passa. A vida propicia esses momentos de alegria, apesar de tudo.
Sally Rooney (Normal People)
Sou assediada pelo medo, Aurel! Tenho medo daquilo que os homens da Igreja possam um dia fazer a mulheres como eu. Não apenas porque somos mulheres - porque Deus criou-nos mulheres. Mas porque tentamos a vocês, que são homens - pois Deus criou-os homens. Achas que Deus ama os eunucos e castrados acima daqueles homens que amam uma mulher. Então cuida como louvas a obra de Deus, pois ele não criou o homem para se castrar. Não posso esquecer o que aconteceu em Roma, e não penso mais em mim, pois não foi sobre mim que desencadeaste tua ira naquele dia. Foi sobre Eva, Excelência Reverendíssima, sobre a mulher. E aquele que faz mal a alguém ameaça a todos. Tremo, pois temo o dia que virá quando mulheres como eu serão liquidadas pelos homens da Igreja universal. E por que serão liquidadas, Excelência Reverendíssima? Porque lembrar a vocês o fato de terem renegado suas próprias almas e seus próprios dons. E em nome de quê? De um Deus, dizem vocês todos, daquele que criou um céu acima de vocês e também uma terra onde realmente estão as mulheres que os trazem ao mundo. Se Deus existe, que ele te perdoe. Mas talvez venhas a ser julgado um dia por todas as alegrias da vida a que deste as costas. Renuncias ao amor entre homem e mulher. Isso talvez possa ser perdoado. Mas o fazes em nome de Deus. A vida é curta, e sabemos muito pouco. Mas se foi por tua ordem que me deram tuas confissões para ler aqui em Cartago, a resposta é não. Não me deixarei batizar, Excelência Reverendíssima. Não é a Deus que temo. Sinto que já vivo com ele, e, afinal, não foi ele que me criou? Nem é o Nazareno que me detém, ele era provavelmente um homem de Deus de fato. E não era ele também justo com as mulheres? É dos teólogos que tenho medo. Que o Deus do Nazareno te perdoe por toda a ternura e todo o amor que proscreveste. [Flória Emília foi mulher de Aurélio Agostinho, o Santo Agostinho, por 12 anos antes de ser abandonada]
Jostein Gaarder (Vita Brevis: A Letter to St Augustine)
Antigamente, não havia senão noite. E Deus pastoreava as estrelas no céu. Quando lhes dava mais alimento elas engordavam e a sua pança abarrotava de luz. Nesse tempo, todas as estrelas comiam, todas luziam de igual alegria. Os dias ainda não haviam nascido e, por isso, o Tempo caminhava com uma perna só. E tudo era tão lento no infinito firmamento! Até que no rebanho do pastor, nasceu uma estrela com ganancia de ser maior que todas as outras. Essa estrela chamava-se Sol e cedo se apropriou dos pastos celestiais, expulsando para longe as outras estrelas que começaram a definhar. Pela primeira vez houve estrelas que penaram e, magrinhas, foram engolidas pelo escuro. Mais e mais o Sol ostentava grandeza, vaidoso dos seus domínios e do seu nome tão masculino. Ele, então, se intitulou patrão de todos os astros, assumindo arrogâncias de centro do universo. Não tardou a proclamar que ele é que tinha criado Deus. O que aconteceu na verdade, é que, com o Sol, assim soberano e imenso, tinha nascido o Dia. A Noite só se atrevia a aproximar-se quando o Sol, já cansado, se ia deitar. Com o Dia, os homens esqueceram-se dos tempos infinitos em que todas as estrelas brilhavam de igual felicidade. E esqueceram a lição da Noite que sempre tinha sido rainha sem nunca ter que reinar.
Mia Couto (A Confissão da Leoa)
Durante a rápida estação em que a mulher permanece em flor, os caracteres da sua beleza servem admiravelmente bem à dissimulação à qual a sua fraqueza natural e as leis sociais a condenam. Sob o rico colorido do seu viçoso rosto, sob o fogo dos seus olhos, sob a fina textura das suas feições tão delicadas, com tantas linhas curvas ou retas, mas puras e perfeitamente determinadas, todas as suas comoções podem permanecer secretas: o rubor então nada revela, aumentando ainda mais cores já tão vivas; todos os focos interiores concordam tão bem com a luz desses olhos brilhantes de vida que a fugaz chama de um sofrimento aparece apenas como um encanto a mais. Por isso, na da há mais discreto do que um rosto juvenil, porque também não há nada mais imóvel. A fisionomia de uma jovem tem a serenidade, o polido, o frescor da superfície de um lago; a das mulheres só se revela aos trinta anos. Até essa idade, o pintor só lhes acha no rosto róseos e brancos sorrisos e expressões que repetem um mesmo pensamento, pensamento de mocidade e de amor, pensamento uniforme e sem profundidade; mas, na velhice, tudo na mulher fala, as paixões incrustaram-se-lhe no rosto; foi amante, esposa, mãe; as mais violentas expressões de alegria e de dor acabaram por alterar-lhe, torturar-lhe o rosto, formando aí mil rugas, tendo todas uma linguagem; e uma fronte de mulher torna-se, então, sublime pelo horror, bela pela melancolia, ou magnífica pela serenidade; se se permite desenvolver esta estranha metáfora, o lago seco deixa então ver todos os traços das torrentes que o produzi ram; uma fronte de mulher velha já então não pertence nem ao mundo, que, frívolo, se assusta de ver a destruição de todas as idéias de elegância a que está habituado, nem aos artistas vulgares, que nada descobrem por aí; mas, sim, aos verdadeiros poetas, àqueles que possuem o sentimento de uma beleza independente de todas as convenções sobre as quais repousam tantos preconceitos sobre a arte e a formosura.
Honoré de Balzac (A Woman Of Thirty)
Ian permaneceria na aldeia por alguns dias, para se certificar de que Hiram e o povo de Pássaro estavam de comum acordo. No entanto, Jamie não estava absolutamente certo de que o senso de responsabilidade de Ian fosse sobrepujar seu senso de humor - de certa forma, o senso de humor de Ian tendia para o lado dos índios. Uma palavra da parte de Jamie poderia, portanto, vir a calhar, só por precaução. - Ele tem mulher - Jamie disse a Pássaro, indicando Hiram com um movimento da cabeça, o qual agora estava empenhado em uma conversa séria com dois dos índios mais velhos. - Acho que ele não gostaria de uma mulher em sua cama. Ele pode ser indelicado com ela, não compreendendo o gesto de cortesia. - Não se preocupe - Penstemon disse, ouvindo a conversa. Olhou para Hiram e seu lábio curvou-se com desdém. - Ninguém iria querer um filho DELE. Agora, um filho SEU, Matador-de-Urso... - Ela lhe lançou um longo olhar por baixo das pestanas e ele riu, saudando-a com um gesto de respeito. Era uma noite perfeita, fria e revigorante, e a porta foi deixada aberta para que o ar pudesse entrar. A fumaça da fogueira erguia-se reta e branca, fluindo na direção do buraco no teto, seus fantasmas móveis parecendo espíritos ascendendo de alegria. Todos haviam comido e bebido ao ponto de um agradável estupor, e houve um silêncio momentâneo e uma difusa sensação de paz e felicidade. - É bom para os homens comerem como irmãos - Hiram observou para Urso-em-Pé, em seu titubeante tsalagi. Ou melhor, tentou. E afinal, Jamie refletiu, sentindo suas costelas rangerem sob a tensão, era realmente uma diferença muito pequena entre "como irmãos" e "seus irmãos". Urso-em-Pé deu um olhar pensativo a Hiram e afastou-se disfarçadamente para longe dele. Pássaro observou isso e, após um momento de silêncio, virou-se para Jamie. - Você é um homem muito engraçado, Matador-de-Urso - ele repetiu, sacudindo a cabeça. - Você venceu.
Diana Gabaldon (A Breath of Snow and Ashes (Outlander, #6))
Existe um êxtase que assinala a plenitude da vida e para além do qual a vida cessa. E, tal é o paradoxo do viver, esse arrebatamento que chega quando estamos mais vivos surge com o esquecimento de que estamos vivos. Esse êxtase, esse esquecimento da vida, conhece-o o artista arrebatado e fora de si numa língua de fogo; conhece-o o soldado no campo da derrota quando, de cabeça perdida, não se rende; e conhecia-o Buck, nesse momento, na frente da matilha, soltando o velho grito dos lobos, correndo, correndo, tenso, atrás do alimento ainda vivo que se esgueirava, velocíssimo, como através do luar. Ressoavam nele as profundezas da sua natureza e das partes da sua natureza que eram mais profundas do que ele e recuavam até às entranhas do Tempo. Possuía-o o puro borbulhar da vida, a maré do ser, a alegria perfeita de cada músculo, cada articulação, cada tendão, tudo o que não estava morto, mas vivo e palpitante, exprimindo-se em movimento, voando triunfalmente sob as estrelas, face à matéria morta e sem movimento.
Jack London (The Call of the Wild)
Algumas coisas são inexplicáveis pra quem está de fora. Existem códigos secretos que só pertencem aos que partilharam a mesma mesa, o mesmo quarto, as mesmas brincadeiras, os mesmos pais. Talvez cumplicidade e camaradagem sejam as palavras certas pra definir esse tipo de amor, que começa com um "não me entrega que eu também não te entrego", e segue vida afora compreendendo os traumas ocultos, as dores disfarçadas, a raiva acumulada, a alegria infantil, a inércia justificada. Mesmo longe, as mãos se reconhecem e se apoiam. Mesmo sem palavras, o entendimento é real. E no fim das contas, é aquele olhar cúmplice ("não me dedura por favor...") que nos levanta e aquece. É aquele olhar que justifica e valida a beleza da vida, do mundo, das pessoas. E, de alguma forma que não sei dizer, traz alívio e paz. Não posso imaginar que aquilo que dividimos há tanto tempo me apazigue como fazem essas lembranças. Nada de mim está mais lá, apenas a memória de velhos pijamas de dormir e a voz suave de mamãe contando histórias pra explicar a vida e justificar o amor.
Fabíola Simões